quarta-feira, 29 de abril de 2026

🌿 “Nas Selvas do Brazyl” traz ao Recife encontro teatral entre Rondon e Theodore Roosevelt com reflexões sobre clima e colonização



🎭 A peça “Nas Selvas do Brazyl”, com idealização de Gustavo Gasparani, dramaturgia de Pedro Kosovski e direção de Daniel Herz, fará duas únicas apresentações em Recife nos dias 2 e 3 de maio de 2026, no Teatro Luiz Mendonça. Com elenco formado por Gustavo Gasparani e Isio Ghelman, o espetáculo retoma um acontecimento histórico fundamental para o Brasil: a “Expedição Científica Roosevelt-Rondon”, que em 1913 reuniu o marechal Cândido Rondon e o ex-presidente estadunidense Theodore Roosevelt para mapear o curso do chamado “Rio da Dúvida”, na Bacia Amazônica. A expedição explorou mais de 500 km do tortuoso percurso fluvial e foi marcada por incontáveis incidentes, servindo agora como matéria-prima para uma reflexão urgente sobre os efeitos do modelo colonizador no meio ambiente, na floresta e em seus povos originários.

🌍 Através do encontro entre o estrangeiro colonizador e o militar brasileiro defensor dos indígenas, a dramaturgia funde duas camadas em cena: de um lado, os personagens às voltas com a expedição no início do século XX; de outro, os atores hoje, em pleno terceiro milênio, lidando com as memórias daquele tempo diante de um colapso climático iminente. A peça busca uma nova forma de compreender as relações entre humanos e natureza e a origem do povo brasileiro, convidando o público a uma reflexão sobre temas urgentes como mudanças climáticas, diversidade e ancestralidade. Segundo o dramaturgo Pedro Kosovski, “a dramaturgia investe num exercício de imaginar, especular o que teria acontecido entre os dois. Há nesse encontro uma síntese de processos históricos importantes, feridas históricas para o nosso país como, por exemplo, a ideologia do progresso e do desenvolvimento, todo processo de colonização e dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos”.

🗣️ As figuras históricas de Theodore Roosevelt Jr. (1858-1919) e do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) personificam dois arquétipos opostos: o do homem branco estrangeiro colonizador e o do militar pacifista engajado na construção de uma ideia de nação, que descobriu e nomeou rios, montanhas e lagos, além de implantar mais de cinco mil quilômetros de linhas telegráficas nas florestas brasileiras. A partir das memórias da expedição, a peça imagina tudo aquilo que não foi dito entre os dois – um acerto de contas entre um ex-presidente estadunidense e um sertanista brasileiro militante na defesa dos direitos indígenas e na exploração responsável do território. Temas como etnocentrismo, postura colonizadora em relação à floresta e hegemonia geopolítica dos EUA sobre o Brasil são abordados em um diálogo aberto e franco. O diretor Daniel Herz reflete: “Estamos cada vez mais desabrigados. O palco é suficiente para nos salvar? Não sei, mas sempre acreditei que o teatro é uma possibilidade de transformação da experiência da existência”.

🌳 A floresta amazônica assume papel de protagonista na montagem, e o projeto promove debates ao final das sessões, mediados por lideranças indígenas, especialistas em políticas indigenistas, historiadores e ambientalistas. Serão discutidos temas como o real perigo da savanização da Amazônia e os riscos das mudanças climáticas. O espetáculo tem duração de 70 minutos, classificação indicativa de 14 anos, e capacidade para 586 lugares. Os ingressos custam R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia), disponíveis na bilheteria do teatro (aberta apenas em dia de espetáculo, duas horas antes da sessão) ou pelo site oficial. A realização é do Centro Cultural Banco do Brasil, com patrocínio do Banco do Brasil. A temporada recifense integra um circuito que já passou por outras capitais brasileiras, consolidando a peça como um dos debates teatrais mais relevantes da temporada de 2026.

📷 Foto: Nil Caniné

Serviço:
“Nas Selvas do Brazyl” – dias 2 e 3 de maio de 2026. Sábado às 20h, domingo às 19h. 
No Teatro Luiz Mendonça 
(Av. Boa Viagem, S/N – Boa Viagem, Recife). 
Ingressos: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia) na bilheteria ou pelo site teatroluizmendonca.byinti.com
Duração: 70 min. 
Classificação: 14 anos. 
Debates após as sessões. 
Redes sociais: @nasselvas.teatro.