terça-feira, 28 de abril de 2026

🎬 Entre distopia e poesia visual, curta pernambucano investiga o futuro da arte


🌊 O cinema pernambucano avança em novas fronteiras com o curta “À moda antiga”, dirigido por André Pinto, que une inteligência artificial e técnicas tradicionais para construir uma Recife pós-apocalíptica. Em fase de pós-produção, o filme imagina a capital devastada por uma inundação catastrófica, onde apenas os prédios mais altos resistem. A cidade, marcada historicamente pelo medo da água, torna-se metáfora e personagem. A obra nasce de uma provocação filosófica sobre o que resta da humanidade quando ela já não existe. O projeto se firma como um dos primeiros do Estado a integrar IA de forma estruturada ao processo criativo.

🤖 A narrativa articula temas como avanço tecnológico, solidão, memória e mudanças climáticas, enquanto o próprio processo de criação reflete essa tensão entre humano e máquina. André Pinto experimenta ferramentas de IA desde 2021 e encontrou no curta uma forma de viabilizar histórias que antes ficariam no papel. A tecnologia, porém, não substitui o olhar humano: o roteiro foi escrito integralmente por pessoas. A pergunta que move o filme — como se fazia arte no passado e como se fará no futuro — atravessa cada etapa da produção. O elemento humano, afirma o diretor, permanece central.

🎥 A inteligência artificial aparece desde a concepção visual até a pós-produção, mas sempre em diálogo com métodos clássicos. O coletivo Lúmini Mágica manteve set físico, troca de lentes, captação de som direto, maquiagem e figurino, preservando o fazer cinematográfico tradicional. Em vez de delegar a criação à máquina, a equipe alimentou os sistemas com referências detalhadas: paletas de cores, storyboards, texturas e imagens captadas no Recife. O resultado combina cenas reais com intervenções digitais que ampliam cenários, recriam prédios destruídos e constroem ambientes futuristas.

🔥 Em meio à avalanche de conteúdos gerados por IA, “À moda antiga” busca provocar reflexão, não apenas fascínio visual. Para André, o momento exige responsabilidade diante da democratização das ferramentas. O curta se coloca como objeto de debate sobre limites, possibilidades e ética. A obra não pretende substituir métodos tradicionais, mas somar forças. O equilíbrio entre técnica e sensibilidade é o eixo que sustenta o filme. A proposta é tensionar o olhar do público sobre o futuro da arte e da própria humanidade.

🎭 A equipe reúne profissionais de diversas áreas do audiovisual pernambucano, combinando experiência e experimentação. A direção e os efeitos visuais são de André Pinto, que divide o roteiro com Édnei Pedroso, Luciano Bresdem, Luiz Rodrigues e Marcello Trigo. A fotografia é assinada por Vinícius Lubambo, responsável por construir a atmosfera que dialoga com o contraste entre o Recife real e o imaginado. O elenco conta com André George, Fernanda Spíndola, Thomas Evertton, Jully e Rayo Vasconcelos. A finalização é de André Farkatt, que integra imagens captadas em locação às intervenções digitais. A produção é da Canto de Olho Filmes, com coprodução de diversas produtoras parceiras.