domingo, 18 de janeiro de 2026

#SendoProsperidade com Mariângela Borba

Anotar é cuidar do cérebro

Por Mariângela Borba

Olá, você, leitor do #SendoProsperidade, tudo bem?

Hoje resolvi trazer como pauta um hábito simples e que, com a evolução tecnológica, as pessoas — inclusive eu — vêm deixando um pouco de lado: anotar.

Confesso até que talvez seja por desleixo meu estar deixando esse hábito de lado, porque foi um exemplo que sempre vi — e vivi — em casa, com minha mãe. Ela era uma mulher que sempre tinha uma caneta e um bloquinho ao seu lado — fosse no bolso, na bolsa ou em uma mesinha. E nós, com celulares, tablets e afins, acabamos perdendo esse costume. Que bobos, pois dá, até, para registrar uma anotação no aparelhinho, embora não seja o melhor. O bom mesmo é escrever com papel e caneta, pois o cérebro assimila melhor.

E isso não é opinião: pesquisas em neurociência mostram que escrever à mão ativa mais áreas do cérebro do que digitar, envolvendo regiões motoras, visuais e linguísticas ao mesmo tempo, o que fortalece a codificação e a memória (Neuroscience News, 2020; Psychology Today, 2024).

Mas você sabia que o simples hábito de anotar não é falta de memória, mas sim estratégia neurológica?

O nosso cérebro tem uma capacidade limitada — é, querida (o), não é só o HD do computador que enche — de armazenamento imediato. Então, o hábito de anotar reduz a carga cognitiva e libera espaço mental. Isso é extremamente positivo, porque menos sobrecarga gera mais clareza e menos ansiedade.

Além disso, fortalece a memória. Estudos comparativos mostram que pessoas que fazem anotações manuscritas apresentam melhor desempenho em memória visual, velocidade de processamento e memória de trabalho do que aquelas que usam apenas meios digitais (BMC Medical Education, 2025).

Quando escrevemos, ativamos múltiplas áreas cerebrais, como a motora, a visual e a ligada à linguagem. Isso reforça o registro e aumenta a possibilidade de lembrar. A escrita exige processamento ativo: não apenas copiamos, mas organizamos, interpretamos e transformamos a informação — e é isso que consolida o aprendizado (Psychology Today, 2014).

Escrever também transforma ideias soltas em tarefas concretas, ajudando o cérebro a planejar. Com isso, melhora a organização, aumenta o foco e fortalece as funções executivas — localizadas nas áreas frontais do cérebro. Além disso, previne o chamado “ruído mental”.

E sabe por que anotar acalma o sistema? Porque quando a gente guarda — ou tenta guardar — tudo na cabeça, o cérebro vive em modo de alerta, quase em “piloto automático”. Ao transferir as informações para o papel, o cérebro entende que não precisa mais vigiar tudo ao mesmo tempo. O resultado é menos estresse e aquela sensação de “estou esquecendo alguma coisa” aparece com menos frequência.

Manter o uso de listas, agendas e notas externas nos permite visualizar prioridades. O cérebro decide melhor quando vê, e não só quando imagina. Anotar não é fraqueza de memória; muito pelo contrário: é uma ferramenta cognitiva. Pessoas organizadas não confiam apenas em lembrar — confiam no método.

Portanto, é importante tornar como hábito diário:

• Listar três prioridades;

• Usar agenda;

• Fazer anotações rápidas no celular;

• Usar post-its visíveis.

Esses pequenos hábitos podem proteger a nossa saúde mental e cognitiva. O cérebro não foi feito para guardar tudo, mas para processar. Quando tiramos as informações da cabeça e colocamos no papel, reduzimos a ansiedade, melhoramos o foco, fortalecemos a memória, organizamos prioridades e liberamos espaço para pensar melhor.

Anotar é uma estratégia que deixa o cérebro mais leve.

É uma forma de cuidar do cérebro todos os dias.

 

Fontes consultadas

• Neuroscience News (2020) – Handwriting activates brain connectivity patterns associated with learning

• Psychology Today (2014) – Handwritten Notes Lead to Better Learning

• Psychology Today (2024) – Writing by Hand Is Good for Your Brain

• BMC Medical Education (2025) – Estudo comparativo sobre escrita manual e desempenho cognitivo em estudantes

 

Mariângela Borba é jornalista diplomada, produtora cultural e mestre de cerimônias. Pesquisa a palavra como território político, simbólico e relacional, atuando na confluência entre comunicação, cultura, direitos humanos e inclusão. Professora, revisora credenciada e estrategista digital, atualmente dedica-se aos estudos da Psicanálise. Integra a UBE e a AIP.