segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

#SendoProsperidade com Mariângela Borba

Deixa o frevo rolar: quando o eixo volta a dançar

Por Mariângela Borba*

Há um momento em que a vida deixa de pedir contenção e passa a pedir movimento.

Não o movimento ansioso de quem foge, nem o excesso performático de quem precisa provar algo, mas o movimento próprio — aquele que nasce quando a gente para de se auto-suspender.

Aristóteles dizia que “o impossível verossímil é preferível ao possível não acreditável”. Talvez porque o corpo reconheça o que faz sentido antes que a razão autorize. O verossímil não é o que garante segurança. É o que sustenta verdade. Deixar o frevo rolar não é perder o controle. É recuperar o eixo.

Durante muito tempo, aprendi a dançar com cuidado. A medir o passo, regular o ritmo, não ocupar espaço demais. Não por insegurança, mas por leitura fina do ambiente, do outro, do contexto. Isso também é inteligência relacional.

O problema começa quando a inteligência vira adiamento. 

Quando a escuta vira espera. 

Quando a maturidade se transforma em auto-contenção crônica.

O quase não machuca. O quase anestesia. E a anestesia nos faz confundir quietude com paz.

Há vínculos que se mantêm exatamente aí: no quase, no implícito, no confortável demais para exigir escolha.

É aqui que muita gente se confunde sobre o amor. Não é que o amor não exista. O que não existe é amor sem escolha. 

Onde não há travessia, o que se chama de amor vira arranjo de interesses: presença conveniente, cuidado episódico, vínculo confortável demais para se assumir. O amor não se sustenta no implícito. Não vive de sinais difusos, nem de intensidade ocasional. Ele exige posicionamento, continuidade e responsabilidade afetiva.

Quando alguém usufrui da presença, mas evita a escolha, não é amor que falta — é coragem de atravessar.

Recusar esse jogo não é cinismo. É lucidez. Porque tudo o que não entra no campo da escolha, não entra no campo da prosperidade.

Deixar o frevo rolar é sair do lugar de quem dança olhando para o lado, esperando que alguém acompanhe, para ocupar o lugar de quem dança porque o corpo pediu.

Quando o corpo volta a dançar, o campo muda. Não porque alguém foi provocado, mas porque o eixo foi retomado. Eixos não negociam. Eles organizam.

Prosperidade — de novo, ela — não é acumular, nem prometer. 

É sustentar o próprio ritmo sem pedir desculpa.

É escolher sem precisar justificar demais.

É parar de traduzir o próprio desejo para caber no conforto do outro.

Há vínculos que só existem enquanto alguém diminui o passo. Quando o frevo começa de verdade, eles precisam decidir: entram no ritmo ou ficam na calçada. Isso não é dureza. É honestidade estrutural.

Dançar o próprio frevo não exclui ninguém. Mas também não se interrompe para manter presenças que só funcionam no quase.

Quem quiser, acompanha.

Quem não puder, assiste.

E está tudo bem — desde que a dança continue. Porque quando a vida volta a dançar, o centro se reafirma, a energia circula e a prosperidade deixa de ser promessa para virar movimento vivido.

Deixa o frevo rolar.

Agora, o compasso é teu.


*Mariângela Borba é jornalista diplomada, especialista em Cultura Pernambucana, produtora cultural e mestre de cerimônias. Pesquisa a palavra como território político, simbólico e relacional, atuando na confluência entre comunicação, cultura, direitos humanos e inclusão. Professora, revisora credenciada e estrategista digital, atualmente dedica-se aos estudos da Psicanálise. Integra a UBE e a AIP.

   


🎭 Carnaval sem Ressaca Viral: Especialista Alerta para Vacinação Pós-Folia


🩺 Com a intensa movimentação de blocos, festas e viagens, o período do Carnaval e pós-Carnaval se torna cenário ideal para a disseminação de vírus respiratórios. Especialistas reforçam que essa é uma das épocas do ano com maior circulação de agentes infecciosos. Doenças como gripe, Covid-19 e bronquiolite tendem a aumentar seus casos, pressionando o sistema de saúde. A proteção coletiva, portanto, torna-se um pilar essencial para atravessar a temporada com segurança, evitando desfechos graves.

💉 O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinas fundamentais para essa proteção. A campanha contra a gripe (influenza) está disponível para toda a população a partir dos seis meses, com prioridade para gestantes, crianças e idosos. O calendário nacional também inclui doses atualizadas contra a Covid-19. Recentemente, o SUS incorporou a vacina contra o VSR para gestantes, visando proteger os bebês. Na rede privada, há ainda opções como as vacinas pneumocócicas.

🗣️ "Em épocas de grande aglomeração, estar com as vacinas em dia é um cuidado coletivo", afirma Maria Luiza Moreira, gestora de enfermagem. Ela ressalta que a imunização é uma estratégia eficaz para reduzir hospitalizações. A medida ajuda a proteger os mais vulneráveis e a desacelerar a transmissão comunitária. A prevenção evita sobrecarga nos postos e hospitais após os festejos. Manter o calendário atualizado é um ato de responsabilidade individual e social.

🛡️ A atenção deve ser contínua, especialmente para os grupos de maior risco. Vírus como o Sincicial Respiratório (VSR) são causas significativas de síndromes respiratórias graves. Crianças muito pequenas e idosos estão entre os mais afetados por complicações. A vacinação não previne 100% das infecções, mas reduz drasticamente a chance de formas severas. É uma ferramenta crucial para um pós-Carnaval mais saudável.

✅ Para se proteger, verifique sua situação vacinal nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A vacina da gripe é anual e a contra Covid-19 tem esquemas de reforço. Gestantes devem se informar sobre a nova vacina contra o VSR disponível no SUS. Consulte sempre um profissional de saúde para orientações personalizadas. A prevenção é a melhor forma de garantir que a folia deixe só boas lembranças.

Informações:

· Período de risco: Carnaval e pós-Carnaval (grandes aglomerações).
· Doenças em alta: Gripe (Influenza), Covid-19, Bronquiolite, Pneumonia.
· Vacinas disponíveis no SUS: Influenza (gripe), Covid-19 (doses bivalentes), VSR (para gestantes a partir da 28ª semana).
· Grupos prioritários: Gestantes, crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
· Onde se vacinar: Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o país.

🎉 Carnaval de Bom Conselho: Chuva não apaga a festa de 8 mil foliões com bonecos gigantes


🐘 Mesmo sob chuva, cerca de 8 mil foliões celebraram o 12º Carnaval do Zé Puluca, em Bom Conselho, Agreste de Pernambuco, no domingo, 8 de fevereiro de 2026. O evento, parte do Carnaval do Interior 2026, integrou o 4º Encontro de Bonecos Gigantes do Agreste. Criado em 2013 para homenagear o maestro José Duarte Tenório, o Zé Puluca, o bloco se consolida como o principal encontro da região.

🎺 A concentração começou às 16h na Escola São Geraldo, para um desfile de dois quilômetros. A abertura foi feita pelo presidente do Centro Cultural Zé Puluca, Carlos Alberto, e pelo vice Gustavo Pereira. O percurso foi animado por duas orquestras de frevo com 25 músicos cada, incluindo a Orquestra Henrique Dias, de Olinda, e a Orquestra Henrique César.

🎭 O espetáculo visual contou com 30 bonecos gigantes, estandartes, mascarados e alegorias. A grande atração foi o Dragão Drek, uma alegoria de dez metros de extensão, confeccionada na China e conduzida por cinco pessoas. A magia carnavalesca tomou conta das ruas da cidade, encantando o público presente.

👑 A edição de 2026 prestou homenagens especiais: aos 50 anos do Bloco da Zebra, ao passista Ferreirinha do Frevo e, de forma póstuma, a João da Zebra. Nathaly Pontes, sobrinha de João da Zebra, recebeu a homenagem em nome do homenageado, emocionando a todos no evento.

🎤 O encerramento ocorreu no palco montado próximo ao coreto da Igreja de São Sebastião, na Avenida Agamenon Magalhães. A festa foi coroada com o show da cantora Cintia Barros, encerrando com chave de ouro um dia de tradição, cultura e muita alegria no Agreste pernambucano.

📸 Foto: Fabiano Alves