segunda-feira, outubro 14, 2019

Mulheres de Sol e Sangue

Com índices assustadores e as estatísticas de crimes de feminicídio aumentando mais a cada ano, nasce em 2017 o espetáculo Mulheres de Sol e Sangue, que estreou em agosto desse mesmo ano na FLIST, a Festa do Livro de Serra Talhada. 

No tema surgem as poetisas pernambucanas de todas as regiões do estado. A poesia das agrestinas, sertanejas, urbanas, mata-nortenses. Poetisas de São José do Egito, Cabo de Santo Agostinho, Tejucupapo, Tabira, Recife, entre outras cidades de sol a pino. De um Pernambuco feminino que ri com a generosidade da vida e chora as secas das mulheres sofridas, mas, também, das mulheres que vivem embaixo da chuva, que procuram as marquises para se abrigarem, a chuva que cai sobre um Capibaribe urbano, difícil e poluído. Os dias de luta, as confissões reveladas em seus versos, com desprendimento e simplicidade na poética. Os goles e estrofes de uma Severina Branca, poeta de São José do Egito, marcada pelo ofício da prostituição e suas amarguras derramadas em seus poemas. Os desejos proibidos da poetisa Verônica Sobral, de Tabira, as linhas escritas no Recife, por Maria do Carmo Barreto Campello de Mello, o cunho feminista e social de Geisiara Lima, poetisa de Itambé, a poesia negra de Odailta Alves, a poesia urbana engajada da jovem poetisa Maria Samara, a poética da mulher-menina de Tejucupapo, a autora Chrislayne Venceslau, e, da própria atriz, que também é poetisa e tem dois livros lançados. Mulheres resistentes, reconhecidas pela sua poesia, vestidas de sonhos e do sangue, que simboliza a resistência de um povo, na figura do sagrado feminino.

Daniela Câmara é atriz, poetisa e jornalista recifense. Atua para o teatro, cinema e TV há 30 anos. Tem escrito, pesquisado e visitado almas poéticas femininas e montado suas performances saraus afora, com simplicidade, amor e os presságios, que seguem a intensidade do fogo, das mulheres artistas pernambucanas, verdadeiras fortalezas, que arriscam versos sem rede de proteção, mergulhando num universo onde o risco se torna prazer e aventura, em uma performance cheia de sentimentos e sons, em união com a trilha sonora feita com base na música popular brasileira. Junto ao músico Walgrene Agra, fazem a poesia que casa com a música e os sons, criando afetividades ao palco e reverberando a força da mulher para a sua plateia.

Os poemas foram escolhidos pela atriz, formando um casamento com a encenação, trazendo a energia da luta contra o feminicídio em suas interpretações. Na sua lista estão presentes mulheres que na poesia confessam sua vida, sua condição humana, cotidiana e artística. 

O espetáculo estreou na FLIST (Feira Literária de Serra Talhada), com sucesso de público em 2017. Em seguida realizou um circuito alternativo em bares e casas de espetáculos no Recife, a exemplo da Casa Cultural Villa Ritinha. Passou pelo público de mulheres idosas na Jornada de Direitos Humanos da Prefeitura do Recife, também permeou o Mês da Mulher com a poetisa Cida Pedrosa no GP Cabugá, através da FUNDARPE, no Projeto Outras Palavras, fez apresentação única no Teatro Arraial, participou do projeto SESC Goiana, e do Sarau do Projeto Teatrando, no Teatro de Santa Isabel e uma temporada no teatro de Bolso Silvio Pinto, na Maravilhas em novembro de 2018.

Daniela atuou em filmes de Kleber Mendonça Filho, Adelina Pontual, Camilo Cavalcante, Marco Hannois, Gabriel Mascaro, Adriano Portela e Marcelo Gomes, também em espetáculos para o teatro, em “Os Saltimbancos”, de Chico Buarque de Holanda, “Bailei na Curva”, de Júlio Conti, com direção de Carlos Bartolomeu, “A Incrível Viagem de Doc Comparato”, dirigido por Manoel Constantino, “Cegonha Boa de Bico”, de Marilu Alvarez, com direção de José Manoel, “Batalha dos Guararapes”, com direção de José Pimentel, Elas Contam Tudo de Cícero Belmar, com direção de Manoel Constantino, entre outros.

Em 2007, foi indicada melhor atriz nos festivais de cinema de Gramado e Brasília. Recentemente participou do novo curta metragem do cineasta Camilo Cavalcante, Palhaço Cara Limpa, e no momento está em cartaz com o espetáculo infanto juvenil “A Batalha da Vírgula Contra o Ponto Final”.

Em 2015 lançou seu primeiro livro intitulado Primeiro Ato Poético, na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. O conteúdo versa em forma poética, o universo da atriz. Em 2017 lançou sua segunda obra poética intitulada Poesia Afetiva-Ato II, na Plataforma de Lançamentos da UBE, na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.

A apresentação acontece Dia 17/10 as 20h no Marsenal, defronte à Praça do Arsenal.