🫀 A dor no peito nem sempre tem explicação simples. Cada vez mais pacientes — especialmente mulheres — recebem resultados “normais” em exames cardíacos, mas continuam sofrendo com aperto, queimação ou cansaço intenso. A ciência já sabe que, em muitos desses casos, o problema está na microcirculação do coração, formada por vasos tão pequenos que não aparecem nos exames tradicionais. Quando esses vasos falham, o músculo cardíaco fica sem oxigênio, provocando angina mesmo sem entupimentos visíveis.
👩⚕️ Estudos mostram que até metade dos pacientes submetidos à angiografia por dor no peito não têm obstruções significativas. Esse quadro é chamado de ANOCA, angina com artérias coronárias não obstrutivas. Segundo o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, o cateterismo pode até parecer normal, mas isso não exclui sofrimento cardíaco. Na angina microvascular, os vasos microscópicos não se dilatam como deveriam ou se contraem demais, dificultando a chegada do sangue ao coração.
🔥 Os sintomas podem confundir até profissionais experientes. Mulheres costumam relatar queimação nas costas, ombros, braços ou mandíbula, fugindo do padrão clássico de aperto no peito. Em idosos, o desconforto pode parecer indigestão, dor nas costas ou mal-estar abdominal. Muitas pacientes passam anos ouvindo que é “ansiedade” ou “estresse”, o que atrasa o diagnóstico e prolonga o sofrimento.
🧪 A cardiologia avançou e hoje já é possível investigar a microcirculação durante o próprio cateterismo. Exames como a reserva de fluxo coronário e o índice de resistência microvascular avaliam como o sangue circula nos vasos menores. Testes com medicamentos ajudam a identificar espasmos temporários das artérias. Diferenciar microvascular, espasmo ou outras causas muda completamente o tratamento e evita que o paciente continue peregrinando por consultórios.
💊 O tratamento não envolve stents ou cirurgias, mas exige cuidado rigoroso. Controlar pressão alta, colesterol, diabetes e abandonar o tabagismo são pilares essenciais. Medicamentos específicos ajudam a reduzir o esforço do coração e melhorar o funcionamento dos vasos. Quando o mecanismo da dor é identificado corretamente, a qualidade de vida melhora de forma significativa. A recomendação dos especialistas é clara: dor no peito nunca deve ser ignorada, mesmo quando os primeiros exames parecem tranquilos.
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SERVIÇO
Quando procurar ajuda: dor no peito, queimação persistente, cansaço anormal, desconforto em costas, mandíbula, ombros ou braços.
Especialidade indicada: cardiologia, preferencialmente com experiência em microcirculação.
Exames que podem ser solicitados: cateterismo com avaliação funcional, reserva de fluxo coronário, índice de resistência microvascular, testes para espasmo coronariano.
Atenção: somente um profissional de saúde pode avaliar sintomas e indicar o tratamento adequado.