🎤 Em uma noite mágica que marcou o Carnaval de Recife 2026, o cantor João Gomes apresentou seu show "Dominguinho" no palco do Marco Zero, celebrando o que seriam os 85 anos do lendário sanfoneiro pernambucano. O espetáculo, repleto de emoção e nostalgia, reuniu multidões na capital pernambucana para uma homenagem que misturou música, memória afetiva e gratidão pela cultura nordestina. João Gomes, natural de Petrolina, relembrou como tudo começou há um ano, logo após suas apresentações carnavalescas, quando convidou o produtor musical João Tirinha para gravar "um negócio" em Recife - sessão que se transformou em um álbum completo gravado em Olinda. "Acho que uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida foi quando eu vim morar aqui no Recife, porque eu conheci muita gente bacana, muita gente talentosa", declarou o artista, visivelmente emocionado.
🎵 O repertório do show atravessou gerações e estilos musicais, começando com canções autorais de João Gomes como "Beija-Flor" e "Flor de Flamboyant", passando por homenagens ao próprio Dominguinhos e chegando até clássicos de outros gigantes da música brasileira como Belchior e Chico Science. A parceria especial com o músico Jota Pê foi um dos momentos mais marcantes da noite, especialmente durante a apresentação da música que aborda a experiência de ser um homem negro no Brasil - canção que rendeu três prêmios Grammy ao artista. João Gomes não economizou nos elogios ao parceiro: "Ele me mostrou novos caminhos, ele me mostrou que era possível ir além do que eu já vinha fazendo com minhas composições, e eu aprendi muito com esse rapaz maravilhoso", confessou. A dupla também homenageou o Kara Veia, o Rei das Vaquejadas de Alagoas, reforçando a importância de valorizar os artistas regionais.
🎭 Entre performances musicais, João Gomes entreteve o público com histórias e brincadeiras, incluindo uma anedota hilária sobre um sanfoneiro apaixonado (que não era ele, segundo insistiu repetidamente) que tentou declarar seu amor tocando músicas, primeiro em português, depois em inglês, até descobrir que a moça preferia o "brega funk" ao invés do estilo mais romântico e tradicional. A interação com a plateia foi constante, com o cantor testando se os recifenses conheciam de fato o repertório de Dominguinhos, e não decepcionou - o público cantou em coro clássicos como "Se Eu Morasse Aqui Pertinho" e "Eu Só Quero um Xodó". A participação especial de Elba Ramalho também marcou a noite, acrescentando ainda mais autenticidade e emoção à homenagem.
💫 O show teve momentos de profunda reflexão, especialmente quando João Gomes compartilhou lições de vida aprendidas ao longo de sua jornada artística. Durante a interpretação de "Nunca Mais" (Belchior), o cantor falou sobre a importância de valorizar o presente e as pessoas ao nosso lado, alertando que o passado, por mais significativo que seja, não volta mais. "A gente tem que aprender a valorizar o momento presente, o amigo que tá ao nosso lado, aprender a ser feliz assim. Mesmo com essa barriguinha de cerveja, mesmo o cabra ficando careca, o passado não volta mais", filosofou, arrancando risos e concordância da multidão. Essa mensagem de gratidão e presença permeou toda a apresentação, criando uma atmosfera de celebração coletiva da cultura nordestina.
🌟 A noite culminou com uma verdadeira explosão de energia quando João Gomes trouxe ao palco sucessos mais recentes do forró e piseiro, como "Vaqueira" e canções que misturam tradição e modernidade. O artista não deixou de agradecer a Recife por tê-lo acolhido "com os braços abertos" quando veio do interior, e celebrou o fato de que se o Grammy reconheceu Dominguinhos e seu próprio álbum homenageando o mestre, Pernambuco também ganhou esse prêmio. "Se a gente pode, eu sei que muitas pessoas daqui também podem. De um ano pra cá, se mostra que Recife é capaz, que nosso Nordeste é capaz", afirmou, incentivando jovens artistas a acreditarem em seus sonhos. O encerramento com "Da Lama ao Caos" de Chico Science simbolizou a continuidade da música pernambucana, unindo gerações em uma celebração que honrou o passado enquanto construía o futuro da cultura nordestina.

