Anotar é cuidar do
cérebro
Por Mariângela Borba
Olá,
você, leitor do #SendoProsperidade, tudo bem?
Hoje resolvi trazer como pauta um hábito simples e que, com
a evolução tecnológica, as pessoas — inclusive eu — vêm deixando um pouco de
lado: anotar.
Confesso até que talvez seja por desleixo meu estar deixando
esse hábito de lado, porque foi um exemplo que sempre vi — e vivi — em casa,
com minha mãe. Ela era uma mulher que sempre tinha uma caneta e um bloquinho ao
seu lado — fosse no bolso, na bolsa ou em uma mesinha. E nós, com celulares,
tablets e afins, acabamos perdendo esse costume. Que bobos, pois dá, até, para
registrar uma anotação no aparelhinho, embora não seja o melhor. O bom mesmo é
escrever com papel e caneta, pois o cérebro assimila melhor.
E isso não é opinião: pesquisas em neurociência mostram que
escrever à mão ativa mais áreas do cérebro do que digitar, envolvendo regiões
motoras, visuais e linguísticas ao mesmo tempo, o que fortalece a codificação e
a memória (Neuroscience News, 2020; Psychology Today, 2024).
Mas você sabia que o simples hábito de anotar não é falta de
memória, mas sim estratégia neurológica?
O nosso cérebro tem uma capacidade limitada — é, querida (o),
não é só o HD do computador que enche — de armazenamento imediato. Então, o
hábito de anotar reduz a carga cognitiva e libera espaço mental. Isso é
extremamente positivo, porque menos sobrecarga gera mais clareza e menos
ansiedade.
Além disso, fortalece a memória. Estudos comparativos
mostram que pessoas que fazem anotações manuscritas apresentam melhor
desempenho em memória visual, velocidade de processamento e memória de trabalho
do que aquelas que usam apenas meios digitais (BMC Medical Education, 2025).
Quando escrevemos, ativamos múltiplas áreas cerebrais, como
a motora, a visual e a ligada à linguagem. Isso reforça o registro e aumenta a
possibilidade de lembrar. A escrita exige processamento ativo: não apenas
copiamos, mas organizamos, interpretamos e transformamos a informação — e é
isso que consolida o aprendizado (Psychology Today, 2014).
Escrever também transforma ideias soltas em tarefas
concretas, ajudando o cérebro a planejar. Com isso, melhora a organização,
aumenta o foco e fortalece as funções executivas — localizadas nas áreas
frontais do cérebro. Além disso, previne o chamado “ruído mental”.
E sabe por que anotar acalma o sistema? Porque quando a
gente guarda — ou tenta guardar — tudo na cabeça, o cérebro vive em modo de
alerta, quase em “piloto automático”. Ao transferir as informações para o
papel, o cérebro entende que não precisa mais vigiar tudo ao mesmo tempo. O
resultado é menos estresse e aquela sensação de “estou esquecendo alguma coisa”
aparece com menos frequência.
Manter o uso de listas, agendas e notas externas nos permite
visualizar prioridades. O cérebro decide melhor quando vê, e não só quando
imagina. Anotar não é fraqueza de memória; muito pelo contrário: é uma
ferramenta cognitiva. Pessoas organizadas não confiam apenas em lembrar —
confiam no método.
Portanto, é importante tornar como hábito diário:
• Listar três prioridades;
• Usar agenda;
• Fazer anotações rápidas no celular;
• Usar post-its visíveis.
Esses pequenos hábitos podem proteger a nossa saúde mental e
cognitiva. O cérebro não foi feito para guardar tudo, mas para processar.
Quando tiramos as informações da cabeça e colocamos no papel, reduzimos a
ansiedade, melhoramos o foco, fortalecemos a memória, organizamos prioridades e
liberamos espaço para pensar melhor.
Anotar é uma estratégia que deixa o cérebro mais leve.
É uma forma de cuidar do cérebro todos os dias.
Fontes consultadas
• Neuroscience News (2020) – Handwriting activates brain
connectivity patterns associated with learning
• Psychology Today (2014) – Handwritten Notes Lead to Better
Learning
• Psychology Today (2024) – Writing by Hand Is Good for Your
Brain
• BMC Medical Education (2025) – Estudo comparativo sobre
escrita manual e desempenho cognitivo em estudantes
Mariângela Borba é jornalista diplomada, produtora cultural
e mestre de cerimônias. Pesquisa a palavra como território político, simbólico
e relacional, atuando na confluência entre comunicação, cultura, direitos
humanos e inclusão. Professora, revisora credenciada e estrategista digital,
atualmente dedica-se aos estudos da Psicanálise. Integra a UBE e a AIP.