quarta-feira, 29 de julho de 2026
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terça-feira, 28 de julho de 2026
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segunda-feira, 27 de julho de 2026
🪗 Madame Forró: A transformação de uma artista francesa pela cultura forrozeira
1. Como você percebe a transformação da sua identidade musical desde os primeiros contatos com o acordeon até se tornar a Madame Forró?
A sanfona foi meu primeiro instrumento. Comecei com 23 anos e de forma autodidata.
Tive uma vida de muitas viagens e andanças, e a arte sempre esteve ligada a esses movimentos.
O forró me deu um norte, concentrou a minha energia e foi através dele que realmente me envolvi na música e comecei a estudar de fato a sanfona e o canto.
Minha identidade musical está se construindo por meio do projeto Madame Forró. Antes disso, a música era um acompanhamento para minhas performances de dança e circo.
Assim, comecei dançando e hoje sou uma musicista que faz dançar. Amo ver o mundo girar!
2. O que a sanfona representa para você emocionalmente e artisticamente, e como esse instrumento moldou sua forma de se expressar no palco?
A sanfona foi, primeiramente, uma companhia para domar um sentimento de solidão. Ela me ensinou a transformar essa solidão em solitude até amar essa solitude.
Também, no meu imaginário francês, o acordeon é o instrumento predileto na arte de rua.
E a rua foi um palco que sempre me inspirou muito. Comecei nela, atuando com diversas artes, e continuo nela até hoje.
Amo tocar para o povo dançar. Isso me traz uma alegria gigante. A sanfona é uma festa, onde quer que chegue.
Para mim, ela é uma verdadeira companheira e ela me dá energia nas apresentações.
Mas hoje também sinto vontade de expressar outros aspectos de mim, além da sanfona, e até sem ela. E estou descobrindo como juntar tudo isso na minha expressão artística.
3. Qual foi o momento ou encontro que fez você sentir que o forró não era apenas um ritmo estrangeiro, mas um lugar onde você realmente pertencia?
Primeiramente, cada vez que estou tocando e alguém canta junto comigo, ou quando o público canta enquanto estou no palco, sinto que pertenço a essa cultura.
Ou quando participo de procissões ou de grandes rodas de sanfoneiros e sanfoneiras, como em Cruz das Almas (BA), Dom Inocêncio (PI), Itaúnas (ES), Recife (PE) ou ainda na Caminhada do Forró em Arcoverde (PE).
Sinto que pertenço quando luto junto com os colegas forrozeiros, participando da sua preservação, sem desistir, apesar das condições difíceis, valorizando e apoiando quem produz e mantém essa cultura…
Quando encontrei o último irmão vivo de Luiz Gonzaga, João Gonzaga, em Exu, e quando vejo todas as amizades que o forró trouxe para minha vida.
Quando percebo que, tocando, encanto os brasileiros.
Quando, no Natal, puxei o fole no Hospital de Arcoverde e vi tantas pessoas, pacientes e funcionários, cantando junto.
Porque o forró ecoa no meu coração.
Pertenço ao forró porque ele me toca.
Eu amo o forró. « Quem ama, cuida », alguém me disse isso algum dia. E, quando cuidamos, pertencemos.
4. De que maneira a música brasileira transformou sua visão de mundo e sua relação com a própria identidade francesa?
Na minha percepção, a música brasileira é, antes de tudo, coração e sentimento. Ela é generosa e abundante por natureza, enquanto percebo a minha cultura como exigente e racional demais em alguns aspectos.
Acredito que se eu não tivesse vivido todos esses anos no Brasil, nunca teria me tornado musicista.
O Brasil me libertou de algumas coisas que me travavam dentro da minha própria cultura.
A música brasileira me ensina a espontaneidade, o improviso, o balanço, o ritmo, o jeito descontraído, a confiança de que tudo dá certo, a alegria de tocar e, para mim, o mais bonito: a entrega.
Na verdade, o Brasil, além da música, mudou minha visão do mundo. Antes de tudo, essa cultura me ensina todo dia a fortalecer um olhar espiritual e humilde diante da existência.
Mas acredito que qualquer pessoa que se abra para outra cultura cresce com ela, não tem como ser diferente. Se confrontar com outra cultura é riquíssimo.
Me sinto privilegiada por poder viver essa experiência e sou muito grata por isso.
5. Quais são os maiores desafios de traduzir a poesia do forró para o francês sem perder a alma nordestina presente nas letras originais?
Os desafios para fazer versões em francês (que não são feitas por Inteligência Artificial) são respeitar a métrica e as dinâmicas vocais, preservar o sentido e deixar a canção soar musical e bonita também na outra língua.
Consigo chegar a um resultado que acho fluido e, de certa forma, poético em francês. Mas muitas músicas eu não consigo traduzir.
E sobre saber se a alma nordestina permanece é algo muito delicado; acredito que somente alguém que esteja conheça profundamente as duas línguas e a cultura nordestina poderia dar sua opinião.
6. Quando você adapta músicas tradicionais para o francês, o que você busca preservar e o que você sente que precisa transformar para que a canção dialogue com o público europeu?
Na Europa, existe uma comunidade de forrozeiros, principalmente pessoas que fazem aulas de dança.
Elas amam muito a dança e a música, mas, na minha opinião, poucas conhecem a cultura do forró.
Quando adapto as músicas, tento transformar o mínimo possível o sentido das palavras e das frases. Meu interesse é trazer aquilo que está dito dentro das canções da forma mais próxima possível da versão original.
Acho interessante que meus conterrâneos que amam dançar forró possam entender um pouco das letras.
As canções contam a história dessa cultura. Elas falam por si só e são riquíssimas.
Não estou adaptando para agradar o público francês, mas para que ele possa ouvir e compreender o que é dito dentro das canções.
7. Como você enxerga o encontro entre a tradição francesa do acordeon e a força rítmica do forró nordestino dentro da sua própria obra?
Me formei musicalmente no forró; quase nunca toquei música francesa. Até chegar ao Brasil, eu arranhava poucas coisas na sanfona.
Mas, mesmo assim, cresci na França até os meus 33 anos e sempre escutei música francesa, inclusive, em relação à música brasileira, conhecia apenas um álbum de João Gilberto com Stan Getz!
E claro, a música que ouvimos desde a infância nos molda, mesmo quando não somos músicos.
Me considero intérprete de músicas tradicionais, e minha « obra » está se construindo através das minhas músicas autorais.
A primeira « Caatinga » é um baião contando detalhes que me deixaram encantada nas minhas viagens pelo Sertão.
A segunda « Forró do Zé Bezerra » é uma homenagem ao Zé Bezerra, repentista, artista e artesão do vale do Catimbau em Pernambuco.
Acredito que essa junção entre minha cultura de origem e a minha cultura adotiva, seja bem perceptível nessas músicas.
Foi uma grande surpresa para mim compor minha primeira canção em português. E quanto à força rítmica do forró, ela é uma escola sem fim, rsrs!
8. Quais artistas brasileiros mais influenciaram sua forma de tocar e interpretar, e o que você aprendeu com cada um deles?
Essa talvez seja a pergunta mais difícil para mim, porque nunca pensei em imitar alguém.
Meu amor pelo forró foi crescendo aos poucos, na convivência com essa cultura, no dia a dia: nas feiras do Vale do Capão, onde vivi alguns anos e onde, todos os domingos, Igor Bastos, luthier, e seus amigos tocavam forró de pífano entre as barracas; com os artistas das localidades por onde passei - Igatu, Andaraí, Mucugê, Ilhéus, Itaúnas e Itacaré, entre tantas outras -; com meus amigos, a multi-instrumentista Cãmiula, de Amargosa e o forrozeiro Natureza de Itapetinga; com Marquinhos Café e Ranier Oliveira, com quem fiz algumas aulas de sanfona; e com Cau e Isa Reis, com quem fiz aulas de canto.
Claro que escuto sempre Marinês, Anastácia, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino… e tantos outros artistas, antigos e atuais.
Mas quem realmente me influenciou, e continua me influenciando, são muitos artistas pouco conhecidos, que muitas vezes têm outra profissão e fazem forró no tempo livre. Foi com esse povo que aprendi e continuo aprendendo. Os forrozeiros anônimos dos quatro cantos do Nordeste são minhas maiores referências.
Mais recentemente, compartilhei momentos maravilhosos com Écore Nascimento de Teresina, Socorro & Mazé, de Taquaritinga do Norte, Mestre Assis Calixto, do Coco Raízes de Arcoverde, e Luiz Fidélis, de Juazeiro do Norte. Eles foram grandes inspirações para mim tanto para compor como para mergulhar mais profundamente ainda na musicalidade nordestina.
9. Quais elementos da música francesa você percebe que continuam presentes no seu estilo, mesmo dentro do forró?
Eu acho que o meu sotaque no canto e talvez o meu ritmo interno, sabe? Nasci na valsa e não no baião!
Minha forma de apertar os botões, a minha pegada… rsrs!!!
10. Em que medida você sente que sua música hoje é um território híbrido, onde Brasil e França não competem, mas se complementam para criar algo novo?
Apresento até agora um repertório tradicional e me sinto totalmente dentro do gênero Forró Pé de Serra. Sou sanfoneira pro povo dançar.
E apesar de ter nascido em outra terra, me vejo como parte de um movimento de preservação dessa tradição musical.
O meu sotaquezinho e as versões que eu canto na minha língua materna trazem um jeitinho diferente.
Tenho a sensção de trazer algum detalhe diferente dentro dum gênero musical amplo e riquíssimo com qual me indentifico profundamente.
Agradeço pelas perguntas.
🎬 O Brilho de Altemar Dutra Jr. no RioMar Recife: Uma Apresentação Inesquecível!
🎤 🌟 O famoso cantor e intérprete Altemar Dutra Jr. desembarcou recentemente no prestigiado RioMar Recife, atraindo a atenção de fãs e curiosos que lotaram os corredores do centro de compras. Trajado com um elegante terno claro, impecavelmente cortado, e sorrindo com simpatia, ele caminhou pelos espaços do shopping cercado por uma equipe de segurança particular. A atmosfera era de pura expectativa e alegria, com dezenas de pessoas registrando cada momento da chegada do artista que marcou gerações com seu talento e carisma inconfundíveis.
🎶 Logo após o trajeto pelos corredores, Altemar Dutra Jr. subiu ao palco preparado especialmente para o evento musical, onde emocionou o público presente com uma performance vibrante e repleta de sentimento. Segurando o microfone com firmeza, ele entoou sucessos clássicos que tocaram o coração dos admiradores, demonstrando toda a sua potência vocal e versatilidade artística. A iluminação especial do espaço destacava a grandiosidade da apresentação, criando um ambiente intimista e festivo que contagiou a todos os presentes do início ao final do show.
📷 Foto: GF Produções
Informações de serviço: Evento realizado no RioMar Recife, localizado na Av. República do Líbano, 251 - Pina, Recife - PE. Apresentação aberta ao público com cobertura de segurança e produção artística especializada.
🌟 Tambores que Cruzam Oceanos no Sukiyaki 2026 🇧🇷🇯🇵
domingo, 26 de julho de 2026
✨ Blog Taís Paranhos: Comunicação com Propósito, Ética e Transparência 🎯📰
#SendoProsperidade com Mariângela Borba
A sabedoria atravessa pontes
"Concede ao teu servo um coração cheio de
discernimento..." (1 Reis 3,5.7-12)
Por Mariângela Borba
Há leituras bíblicas que conhecemos. Outras, porém, nos
encontram exatamente quando mais precisamos delas.
Faço parte da equipe de Liturgia da Igreja de Nossa Senhora
do Livramento dos Homens Pardos, no bairro de Santo Antônio, centro do Recife.
Nesta semana, fui convidada a proclamar, para a assembleia, a Primeira Leitura
do 17º Domingo do Tempo Comum: 1 Reis 3,5.7-12.
Entre os compromissos do dia e as ruas bloqueadas por podas
de árvores no caminho, cheguei à missa quase em cima da hora. Mas deu tudo
certo.
Eu já havia lido aquele texto outras vezes, mas ele nunca me
atravessara daquela maneira. Somente ao proclamá-lo para a assembleia
compreendi que aquelas palavras já não encontravam a mesma mulher.
Na primeira vez em que li esse texto, não tive essa
impressão.
O texto permaneceu.
Quem mudou fui eu.
Salomão poderia ter pedido riqueza. Poderia ter pedido
poder, vida longa ou a derrota de seus inimigos.
Pediu discernimento.
Talvez porque soubesse que existem conquistas que só fazem
sentido quando aprendemos o que fazer com elas.
Enquanto proclamava aquela leitura, lembrei-me da minha mãe.
Graças a Deus, tive uma mulher que me ensinou, sem discursos grandiosos, mas
pela própria vida, que o melhor caminho sempre seria o da sabedoria. Talvez por
isso eu tenha escolhido uma existência diferente, procurando valorizar aquilo
que realmente importa.
Hoje ela já não está fisicamente ao meu lado, mas permanece
viva em cada decisão que tomo.
Algumas presenças não desaparecem.
Transformam-se em direção.
Curiosamente, poucos dias após celebrarmos o Dia Mundial do
Cérebro, li uma reportagem reunindo pesquisas que mostram como a fé pode
modificar a forma como o cérebro responde à dor, fortalecendo a esperança, a
resiliência e até influenciando positivamente indicadores de saúde.
Celebrar o cérebro é importante.
Mas talvez ainda mais importante seja compreender que ele
nunca caminha sozinho.
Porque nós também nunca caminhamos apenas com neurônios.
É justamente aí que, tantas vezes, ciência e espiritualidade
deixam de competir para começar a dialogar.
Também não acredito no extremo oposto.
Não me convence reduzir a religião ao "ópio do
povo", como sugeria Marx, nem transformar a fé na explicação única para
todos os fenômenos da existência.
O ser humano jamais coube em uma única lente.
Talvez por isso me incomode tanto a antiga divisão entre
naturalistas e humanistas. Ainda ouvimos, com certa frequência, a ideia de que
quem pertence às Ciências Humanas "não faz ciência", como se
investigar o cérebro fosse ciência, mas investigar o sofrimento humano não
fosse.
Essa dicotomia empobrece ambos os lados.
Freud era médico.
Jung também.
Nise da Silveira, igualmente médica, revolucionou a
psiquiatria brasileira sem abandonar o rigor científico.
Ao contrário.
Ampliou-o.
Inspirada pelo pensamento junguiano, percebeu que muitos
pacientes conseguiam expressar, por meio da arte, aquilo que jamais
conseguiriam colocar em palavras. As mandalas produzidas espontaneamente por
seus internos não eram simples desenhos; eram tentativas da própria psique de
reorganizar-se.
Quando a palavra falha, o símbolo fala.
Quando a razão se esgota, a arte continua.
Quando a dor silencia, a fé, muitas vezes, permanece.
Esses grandes pensadores atravessaram uma ponte.
Não abandonaram a ciência.
Ampliaram-na.
Compreenderam que cérebro, mente, cultura, símbolos,
espiritualidade e relações humanas não competem entre si.
Formam uma rede de saberes que se entrelaçam na tentativa de
compreender aquilo que nenhum deles, isoladamente, consegue explicar.
Ferenczi compreendia que o sofrimento humano torna-se mais
suportável quando encontra um ambiente capaz de acolhê-lo. Talvez a fé também
funcione, muitas vezes, como esse lugar interno de acolhimento. Ela não elimina
a dor, mas impede que ela ocupe todo o espaço da existência.
Já Contardo Calligaris observava que vivemos numa época
profundamente contraditória. Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo,
tão distantes. Buscamos transcendência, mas frequentemente produzimos relações
superficiais, imediatistas e frágeis.
Talvez por isso a oração de Salomão continue tão atual.
Enquanto insistimos em pedir resultados, ele pediu
discernimento.
É isso que eu também peço.
Enquanto desejamos que toda dor desapareça, talvez o
primeiro passo seja aprender a atribuir-lhe sentido.
Hoje percebo que Deus não respondeu ao pedido de Salomão com
uma moeda.
Respondeu com uma bússola.
Talvez seja essa a verdadeira prosperidade: desenvolver
sabedoria suficiente para integrar aquilo que insistimos em separar.
Porque o ser humano é cérebro.
É corpo.
É símbolo.
É arte.
É afeto.
É cultura.
É transcendência.
Hoje continuo desejando o pão — e com razão.
Mas compreendi que, sem uma bússola, até quem encontra o pão
pode acabar se perdendo.
Talvez Salomão nunca tenha pedido menos do que imaginávamos.
Ao pedir discernimento, pediu exatamente aquilo que permite
encontrar o pão sem perder o caminho.
E talvez a verdadeira prosperidade comece exatamente aí.
Mariângela Borba é jornalista (DRT-PE 4095),
especialista em Cultura Pernambucana, produtora cultural, pesquisadora da
palavra como território de poder e autora da coluna #SendoProsperidade. 🌻



