🇧🇷 Paulo Shin carrega em si uma história que começa antes mesmo de entrar numa cozinha — ela começa na sua própria origem. Brasileiro filho de coreanos, ele cresceu entre dois mundos, dois idiomas e duas mesas, absorvendo desde cedo os aromas e sabores que mais tarde se tornariam sua linguagem profissional. São 20 anos de carreira dedicados a traduzir essa herança em pratos que falam ao mesmo tempo da Coreia ancestral e do Brasil contemporâneo. Uma trajetória que o levou, naturalmente, a ocupar um lugar de destaque na inauguração do Miss Kōh, no Shopping RioMar, em Recife.
🍽️ O convite para integrar o projeto do grupo Mussi e Dória veio acompanhado de um desafio que Paulo Shin descreve como um exercício de leitura — de mercado, de paladar e de contexto. A proposta do Miss Kōh é, na visão do chef, genuinamente disruptiva: reunir sob o mesmo teto as culinárias japonesa, tailandesa e coreana, apresentando ao público local um universo de sabores que vai muito além do familiar. Isso exige sensibilidade para entender o que o comensal está pronto para receber, sem jamais trair a essência daquilo que se está oferecendo. É um equilíbrio delicado, e Shin sabe muito bem como sustentá-lo.
🌶️ Os pratos que Paulo Shin assina no Miss Kōh não são, como ele mesmo admite com honestidade, a comida raiz da culinária coreana em sua forma mais tradicional. Mas carregam o que há de mais essencial nela: o adocicado que aquece, a picância que desperta, o umami profundo que fica, as texturas que surpreendem e os sabores que ele foi lapidando ao longo de duas décadas de prática e pesquisa. É a Coreia vista por olhos brasileiros, interpretada por mãos que conhecem as duas culturas por dentro e que aprenderam a honrar cada uma delas sem precisar escolher entre elas.
🔍 O conceito que norteia o trabalho de Shin no projeto é o que ele chama de "filtro" — um processo de seleção cuidadosa que determina o que pode ser traduzido para o novo contexto sem que a narrativa original se perca. Não se trata de simplificar ou de ceder às pressões do mercado, mas de encontrar o ponto exato onde a autenticidade e a acessibilidade se encontram e se entendem. É uma habilidade que só se desenvolve com anos de escuta, de tentativa, de erro e de refinamento constante — e que coloca Paulo Shin numa posição rara entre os chefs que trabalham com culinária étnica no Brasil.