sábado, março 27, 2021

Peça Existo! discute o que é ser menino e menina

 

O premiado espetáculo Existo!, da Cia La Leche, tinha uma ampla agenda de apresentações presenciais agendadas para 2020 que foi interrompida pela pandemia do novo coronavírus. O público que não pôde prestigiar a peça, que além dos prêmios, foi reconhecida por críticas excelentes da imprensa, tem a oportunidade de assisti-la em uma versão inédita a partir do dia 3 de abril de 2021, sábado, 11h, pelo canal de Youtube do grupo.

Com direção de Cris Lozano e dramaturgia de Alessandro Hernandez, Existo! é uma alegoria sobre a liberdade que todas as pessoas deveriam ter, mesmo que isso contrarie os padrões sociais – especialmente os que nos definem apenas como homens e mulheres. Na obra, Alessandro interpreta Luan, menino que mora em uma torre à espera do momento de poder sair e descobrir o mundo que conhece apenas pela janela – seu maior desejo é compartilhar momentos de diversão com meninos e meninas que vê em uma escola.

Enquanto aguarda por esse momento - que chegará quando uma jabuticabeira estiver amadurecida, carregada de frutos - Luan exerce sua liberdade neste espaço fechado na companhia de sua mãe, que apesar de alimentar suas ambições, fica constrangida com os questionamentos do garoto, como a decisão de usar vestido ou mesmo de se transformar em uma menina. Animais que conversam com Luan durante seu período de isolamento também colaboram com o tom fabular da peça. Tanto a mãe como os bichos são interpretados por Ana Paula Lopez, atriz da Cia que participou do processo criativo e colaborou na preparação corporal do espetáculo.

"Antes da pandemia, fizemos uma série de sessões para escolas seguidas por um debate com as crianças. É impressionante como o lugar do preconceito habita muito mais o imaginário dos adultos", conta Alessandro Hernandez sobre as experiências de trocas com espectadores que devem ser potencializadas com as sessões online, que alcançam um número maior de pessoas.

O artista reforça que, a princípio, o texto contaria a história de uma criança transexual, mas o caminho tomado para a peça foi outro. "Era muito mais potente abordarmos os questionamentos, e não a transexualidade em si", conta o dramaturgo. Segundo ele, esse recurso fez com que os assuntos da peça se tornassem mais amplos e proporcionassem mais diálogos possíveis sobre gênero e sobre o que é lido hoje em dia como masculino e feminino.

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