quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Homem muda permanentemente a cor dos olhos, mas especialistas alertam para risco do procedimento


O vídeo de um homem que realizou um procedimento para mudar permanentemente a cor dos olhos viralizou nas redes sociais nos últimos dias. As imagens mostram os olhos do homem mudando de cor de castanho para azul. A técnica, chamada de queratopigmentação, é irreversível e ainda não possui comprovação científica. Mesmo sem segurança comprovada, é possível até mesmo encontrar na internet perfis que anunciam a realização do procedimento.

A queratopigmentação é um procedimento estético que envolve a aplicação de pigmentos na camada superficial do olho, mais conhecida como córnea. No entanto, trata-se de um procedimento invasivo e ainda relativamente novo, podendo ser passível de complicações em olhos saudáveis.

O resultado do procedimento do vídeo, que já acumula mais de cinco milhões de visualizações nas redes sociais, foi divulgado pelo médico norte-americano Alexander Movshovich, que diz aplicá-lo para fins estéticos sem risco para os pacientes. Apesar da queratopigmentação ser utilizada para pacientes com deficiência visual, especialistas alertam para os perigos da utilização em olhos saudáveis.

“O vídeo da mudança na cor dos olhos postado em redes sociais foi realizado utilizando-se uma tatuagem na córnea- estrutura transparente e nobre para nossa visão. Hoje em dia esse procedimento não apresenta segurança estabelecida para o paciente, devido aos riscos de complicações como infecções, processos inflamatórios e redução do campo de visão“, explica a oftalmologista Adriana Falcão, do Hospital de Olhos Santa Luzia, integrante da rede Vision One.

Segundo a especialista do Hospital de Olhos Santa Luzia, a queratopigmentação seria o equivalente a fazer uma tatuagem nos olhos e só indicado para casos específicos. “Utilizamos tatuagens em córneas opacas, em olhos sem visão, visando deixar este olho com uma coloração semelhante ao outro. Em olhos saudáveis ainda não é um procedimento que indicaríamos com segurança”, finaliza a oftalmologista Adriana Falcão.