domingo, 24 de maio de 2026

#SendoProsperidade com Mariângela Borba

ENTRE O DESEJO E O DESGASTE: repetição de padrões, falso self e a superficialidade afetiva contemporânea

Por Mariângela Borba

Vivemos uma época emocionalmente contraditória.
Nunca se falou tanto sobre saúde mental, autocuidado, amor-próprio e conexões humanas. Ao mesmo tempo, talvez nunca tantas pessoas tenham experimentado relações tão frágeis, ambíguas e emocionalmente desgastantes.

Existe hoje um cansaço subjetivo que não nasce apenas do excesso de trabalho ou das pressões econômicas. Muitas vezes, ele surge da necessidade contínua de administrar afetos em um mundo onde quase tudo se tornou performático — inclusive os vínculos.
As pessoas conversam o tempo inteiro.

Trocam mensagens.

Compartilham rotina.

Reagem a histórias.

Mantêm contato constante.

Mas raramente descansam emocionalmente umas nas outras.

A contemporaneidade criou relações marcadas por:
• excesso de estímulo;
• pouca profundidade;
• validação intermitente;
• disponibilidade virtual;
• indisponibilidade afetiva.

O resultado é uma geração emocionalmente cansada.

Freud e o custo psíquico da adaptação
Sigmund Freud observava que viver em sociedade exige renúncias constantes. Para que a civilização exista, o sujeito precisa conter impulsos, regular comportamentos e adaptar desejos.

O problema é que, em algum momento, a adaptação deixou de ser apenas mecanismo de convivência e passou a se tornar identidade.

Muitas pessoas já não sabem existir fora dos papéis que sustentam socialmente.

Aprendem desde cedo a:
• parecer fortes;
• controlar emoções;
• administrar imagem;
• evitar vulnerabilidades;
• funcionar o tempo inteiro.

Criam versões emocionalmente eficientes de si mesmas.

Mas internamente convivem com:
• ansiedade;
• sensação de vazio;
• necessidade constante de validação;
• medo de rejeição;
• dificuldade de intimidade real.

A exaustão contemporânea nasce também daí: do excesso de personagens e da escassez de espontaneidade.

Winnicott e o falso self
Talvez Donald Winnicott tenha sido um dos psicanalistas que melhor compreenderam esse sofrimento silencioso.
Winnicott falava sobre o “falso self”, uma estrutura criada quando a criança percebe muito cedo que precisa se adaptar emocionalmente para preservar o vínculo com o ambiente.

O falso self não é mentira.
É sobrevivência.

A criança aprende:
• a observar excessivamente;
• a sentir o humor do ambiente;
• a não incomodar;
• a cuidar emocionalmente dos outros;
• a amadurecer cedo demais.

Em muitos casos, deixa parcialmente o lugar de filha e passa a ocupar funções emocionais adultas:

• escuta dores;
• sustenta crises;
• tenta compreender o sofrimento parental;
• torna-se companhia psíquica de adultos emocionalmente feridos.

O problema é que essa criança cresce.

E o adulto continua funcionando no mundo a partir da vigilância emocional.

Ama observando.

Relaciona-se interpretando.

Permanece tentando compreender antes mesmo de sentir.

Passa a vida:
• sustentando relações;
• esperando respostas;
• decifrando silêncios;
• antecipando rejeições;
• tentando manter vínculos seguros.
Mesmo às custas de si.

Lacan e a armadilha do “quase”
Jacques Lacan aprofundaria ainda mais essa discussão ao afirmar que o desejo humano nasce da falta.
Desejamos aquilo que não se completa inteiramente.
Aquilo que permanece em suspensão.

Talvez por isso relações ambíguas se tornem tão intensas.

Existe sempre algo faltando:
• uma definição;
• uma resposta;
• uma presença inteira;
• uma entrega explícita.

O vínculo nunca desaparece completamente.
Mas também nunca se estabiliza.

O sujeito permanece tentando compreender:
• o silêncio;
• os retornos;
• os afastamentos;
• as pequenas validações;
• os sinais contraditórios.

É o território emocional do “quase”.
Quase íntimo.
Quase resolvido.
Quase amor.

E justamente por nunca terminar completamente, continua vivo no psiquismo.

A repetição de padrões emocionais
Talvez a grande questão da vida adulta seja esta:
as pessoas não escolhem apenas parceiros.
Escolhem cenários emocionais familiares ao inconsciente.

Quem cresceu precisando:
• observar;
• adaptar-se;
• sustentar emocionalmente;
• esperar reconhecimento;
• interpretar comportamentos…
frequentemente se sente atraído por relações que reproduzem exatamente essa dinâmica.

Não porque goste de sofrer.

Mas porque o conhecido produz sensação inconsciente de pertencimento.

Assim surgem relações:
• profundas;
• intelectualmente estimulantes;
• emocionalmente intensas;
• mas frequentemente irresolutivas.

O sujeito continua tentando finalmente resolver, no presente, dores emocionais muito mais antigas.

O ego social e os vínculos contemporâneos

A superficialidade afetiva contemporânea não significa ausência de contato.

Significa ausência de sustentação emocional verdadeira.
As relações passaram a funcionar também sob lógica narcísica:

• validação;
• desejabilidade;
• performance;
• imagem;
• administração de presença.

As pessoas expõem muito.

Mas revelam pouco.

Conversam muito.

Mas sustentam pouco.

Por isso tantas relações se transformam em espaços de hiperinterpretação psíquica.

O sujeito nunca relaxa completamente.

Está sempre:
• esperando retorno;
• tentando compreender;
• medindo ausências;
• avaliando sinais;
• sustentando ansiedade relacional.

É uma espécie de plantão emocional invisível.

O desgaste psicossocial das relações ambíguas
Hoje já se reconhece a importância dos riscos psicossociais no trabalho, na saúde mental e nas relações humanas.

Mas talvez ainda se fale pouco sobre o quanto vínculos afetivos instáveis também produzem:
• desgaste cognitivo;
• hiperatenção;
• ansiedade;
• sensação contínua de suspensão emocional.

Algumas relações oferecem:
• fascínio;
• conexão intelectual;
• reconhecimento;
• intensidade;
• sensação de segurança momentânea.

Mas também produzem:
• exaustão;
• ambiguidade;
• perda de espontaneidade;
• vigilância emocional constante.

E nenhuma profundidade deveria exigir desgaste permanente.

O direito de descansar emocionalmente

Talvez a maturidade afetiva comece quando o sujeito deixa de perguntar apenas:
“o que o outro sente por mim?”
E passa a perguntar:
“quem eu me torno dentro dessa dinâmica?”
Porque algumas relações não machucam apenas pela ausência.

Machucam pela impossibilidade de descanso emocional.

A verdadeira prosperidade afetiva talvez esteja justamente na possibilidade de:
• existir sem performance constante;
• amar sem hiperatenção;
• permanecer sem autoabandono;
• sentir sem precisar decifrar tudo;
• construir intimidade sem vigilância contínua.

No fundo, talvez o maior desejo humano não seja apenas ser amado.

Mas encontrar um espaço emocional onde finalmente seja possível repousar sem medo.

*Mariângela Borba é jornalista, produtora cultural e estrategista digital. Especialista em Cultura Pernambucana, atua na interseção entre comunicação, cultura e política. Com passagem pelo Ministério da Cultura e gestões públicas, integra a AIP e a UBE. Pesquisa a palavra como território de poder e estuda Psicanálise.


🎤 Fábio Stella: Uma voz repleta de alma que abre o coração para o Blog Taís Paranhos

 


🎤 O encontro que deu vida a esta entrevista exclusiva começou no ambiente digital do Instagram, onde a reportagem localizou o cantor Fábio Stella. A ponte crucial para que este diálogo acontecesse foi estendida por Samir Solon, sobrinho e produtor do artista, que intermediou o contato com sensibilidade profissional. Para a jornalista, o momento carregou uma forte carga emocional, relembrando os tempos de infância em que ouvia a faixa "Até Parece que foi Sonho" em uma icônica coletânea em vinil da gravadora EMI-Odeon. Hoje, aquela menina consolidou-se como repórter frente a frente com o ídolo, que atualmente vive na Bahia ao lado da esposa, Popó Muniz, sua companheira de jornada há mais de 30 anos. “Um anjo que fez a diferença na minha vida”, afirma.

🎶 Paraguaio de Horqueta, uma cidade de 69 mil habitantes, o músico nasceu Juan Senon Rolón em 9 de fevereiro de 1946. O pequeno Juan, apelidado na família como Toto, cresceu imerso nas polcas e guarañas regionais, sofrendo também forte influência da cultura argentina. Na adolescência, integrou o Trio Los Mensú, um grupo lendário dedicado ao folclore latino-americano, especialmente aos ritmos litorâneos e guaranis. O nome homenageia os mensú, trabalhadores rurais dos ervais na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. O trio ganhou notoriedade ao interpretar clássicos da cultura regional, com Fábio — já conhecido como Juancito — assumindo a voz principal.

🎙️ Já em carreira solo, Juancito participou do programa Alegria dos Bairros, da Rádio Record de São Paulo. Paralelamente, iniciou sua trajetória cantando na noite paulistana, consolidando sua presença artística. Sua marcante trajetória em terras brasileiras teve início como compositor da melodia "Socorro Nosso Amor Está Morrendo", que estourou na voz do ídolo Wanderley Cardoso. Empolgado com o rumo dos acontecimentos, o jovem mudou-se definitivamente para o Brasil em 1966.

A grande virada artística ocorreu no ano seguinte, quando o polêmico produtor Carlos Imperial o convenceu a adotar em definitivo o nome Fábio. E o que o convenceu de vez foi um colega da noite paulistana cujo nome artístico era Fábio Marcelo, e Juancito gostava demais desse nome. Uma década depois, o Fábio Marcelo faria muito sucesso já com seu nome: Herondy! Sim, o esposo da Jane e o casal até hoje é conhecido pela canção “Não se Vá”. Em relação a como ser chamado, Fábio é taxativo: “O Toto, o Juancito e o Fábio são a mesma pessoa”, conclui. Sem falar as alcunhas de "Fabiano" e "Paraguaio".

📢 Foi nessa mesma época que o cantor conheceu Tim Maia, recém-chegado dos Estados Unidos, que lhe apresentou as texturas e o balanço da soul music. Fascinado ao ouvir o "Síndico" cantar "Wonderful World", de Sam Cooke, Fábio afastou-se do iê-iê-iê e das baladinhas da Jovem Guarda, para criar, junto a Imperial e à banda The Fevers, o compacto psicodélico "Lindo Sonho Delirante" (LSD) em 1968, que trazia a faixa "Reloginho" no lado B. Nessa época, ele já estava no Rio, morando na famosa pensão Solar da Fossa, onde conheceu nomes como Caetano Veloso e Gal Costa – ainda conhecida como Gracinha.

🕺 Em 1969, o artista atingiu o topo absoluto das paradas nacionais com a balada romântica "Stella", composta em parceria com Paulo Imperial e gravada nos estúdios Havaí, no Rio de Janeiro com efeitos inovadores de eco criados pelo técnico Mazzola. Esse domínio técnico abriu portas para que Fábio criasse as históricas vinhetas plásticas da Rádio Globo do Rio de Janeiro, imortalizando o nome da emissora precedido de um assovio, além dos tradicionais bordões dos grandes times de futebol (inclusive os times pernambucanos) que ecoaram na programação por mais de 40 anos. Mais tarde, na era Disco, o diretor Roberto Talma o impulsionou a gravar "Venha", com letra de Paulo Sérgio Valle, estourando na trilha da novela "Pecado Rasgado".

🎙️ Fábio lançou, em março de 2007, o livro “Até Parece Que Foi Sonho - Meus 30 Anos de Amizade e Trabalho com Tim Maia”, escrito em parceria com o escritor baiano Achel Tinoco. Seu segundo livro é a biografia “As Aventuras de Um Certo Capitão Blue”, também desenvolvida ao lado de Tinoco. A nova obra já está pronta, consolidando mais uma colaboração entre os dois autores. Neste momento, a dupla segue batalhando para viabilizar a publicação do livro e levá-lo ao público. Trata-se de um projeto que dá continuidade à trajetória literária de Fábio Stella e reforça sua conexão com a memória, a cultura e a narrativa biográfica.

🏖️ Ao longo de seis décadas de música, Fábio acumulou 23 discos gravados e prêmios de grande relevância, dividindo os palcos e os bastidores com o irmão de vida Tim Maia. No final dos anos 80, enfrentando severos problemas com o alcoolismo, o cantor encontrou a salvação nos braços de Popó Muniz, filha do "Rei do Cacau", Edício Muniz, e que recebeu muitas pessoas famosas em sua casa, na Bahia, entre elas o Rei Pelé e músicos do Brasil e do Mundo.  Ela o levou para o refúgio baiano da Pedra do Sal, em Itapuã. Uma prova de que a boa música, o companheirismo e o amor verdadeiro são para sempre. Hoje, aos 80 anos e celebrando a plenitude de sua saúde física, mental e espiritual, o eterno paraguaio de alma brasileira consolidou-se como um ícone cult da nossa música popular.

📢 E com bastante eco e voz na alma.

📸 Fotos: Arquivo Pessoal

🎤 Eu adianto pra vocês que eu me emocionei muito ao pesquisar, ao ouvir os áudios que ele mandou e ao editar os textos. O Fábio é muito mais do que “o amigo do Tim Maia”. É um artista completo, um letrista sensível, e acima de tudo, uma voz carregada de alma. Não só quando canta, mas também quando fala.

Vamos agora acompanhar a entrevista?


Você nasceu no Paraguai, em Horqueta, e veio muito jovem para o Brasil. De que forma suas origens paraguaias influenciaram sua formação musical e sua sensibilidade artística?

Sim, nasci no Paraguai. Em Horqueta, uma cidade ao norte do Paraguai, uma pequena cidade, que na época tinha 50 mil habitantes (Nota do Blog: atualmente, Horqueta tem 69 mil moradores). Claro, isso influenciou muito. Porque o Paraguai é um país muito musical, né? Muito musical.

Folclore, né? Aquele folclore paraguaio. As guarañas, as polcas, e nasci no meio daquilo, cara. A minha família grande, os meus pais...  No meio disso tudo, minhas tias viviam cantando... Tia Kimmy, Tia Tota... Lembro muito delas, cantando muito e eu estava sempre com elas porque fui o primeiro filho da prole. Minha mãe teve sete filhos e eu fui o primeiro.

Primeiro filho, menino, no Paraguai até hoje um filho homem é muito cultuado. Enfim, fui muito mimado por minhas tias. Elas viviam cantando e eu sempre atrás delas, que tinham revistinhas de músicas e a partir disso, eu acho, fiquei muito ligado à música e isso foi muito importante para minha formação musical.

Eu ouvia muito música folclórica através delas, e conheci artistas como Luiz Alberto del Paraná, Lúcio Batica, cantores da época, e que tinham muita influência da Argentina. Até hoje, essa região no Paraguai tem muita influência musical também dos lados de lá, da Argentina. Começou assim. Ponto.


Fábio conta de suas origens neste vídeo da TV Cultura e
do Trio Los Mensú, quando ainda era conhecido como Juancito

“Lindo Sonho Delirante”
se tornou um clássico cult no Brasil e no exterior. Como você enxerga o impacto dessa gravação tantos anos depois?

Lindo Sonho Delirante... Pois é, eu não tive a mínima ideia do que aconteceria com essa música, entendeu? Eu jamais imaginaria o que aconteceria com ela. Até o dia que eu recebi um telefonema de Nova York de um brasileiro que tem uma loja de vinil lá na Rua 42.

Naquela ocasião, alguns anos atrás, eu ainda estava pelo Rio e recebo o telefonema e ouvi: “Eu tenho uma loja de vinil aqui em Nova York na Rua 42. Acabou de sair daqui. Vendi o seu compacto ‘Lindo sonho delirante’. Para aquele galã do Senhor dos Anéis, pagou mil dólares e saiu pulando de alegria”. (Nota do Blog: o ator britânico Orlando Bloom – o galã da saga O Senhor dos Anéis - admira a Música Popular Brasileira e já até participou de rodas de samba no Rio de Janeiro)

A partir daí eu falei, nossa, que loucura! Aquilo marcou muito para mim.

Outra história. Meu irmão já me dizia: “Olha, meu irmão, essa música ainda vai lhe dar uma casa. É sério”. Eu não dei tanta importância quando eu gravei. Estava mais preocupado em fazer parte... Em entrar na onda. Naquela época, a Jovem Guarda estava no final e aí entrei com essa música, meio diferente.
(Nota do Blog: o grupo que o acompanhou na canção Lindo Sonho Delirante foi o The Fevers)

A minha ideia era mais para o lado soul music, já na época. Só que o meu produtor, Carlos Imperial, pendeu para essa onda de rock, mais para o lado rock'n'roll, entendeu? E assim foi. Para mim, foi uma surpresa agradabilíssima. Ponto.



Você viveu a transição da Jovem Guarda para a psicodelia. O que te motivou a experimentar aquele som tão ousado no fim dos anos 60?

Ah, eu vivi muito a transição da Jovem Guarda para a psicodelia...

Quando, naquela ocasião, pela primeira vez, eu tinha visto aquele jovem, com os cabelos encaracolados, uma imagem incrível, fantástica, chamado Caetano Veloso, cantando, caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento. Eu achei incrível aquilo lá.

E, por uma coincidência, eu fui morar no mesmo lugar por onde eles passaram, na época, no Rio de Janeiro, num lugar chamado Solar da Fossa, onde hoje o Rio de Janeiro... onde fica hoje em dia o Riocentro, um prédio enorme que tem hoje em dia, perto do antigo Canecão, na rua Lauro Müller (Nota do Blog: O Solar da Fossa era uma pensão onde moraram nomes da MPB e funcionou até 1971. O casarão foi demolido em 1972, e hoje o local abriga um shopping center)

Então, eu fui morar naquele lugar. E por lá passaram os baianos. Caetano, Gil, Gracinha. Eu cheguei a conhecer a Gracinha, ela ainda não era a Gal Costa. Era a Gracinha. Ela ainda morava no Solar, quando eu cheguei no Solar, lá pelos caminhados de 60, entendeu?

Pra mim foi uma mudança maravilhosa, incrível! Misturar uma banda de rock, na época foi o Caetano cantando com aquela banda de rock dos argentinos, não sei o nome... (Nota do Blog: A banda citada pelo Fábio é os Beat Boys. Eles ficaram conhecidos por acompanhar Caetano na apresentação da canção "Alegria, Alegria" no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1967).

Isso tudo foi maravilhoso, maravilhoso... E eu aí, né, com o meu Lindo Sonho Delirante, e assim tudo aconteceu. Foi maravilhoso!


“Stella” é uma das suas músicas mais marcantes. Como essa canção nasceu e o que ela representa na sua trajetória?

Stella...

Pois é, aí passou a onda do Lindo Sonho Delirante, que o meu produtor Carlos Imperial achava que abordando esse lado, mexendo com essa onda de psicodélica e citando esse... Essa droga até hoje que incomoda o mundo, né? Se fosse hoje em dia, talvez eu não gravasse, porque era uma apologia ao uso desse poderoso psicodélico. Eu não gravaria, entendeu? Mas ele achou que eu mexendo com isso, as autoridades na época se incomodariam e mexeriam comigo, né? Porque já na época os baianos já estavam o André preso, os baianos já tinham sido deportados e tal. Só que eu passei batido, os milicos nem ligaram pra mim, pra minha sorte, né?

(Nota do Blog: o Brasil estava na fase mais dura dos Governos Militares - 1964-1985 - na época conhecida como “Anos de Chumbo”, entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, com censura prévia, prisões, desaparecimentos e exílio de centenas de brasileiros e as pessoas citadas por Fábio são o cineasta André Luiz Oliveira, que estava preso, além dos cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil, que foram presos e exilados, só voltando ao Brasil em 1972).

Pois bem, então aí eu fui gravar o meu segundo... no meu contrato cabiam duas músicas, Lindo Sonho Delirante, que chegou a tocar pelas rádios, eu cantei em vários lugares, vendeu 15 mil compactos naquela ocasião, me lembro que eu recebi um valor sobre 15 mil compactos, fiquei todo feliz... 15 mil!

Aí o meu produtor Romeo Nunes, já falecido, era um delegado de polícia que tinha medo de ladrão, me chama e fala assim: "Fábio, você tem direito a gravar mais uma música. Você tem música nova?"

"Tenho."

"Mostra aí."

Aí eu tinha feito essa canção inspirada num fim de um romance que eu tive com uma jovem cantora na época, muito linda, chamada Marisa Rossi, uma cantora maravilhosa da época, tá viva até hoje, graças a Deus.

E aí mostrei para ele, aliás, a canção era pra se chamar Marisa mas o meu parceiro Paulo Imperial mudou para Stella porque ele falou para mim: "Pô, Marisa te deu um pé na bunda, você vai fazer música pra ela? Vamos fazer pra Stella!",

A Stella era uma moça dele, estudava na PUC no Rio de Janeiro, que era a moça mais linda da sala, Stella. Eu só a vi uma vez num sinal de trânsito no Rio de Janeiro, de relance assim, rapidamente, nunca mais eu a vi.

Aí “Stella em que estrela você se escondeu”... Fomos para o Estúdio Havaí no Rio de Janeiro, de quatro canais, os arranjos foram feitos pelo Maestro Paschoalzinho, gravamos lá a base, com a ajuda de um técnico chamado Mazzola na época, muito esperto, e meu produtor falou assim: "Os homens chegaram à lua", meu produtor Romeo Nunes falou assim: "Eu quero um som espacial com eco e tal", não tinha câmara de eco na época ainda. (Nota do Blog: a canção Stella foi gravada no ano de 1969, o mesmo ano da chegada do homem à Lua)

Ele foi, fez uma firula lá, não sei como é que ele fez, fez aquele efeito “Stella.. lá lá lá lá” e aí surgiu Stella com eco. Saiu em poucas semanas. Aí eu virei sucesso nacional!

O sucesso é maravilhoso, né? Só que é efêmero, efêmero...


Foi daí que surgiram as famosas vinhetas com eco, da Rádio Globo?

Então, a Rádio Globo na época, meu produtor tinha exclusividade para a Rádio Tamoio, que era a rádio que bombava no Rio de Janeiro na época. O diretor da Rádio Globo, Mário Luiz, já falecido, muito vaidoso, falou assim: "Ah não vou tocar essa música aqui na minha rádio, não!". Mas a Rádio Globo já estava começando a mandar no Brasil. E aí fui lá falar com ele, falei: "Poxa Mário", aí ele para não perder a pose, a vaidade né, falou assim: "Então você vai gravar para mim aqui no estúdio da Rádio Globo, sua voz com os quatro times da época com o Formiga, o técnico". Aí fui lá, gravamos. "Aí vou liberar você para sua música entrar na programação da Rádio Globo". Legal, fui lá gravei, a música entrou na Rádio Globo e aí ganhou o Brasil inteiro e em poucas semanas eu estava entre os primeiros cinco mais tocados e executados no Brasil!

Fábio também gravou os times pernambucanos (aqui no vídeo só tem o Santa Cruz)
porque aqui no Recife também tinha a Rádio Globo 580 KHz

No fim dos anos 70, você incorporou elementos da disco music. “Venha Logo” entrou na trilha da novela Pecado Rasgado. Como essa música chegou à TV e qual foi o impacto disso na sua carreira?

Sim, depois dessa fase, veio a fase Disco Music.

Eu tive uma fase meio... Fiquei meio paradão por ali e tal...

Então meu amigo Roberto Talma, grande Talma, já falecido, foi diretor do Fantástico por muitos anos, na Globo. Ele me chamou lá no escritório dele, no Rio de Janeiro, e falou assim:

"O que houve? Tá paradão, cara, o que houve?"
“Ah, cara, tô meio...”

Caí um pouco, não sei... O sucesso traz esse lado, né? Fiquei meio deprê, né? Emocionalmente fiquei meio baleado.

Aí ele falou: "Você tem música nova?"
Eu ainda tinha essa melodia: "Vai nascer... um amor eterno nesta noite", mas não tinha letra ainda.

Mostrei a melodia pra ele. Ele era um cara musical, né?
Falou: "Pô, essa música é boa, cara."

Tava na onda John Travolta no mundo, o mundo tava John Travolta, Saturday Night Fever e tal...

"Pô, como eu faço essa música?"

Então o Talma chamou Paulo Sérgio Valle, ele escreveu a letra e gravamos nessa onda disco music, que o pessoal chamava de "bate-estaca" na época, né? Era meio discriminada essa onda.

Aí eu gravo, a música sai, entra pra novela Pecado Rasgado e me traz de volta pras paradas de sucesso, entendeu?

Aí, de novo, aquela onda toda: viagem de avião, hotéis, assédio, aquilo lá, que eu já sabia de cor. Foi legal, foi legal... Até que uns caras aí ficaram... Sabe como é que é no Brasil, né? O sucesso é pecado mortal, como dizia o grande Tom Jobim.

Mas, agora eu não tô nem aí.



Sua amizade com Tim Maia atravessou décadas. Qual lembrança musical mais forte você guarda dessa convivência?

Bom, já a história está aí, né?

Nós nos conhecemos lá, meados de 70, lá em São Paulo. Ele tinha ficado nos Estados Unidos, passou para o Rio de Janeiro e acabou indo lá para São Paulo, atrás do Roberto, do Erasmo, que estávamos no auge de sucesso.

E aí nos conhecemos lá. E aí surgiu essa amizade e acabou virando, né, nos chamaram para gravar. Ah, depois do “Venha”, né? Nos chamaram para gravar junto a música Até parece que foi sonho. O Fábio, o Tim Maia, a letra do Paulo Sérgio Valle, de novo, a música sai, bombou, né? Imediatamente já caiu na graça do povo, muito popular a música. Foi um grande êxito. Nós só perdemos para Não Chore Mais, do Gilberto Gil. Ele em primeiro lugar, nós fomos para segundo e assim foi a história.

O que mais ficou marcado para mim no final com ele foi o seguinte. Quando já fui me despedir dele, isso aparece no filme. Fui me despedir dele para ir embora para Bahia. Quando conheci minha companheira, Popó Muniz, que me trouxe para a Bahia, no final dos anos 1980, fui me despedir dele, sentei lá e falei que estava indo para a minha vida. Aí ele ficou muito chateado. “Pô, você vai me abandonar, cara? Pessoa que eu gosto, sempre me abandona” e por aí vai...

Mas eu tive que vir embora.

O que mais me chamou a atenção foi que, tempo depois, quando ele já estava indo embora para outro planeta, encontrou uma mulher que ficou com ele até o final. Perguntei a ela, vem cá, em algum momento o Tim lembrou de mim? E ela falou pra mim: “Fábio, ele já estava todo entubado. Ele me chamou, abaixa aí, abaixa aí. Falou pra mim, ‘precisamos ajudar o Fábio’.

Foi o que mais me tocou.



No filme “Tim Maia”, você foi interpretado pelo Cauã Reymond. Como foi ver sua história retratada no cinema?

A sabedoria do Cauã Reymond, eu achei interessante, né? Claro que eu fiquei feliz, me senti honrado, né, ser interpretado por um ator famoso. Imagina, naqueles tempos, ele já estava bombando no Brasil, até hoje é conhecido, mas já em 2014 já era o auge dele. Todo mundo gostou muito, parabéns pra nós!

Entre suas várias fases — psicodélica, soul, romântica, disco e rádio — qual você acredita que ainda merece ser revisitada pelo público?

Agora eu me tornei cult, né? Interessante... Quando anos atrás o Carlos Imperial me disse que ele era cult, eu não entendia muito. O que é que é cult? Isso é cult? O que quer dizer que isso é cult? Mas hoje em dia eu entendo. Cult é cultuado, né? É uma maravilha. Afinal de contas é um legado de 60 anos de história, né? Porque o homem é a sua história. Como já dizia o saudoso, grande Leonel Brizola, "O homem é a sua história".

E é isso aí. Agora com meus 80, né? Agora estou aqui curtindo esse lado do cult, com saúde física, espiritual e mental.

Não posso deixar de falar na minha companheira Popó Muniz, que me trouxe para cá, para esses lugares maravilhosos, que é onde nós moramos aqui na Pedra do Sal. Eu estava já no final dos anos 80. 88, por aí. Eu estava numa situação delicada no Rio de Janeiro. Fazendo... Trabalhando pro Tim Maia, entendeu? Ele estava nos Píncaros da Glória. Puxando o fio pra ele. E numa ocasião a Popó me viu. Num show que eu fui com o Tim, pra dar uma força pra ele, como eu sempre fazia. O microfone caiu. E não tinha ninguém pra pegar, nenhum roadie pra botar o microfone no lugar. E eu fui me arrastando pelo chão pra botar o microfone no lugar.

E ela assistiu aquela cena.

Quando acabou o show ela falou, “Fábio, você não pode mais. Você é o Fábio, cara. Você não pode ficar puxando o fio pro Tim Maia nessa altura do campeonato”.

Eu estava muito mal naquela época. Então ela me trouxe pra Bahia... Ela falou, “vamos comigo pra Bahia. Você vai lá comigo. Eu tenho uma casa lá. Na beira da praia”.

Enfim. Viemos pra cá. Falei, tá bom. Se eu gostar, eu fico. Se não gostar, eu volto pro Rio. Ah, eu volto. “Eu pago a sua passagem, você volta”.

Foi assim. No final dos anos 80 eu cheguei aqui. Estou até hoje por aqui. Foi ela que me salvou daquela situação. E ela me deu essa estrutura pra poder estar agora, graças a Deus, numa situação bem privilegiada, graças a Deus. Graças à minha companheira de uma vida inteira, a Popó Muniz.

Conheci uma pessoa assim. Devo muito a ela. Não posso jamais deixar de estar com ela, estou com ela há três décadas, entendeu? Você sabe que paixão dura um ano no máximo, já o amor é para sempre. É isso aí.



Ei! Antes de acabar tem uma história bem engraçada no vídeo a seguir:
No programa do Carlos Imperial, na TV Tupi, era um programa em homenagem
ao grupo A Patotinha (em primeira formação pelas minhas queridas
Mônica Toniolo, Márcia Jardim, Kátia Romão e Cecília Salazar, ainda crianças),
Fábio tenta cantar a música Venha, mas as meninas do auditório correm
pra agarrar e beijar o Fábio. Imperial precisou chamar os comerciais...

Vejam a confusão:


🪗 O Caminho do Forró: Flávio Leandro Roda o Nordeste com Agenda Intensa e Equipe Afiada


🎵 A temporada junina de 2026 promete ser uma das mais vibrantes da carreira de Flávio Leandro, que embarca em uma maratona de shows por cidades emblemáticas do Nordeste e Sudeste. A agenda, que começa em 22 de junho, percorre Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Espírito Santo, consolidando o artista como um dos grandes porta-vozes do forró contemporâneo. Cada apresentação reforça sua poesia sertaneja, sua presença marcante e o vínculo afetivo com o público. O giro junino se transforma em celebração, tradição e reencontro. Turnê junina

🌾 Entre os destaques do roteiro estão cidades como Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Cachoeira, Arcoverde e Bezerros, esta última com o tradicional palco da Serra Negra. A intensidade da agenda revela o tamanho da demanda pelo artista, que chega a realizar múltiplos shows no mesmo dia. O mês de julho mantém o ritmo acelerado, com apresentações em Pintadas, Souza, Pilões, Iaçu, Emas, São José do Egito, Amparo e Itaúnas. O encerramento acontece em Serrita, berço da Missa do Vaqueiro. Cultura nordestina

🎤 Para sustentar essa maratona, Flávio conta com uma equipe de palco que é puro talento e sintonia. Nos vocais, Cissa Leandro, Letícia Oliveira e Babi Castro reforçam a harmonia e ampliam a emoção das interpretações. A sanfona de Genivaldo Cedro, a zabumba de Juninho Bodocó e a bateria de Eduardo Franco formam a espinha dorsal rítmica do show. A guitarra e o violão de Carlinho Agra, somados ao contrabaixo de Javadad, completam a base instrumental com força e elegância. Equipe musical

🎺 Os metais dão brilho especial às apresentações, com Vertinho Góes no trompete, Galindo Sax no sax e flauta, e Roberto Souza no trombone. São eles que criam momentos de explosão sonora, elevando o clima festivo e conduzindo o público a uma experiência ainda mais intensa. Fora dos holofotes, mas essenciais, estão os profissionais de produção: Drica Adriana, Clécio Dragão Mix, Fabilson Leandro, Jairton Moura e Delmiro Caracas, além de Paulinho Lopes nos monitores, Edney (EDS Produções) no P.A. e Pedro Perazzo nas mídias sociais. Bastidores de shows

🌟 A união entre agenda robusta e equipe altamente qualificada transforma cada show em uma entrega completa, onde técnica, emoção e tradição caminham juntas. Flávio Leandro reafirma seu lugar como um dos grandes nomes do forró, levando poesia, identidade e celebração por onde passa. O São João 2026 se desenha como um dos mais marcantes de sua trajetória, com público fiel e novos admiradores se juntando à festa. Forró contemporâneo

SERVIÇO – TURNÊ SÃO JOÃO 2026 – FLÁVIO LEANDRO

JUNHO  
22 – Conceição do Almeida (BA)  
23 – Amargosa (BA)  
24 – Santo Antônio de Jesus (BA) / Cachoeira (BA) / Tancredo Neves (BA)  
25 – Boquira (BA)  
26 – Ubaí (BA)  
27 – Arcoverde (PE)  
28 – Bezerros – Serra Negra (PE)  
29 – Itapetim (PE)  
30 – Jardim do Seridó (RN)

JULHO  
04 – Pintadas (BA)  
06 – Souza (PB) – evento privado  
10 – Pilões (PB)  
17 – Iaçu (BA)  
18 – Emas (PB) / São José do Egito (PE)  
23 – Amparo (PB) / Itaúnas (ES)  
25 – Mãe D’Água (PB)  
26 – Serrita (PE)

📀 Voz que atravessa gerações: Fábio Stella celebra seis décadas de música em São Paulo 🎶



🎤  Com cerca de 60 anos dedicados à música, Fábio Stella segue como um dos nomes mais ativos e inquietos da cena artística brasileira. Sua voz marcante, sua presença de palco e sua capacidade de se reinventar fazem dele um artista que não apenas atravessou o tempo, mas que continua dialogando com novas gerações. Aos 80 anos, Fábio Stella mantém uma agenda cheia, coleciona shows e projetos e reafirma diariamente que a arte é seu combustível vital.

🎶 Em junho de 2026, o artista retorna ao Centro Cultural São Paulo para dois momentos especiais: a audição comentada de seu disco LSD: Voz, Memória e Criação e o show Fábio Stella – Voz e Alma. Os eventos celebram não apenas sua obra, mas também sua trajetória marcada por experimentações, parcerias e uma entrega emocional que sempre foi sua assinatura artística.

✨ E ainda hoje, o Blog publica uma conversa inédita e emocionante, onde Fábio abre o coração em uma entrevista exclusiva ao Blog Taís Paranhos. Ele revisita memórias, comenta suas músicas mais marcantes e compartilha reflexões sobre envelhecer no palco, criar com liberdade e manter viva a chama da arte. Um encontro imperdível para quem admira sua história e para quem deseja compreender a profundidade de sua obra.

🎧  A audição do disco promete revelar nuances de seu processo criativo, enquanto o show deve reafirmar a força de sua performance ao vivo. Fábio Stella demonstra que longevidade artística não é apenas permanecer, mas continuar produzindo com intensidade, sensibilidade e verdade. Sua presença no CCSP reforça o valor de artistas que constroem pontes entre passado, presente e futuro.

🌟  Em tempos de mudanças rápidas e efêmeras, Stella se mantém como referência de autenticidade. Sua trajetória inspira novos artistas e emociona públicos diversos. A celebração de sua carreira em São Paulo é mais do que um evento cultural: é um convite para revisitar a memória musical brasileira e reconhecer a potência de quem nunca deixou de acreditar no poder da arte.

📸 Foto: Divulgação/ Fábio Stella

📌 Informações de Serviço

📅 22 de junho de 2026 — Audição do Disco  
LSD: Voz, Memória e Criação

📅 26 de junho de 2026 — Show  
Fábio Stella – Voz e Alma

📍 Local: Sala Adoniran Barbosa – Centro Cultural São Paulo  
Realização: Prefeitura do Estado de São Paulo • Secretaria Municipal da Cultura • Prefeitura de São Paulo • Cocoton


🎭 O Encontro da Arte com a Emoção: Beth Goulart recebe Ex-BBB Tia Milena

 



🌟 A tradicional e sofisticada dramaturgia paulistana foi palco de um encontro recheado de afeto e representatividade no Teatro Moise Safra, localizado na Barra Funda, em São Paulo. A renomada atriz Beth Goulart, herdeira do legado artístico de Nicette Bruno e Paulo Goulart, emocionou o público e os bastidores ao convidar uma espectadora muito especial para sua plateia. A ex-participante do Big Brother Brasil, carinhosamente conhecida como Tia Milena, vivenciou a experiência única de ir ao teatro pela primeira vez na vida a convite direto da própria artista principal. A atriz foi uma das maiores torcedoras de Tia Milena no reality.

📖 O motivo de tamanha celebração cultural foi a aclamada temporada comemorativa do espetáculo "Simplesmente Eu, Clarice Lispector", um monólogo de sucesso estrondoso idealizado pela veterana. No palco, Beth Goulart celebra mais de cinco décadas de uma carreira sólida e brilhante, acumulando funções de direção e dramaturgia ao dar vida à icônica escritora e suas marcantes personagens femininas. A montagem atual marca o aguardado retorno da peça à capital paulista após um longo hiato de 16 anos longe desse público.

🙏 Além do brilhantismo nos palcos do sudeste, a versatilidade da atriz pôde ser testemunhada pelo público em uma das maiores manifestações de fé e cultura do País. Beth Goulart emocionou milhares de espectadores ao interpretar, com imensa sensibilidade, o papel de Maria na tradicionalíssima temporada da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco. A entrega cênica no monumental palco ao ar livre pernambucano reafirmou a grandiosidade de sua trajetória e sua profunda conexão com personagens de imensa carga dramática.

👑 Essa vocação extraordinária corre nas veias de uma verdadeira dinastia teatral, iniciada por sua avó Eleonor Bruno (1913-2004) e consolidada por seus pais, os inesquecíveis Nicette Bruno (1933-2020) e Paulo Goulart (1933-2014). Ao lado dos irmãos Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho, também atores consagrados, Beth construiu uma trajetória impecável que transita entre a televisão, o cinema e os palcos principais do País. Essa poderosa herança familiar aliada ao seu talento único e dedicação incansável consolidou sua carreira como uma das mais respeitadas de toda a dramaturgia brasileira.

📸 Foto: Reprodução Twitter @tiamilenaBBB