📣 "Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis." — Bertolt Brecht
🎭 A célebre frase de Brecht encontra eco perfeito na trajetória do Grupo João Teimoso, um dos mais resistentes e atuantes coletivos culturais de Pernambuco. Recentemente, o grupo recebeu seu nono voto de aplauso — concedidos por Marília Arraes na Câmara Federal; Oscar Barreto, As Juntas e Dani Portela na Alepe; e Ivan Moraes e Cida Pedrosa na Câmara do Recife, além da homenagem pelo Dia Mundial do Teatro — enquanto celebra também seus 25 anos de fundação. Inspirado no brinquedo que nunca cai, o grupo segue firme, desafiando dificuldades e reafirmando diariamente seu compromisso com a arte e a luta cultural.
🔥 A história começou em 22 de abril de 2001, quando jovens da periferia, após um curso ministrado por Oséas Borba Neto no antigo CSU do Pina, decidiram criar um grupo de teatro. Assim nasceu o João Teimoso, que rapidamente se tornou referência estadual na formação de artistas e na defesa das políticas culturais. Cursos, espetáculos, saraus, produções e mobilizações marcam uma trajetória de movimento constante, incluindo a luta de 10 anos pela reabertura do Teatro do Parque, símbolo da resistência cultural recifense.
📚 Os números reforçam a grandeza dessa caminhada: mais de 1.900 alunos passaram pelos cursos; o Sarau das Artes, que este ano completa 17 anos, chega à edição 245 com mais de 4.600 apresentações artísticas; e o espetáculo Retratos de Chumbo, estreado em 2019, já realizou 43 sessões. O grupo também criou o Circuito da Memória, que soma três edições, e acumula importantes conquistas, como os Prêmios Myriam Muniz de Teatro da Funarte em 2006 e 2007, com os espetáculos Bonezinho Vermelho e Os Sete Gatinhos.
🏛️ A atuação política do João Teimoso também é marcante. Entre 2003 e 2010, o grupo elegeu delegados no Fórum Temático de Cultura do OP-Recife, ocupou cadeiras no Conselho Municipal de Política Cultural e participou de instâncias nacionais como o CNPC. Criou o Movimento Guerrilha Cultural, lutou pelo tombamento e reabertura do Teatro do Parque e segue presente nas discussões sobre políticas públicas culturais, reafirmando seu papel de agente transformador e defensor da arte como direito.
🌟 Em 2009, surgiu o Sarau das Artes, dentro do Movimento Guerrilha Cultural, inicialmente nos fundos do Bar Kibe Lanches. O evento cresceu, atraiu artistas de diversas linguagens, integrou o Festival Janeiro de Grandes Espetáculos e tornou-se um dos maiores saraus do estado. Passou por vários espaços, realizou edições virtuais na pandemia — quando recebeu o Prêmio de Festivais da Lei Aldir Blanc — e consolidou-se como um dos pilares da resistência cultural pernambucana, mantendo viva a chama da criação coletiva.
📸 Fotos: Arquivo João Teimoso