🎸 O último domingo, 5 de abril, não foi apenas mais uma data no calendário da música brasileira, mas um marco para quem acompanha a evolução do rock nacional. Luiz Franco Thomaz, o lendário Netinho, celebrou seus 80 anos com a vitalidade de quem nunca abandonou o palco. Com mais de seis décadas dedicadas à bateria, ele segue como um dos pilares da música jovem no Brasil, mantendo viva a energia que o consagrou diante de plateias no País e no mundo.
🎶 Protagonista de momentos icônicos, Netinho atravessou gerações e estilos, consolidando uma carreira que se confunde com a própria história do rock brasileiro. Do estouro da Jovem Guarda com Os Incríveis à ousadia progressiva do Casa das Máquinas, sua trajetória é um documento vivo da cultura nacional. Hoje, ele prova que o tempo é apenas um detalhe, permanecendo na estrada com a nova formação de Os Incríveis ao lado do filho, Sandro Haick, em uma parceria que une legado e renovação.
🔥 Em uma conversa exclusiva, Netinho abriu o coração sobre carreira, técnica, disciplina e paixão pela música, revelando bastidores de uma vida inteira dedicada ao ritmo. Entre memórias, aprendizados e reflexões, ele compartilhou momentos que moldaram sua identidade artística e que continuam inspirando músicos de todas as gerações. Sua lucidez e entusiasmo mostram que a chama criativa segue acesa, guiando novos projetos e mantendo viva a essência do rock.
🌍 A celebração dos 80 anos reforça a importância de Netinho como referência incontornável para bateristas e amantes da música. Sua visão sobre evolução tecnológica, disciplina na estrada e a busca constante por aprendizado revelam um artista inquieto, que nunca se acomodou. Cada fase de sua carreira representa um capítulo essencial da música brasileira, e sua presença continua sendo sinônimo de autenticidade e entrega.
⭐ Acompanhar Netinho é revisitar a história do rock brasileiro e reconhecer a força de um artista que transformou sua paixão em legado. Aos 80 anos, ele segue firme, criativo e inspirado, mostrando que a música é um território onde o tempo não limita — apenas aperfeiçoa. Sua trajetória é um convite à celebração, à memória e ao reconhecimento de um mestre que continua fazendo história.
🎙️ Entrevista Exclusiva: Netinho
Você começou muito jovem na música. Qual foi o momento em que percebeu que a bateria seria sua grande paixão?
Na realidade, eu não escolhi a bateria, a bateria me escolheu. Eu comecei muito cedo, com 12 anos de idade. O momento em que eu percebi que a bateria seria a minha vida foi quando eu montei a minha primeira bateria com latas de marmelada e tampas de panela. Ali eu senti que o ritmo estava dentro de mim.
Os Incríveis marcaram uma geração. Como era viver aquele auge da Jovem Guarda por dentro, nos bastidores e nos palcos?
Viver a Jovem Guarda foi algo mágico e, ao mesmo tempo, muito intenso. Nos bastidores, era uma correria louca, fã pra todo lado ... No palco, era uma explosão. Os Incríveis tinham uma característica muito forte de showmen, a gente não só tocava, a gente fazia um espetáculo.
Você participou de turnês internacionais importantes, como a viagem com Rita Pavone. O que mais te marcou nessa fase?
O que mais me marcou foi o profissionalismo. A gente aprendeu muito sobre disciplina, sobre como se comportar num palco internacional. E, claro, o reconhecimento. Ver que a nossa música, o nosso jeito de tocar, emocionava pessoas que nem falavam a nossa língua.
Seu estilo de tocar é muito reconhecível. Quais bateristas ou referências moldaram sua técnica ao longo dos anos?
Minhas referências são muitas, mas eu sempre bebi muito na fonte do Jazz e do Rock clássico. Bateristas como Gene Krupa e Buddy Rich foram fundamentais. No Rock, o Keith Moon e o John Bonham trouxeram aquela pegada mais forte. Eu tentei pegar um pouco de cada um e criar o 'estilo Netinho'.
A transição de Os Incríveis para o Casa das Máquinas foi um salto musical enorme. O que motivou essa mudança de sonoridade?
A mudança foi natural, mas audaciosa. Os Incríveis eram o sucesso popular, o rádio, a alegria. Mas eu sentia necessidade de algo mais experimental, mais progressivo. O Casa das Máquinas nasceu desse desejo de liberdade criativa.
Você viveu momentos históricos da música brasileira. Qual foi o show ou gravação que mais te emocionou na carreira?
É difícil escolher um só, mas acho que a gravação de 'Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones' foi algo que mudou tudo. Ver aquela música se tornar um hino e ser cantada por gerações até hoje... toda vez que eu toco essa música, eu me emociono.
A bateria evoluiu muito em termos de tecnologia. Como você enxerga essa mudança e o impacto dela no trabalho dos músicos?
A bateria é um instrumento de 'toque', de 'sentimento'. O impacto no trabalho dos músicos é que ficou mais fácil produzir, mas sinto que às vezes se perde um pouco da 'alma', daquela imperfeição humana que faz o ritmo ser vivo.
Trabalhar tantos anos na estrada exige disciplina e paixão. Como você manteve o ritmo e a energia ao longo das décadas?
O segredo é o amor pelo que se faz. Se você faz por dinheiro ou por fama, você cansa rápido. Eu faço porque eu respiro música. A verdadeira energia vem do momento em que eu sento no banco da bateria e dou a primeira batida. Ali, eu esqueço qualquer cansaço.
Se pudesse dar um conselho para jovens bateristas que sonham em viver de música, qual seria?
Meu conselho é: estudem, mas não esqueçam de ouvir. Hoje os jovens querem tocar muito rápido, fazer muitas notas, mas esquecem do 'groove', do básico. Toquem para a música, não para o seu ego.
Depois de tantos projetos, fases e reinvenções, o que ainda te move artisticamente hoje?
O que me move hoje é a descoberta. Eu ainda sinto que tenho muito a aprender e muito a criar. Cada novo projeto, cada nova parceria, me dá aquele frio na barriga de quando eu tinha 15 anos.
📸 Fotos: Reprodução Instagram do Artista
A atual formação da Banda Os Incríveis