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quarta-feira, julho 14, 2021

'Sem Palavras', da companhia brasileira de teatro, inicia ações no Teatro Oi Futuro

 

O Oi Futuro, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa apresentam, a partir do dia 25 de julho, às 19h, detalhes do processo criativo do espetáculo “Sem Palavras”, através de vídeo transmissão ao vivo, no Teatro Oi Futuro. Também será exibido debate provocado pela professora, transativista e escritora Helena Vieira; documentário sobre a pesquisa, o processo criativo e finalização da obra. Uma vídeo-instalação feita com os artistas, criadores, atores e atrizes do espetáculo, a partir da dramaturgia da obra, ficará disponível para visitação gratuita, de 28 de julho a 29 de agosto, no térreo do Centro Cultural Oi Futuro Flamengo. Os vídeos e documentários serão disponibilizados pelo canal do Youtube da Companhia Brasileira de Teatro.

A visitação segue todos os protocolos de segurança sanitária previstos pelos órgãos responsáveis e deve ser agendada por meio do site https://oifuturo.org.br/agendamentocentrocultural/ ou por telefone 21 3131-3060. A entrada é gratuita.

“Sem Palavras” flagra os deslocamentos e travessias que ocorrem durante um dia ao redor de um apartamento. Oito pessoas de diferentes corpos, imagens sociais, referências, histórias de vida e mundos imaginados passam por ali e são a base para reflexões sobre a palavra e também sua ausência, já que o espetáculo aposta em visualidades que comunicam ao público sem uso da linguagem textual.

A atual montagem, junto com PROJETO BRASIL e Preto, compõe uma espécie de trilogia para refletir territórios em que palavra e corpo são elementos indissociáveis. A peça, composta por pesquisas que passam pela performance, teatro, dança e visualidades diversas, tem direção e texto assinados por Marcio Abreu, que também divide a dramaturgia com Nadja Naira. A ficção é livremente inspirada no livro Um apartamento em Urano: crônicas da travessia, do filósofo espanhol transgênero Paul B. Preciado e nos escritos da autora, jornalista e ativista brasileira Eliane Brum.

"Fica evidente que a história do Brasil é criada também pelas palavras que não foram ditas ou que não são escutadas. A língua é um lugar que se habita, a linguagem é um território de existência. Entender um Brasil como um país formado por muitas histórias que não foram contadas mostra como reivindicar a palavra é algo urgente", diz Marcio Abreu. Para ele, um dos maiores desafios impostos pela peça foi contextualizá-la neste lugar em que as cenas faladas e as sem palavras tivessem impacto e uma pesquisa dramatúrgica ampla. "Fazer essa separação de texto e dramaturgia foi muito importante no nosso processo. Trata-se de uma escolha ética, estética e política", completa.

Como Marcio define, a adaptação parte de um lugar do sensível, e não de uma correspondência literal. Não há as palavras usadas por Preciado na peça, mas sim um diálogo permanente de criação, o que se encontra também com o trabalho de outros pensadores e ativistas a exemplo de Eliane Brum, referenciada como uma das inspirações para a criação dos textos que compõem a peça.

"Essas pessoas que se colocam no mundo como faróis influenciaram nosso trabalho. A discussão sobre linguagem é importante porque ela nos foi tomada de assalto e agora é usada como parte de um plano de extermínio. Como recuperar a língua com um território que também é meu?", questiona o diretor.

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