sexta-feira, 3 de abril de 2026

🕒 Jejum Intermitente Ganha Espaço Entre Quem Deseja Engravidar, Mas Especialistas Alertam Para Riscos à Fertilidade


🌿 O jejum intermitente, antes associado principalmente ao emagrecimento, passou a integrar discussões mais amplas sobre saúde, bem-estar e até fertilidade. A popularização da prática, que alterna períodos de alimentação e abstinência, tem despertado dúvidas sobre seus efeitos no organismo de pessoas que desejam engravidar. Especialistas destacam que a resposta não é simples e depende de uma avaliação individualizada, já que o método provoca alterações hormonais e metabólicas que podem influenciar a saúde reprodutiva.

⚖️ Entre os efeitos mais conhecidos do jejum estão a redução dos níveis de insulina e o aumento do hormônio do crescimento, fatores que podem favorecer o equilíbrio metabólico. No entanto, a prática também pode elevar o cortisol, hormônio relacionado ao estresse, desencadeando irritabilidade, fadiga e distúrbios do sono em algumas pessoas. Para a médica Isa Rocha, do IVI Salvador, esse impacto hormonal exige atenção redobrada quando o objetivo é engravidar, já que o corpo depende de um delicado equilíbrio para manter a função reprodutiva.

👨‍⚕️ No caso dos homens, estudos sugerem que o jejum intermitente pode contribuir para a melhora de parâmetros metabólicos e até favorecer a produção de testosterona, especialmente em pacientes com sobrepeso. Há também indícios de possíveis benefícios na qualidade do sêmen quando o método é associado a mudanças consistentes no estilo de vida. Ainda assim, jejuns prolongados ou muito frequentes podem ter o efeito oposto, reduzindo níveis hormonais e prejudicando energia, desempenho físico e saúde reprodutiva.

👩‍⚕️ Entre as mulheres, a sensibilidade hormonal é ainda maior. Práticas mais restritivas podem interferir no eixo responsável pela ovulação, afetando hormônios como estrogênio, progesterona, LH e FSH. Isso pode resultar em ciclos irregulares ou até ausência de menstruação. O corpo, ao interpretar o jejum como sinal de estresse ou escassez, tende a priorizar funções essenciais à sobrevivência, deixando a reprodução em segundo plano. Em condições específicas, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), o jejum pode trazer benefícios quando bem orientado, mas também pode agravar desequilíbrios hormonais se conduzido de forma inadequada.

🔍 Diante desse cenário, especialistas reforçam que a adoção do jejum intermitente deve ser cuidadosamente avaliada, especialmente por quem planeja engravidar. Estratégias alimentares podem contribuir para a saúde reprodutiva, mas não substituem a investigação médica em casos de infertilidade. A medicina reprodutiva oferece diagnósticos aprofundados e tratamentos personalizados que ampliam as chances de gestação. “Cada corpo se comporta de forma individual. Não é porque pode aumentar a testosterona que será positivo para todos os homens, nem significa que será negativo para todas as mulheres. Cada caso precisa ser avaliado de forma personalizada”, destaca a Dra. Isa Rocha.