🎧 Nos anos 80 e 90, o rádio em Recife funcionava como um grande ponto de encontro coletivo, unindo bairros, gerações e estilos musicais em uma mesma sintonia. Era a época em que AM e FM ditavam o ritmo da cidade, embalando o público com rock nacional, pop e, mais tarde, com a explosão da Axé Music e o nascimento do Manguebeat. As emissoras eram centros de convivência, com auditórios cheios, gincanas telefônicas e ouvintes que batiam ponto na porta das rádios. Como lembra a comunicadora Lina Fernandes (foto), “o rádio era um organismo vivo, pulsante, que respirava junto com a cidade”. Nada substituía essa vibração.
🎙️ Lina, hoje Gerente de Rádio e TV da Prefeitura do Recife, viveu intensamente esse período em emissoras como a Top FM, rádio oficial do Recifolia. Ela recorda com brilho no olhar o frenesi do programa “Tarde do Barulho”, comandado por Cinderela e sua trupe, quando o telefone parecia não ter descanso. “A gente recebia centenas e centenas de ligações todos os dias”, conta, destacando a força da interatividade espontânea. Para ela, fazer rádio naquela época era estar no “olho do furacão da audiência”, sentindo em tempo real o impacto de cada música, cada brincadeira e cada voz transmitida.
📞 A relação com o público era visceral, direta, quase física, marcada por filas de ouvintes na porta das emissoras e por artistas nacionais que tratavam o Recife como parada obrigatória. Lina lembra que “nada substitui esse contato direto com o ouvinte”, reforçando o papel afetivo que o rádio desempenhava na vida das pessoas. Os ritmos locais ganhavam força nas paradas, especialmente em períodos como o Carnaval e o Recifolia, quando a cidade inteira parecia vibrar no mesmo compasso. Era uma comunicação feita no improviso, na emoção e na presença.
🎙️ Mesmo com a evolução tecnológica, Lina nunca se afastou da comunicação sonora. Hoje, ela leva sua experiência para o universo dos podcasts, onde pesquisa e atua com a mesma paixão que a guiou no rádio tradicional. “O suporte muda, mas a essência é a mesma”, afirma, destacando que a voz continua sendo ponte emocional e ferramenta de identidade. Sua trajetória mostra como o rádio se reinventou sem perder sua alma, acompanhando as transformações do tempo sem abrir mão da conexão humana que sempre o definiu.
🎶 O legado das décadas de 80 e 90 permanece ecoando na memória afetiva dos recifenses, lembrando um período de efervescência criativa e de intensa participação popular. As histórias de quem viveu essa época — ouvintes, locutores, produtores e artistas — continuam alimentando a cultura sonora da cidade. E é graças a profissionais como Lina Fernandes que essa herança segue viva, estudada e celebrada, inspirando novas formas de comunicar e mantendo acesa a chama de um rádio que nunca deixou de ser encontro, emoção e identidade.
Veja o depoimento de Lina Fernandes: