domingo, 3 de maio de 2026

🖼️ Arnóbio Escorel revela memórias, processos e afetos em entrevista exclusiva sobre sua trajetória e obra


🎨 O artista plástico Arnóbio Escorel, paraibano radicado no Recife desde os dois anos de idade, abre seu universo criativo em uma entrevista que percorre formação, influências, processos e a profunda relação afetiva que mantém com a paisagem urbana nordestina. Conhecido por transformar cenas cotidianas em narrativas visuais densas e vibrantes, o pintor revisita sua trajetória desde os primeiros passos no ateliê de José Tavares até a consolidação de uma linguagem pictórica marcada por cor, movimento e pertencimento.

🏙️ Em suas telas, Escorel constrói uma verdadeira cartografia sentimental, onde arquitetura, devoção, vida popular e manifestações culturais se entrelaçam em composições que evocam memória e identidade. Obras como Acorda na Prudente, Recife é um mundo e Recife Abraça o Morro revelam um olhar atento às transformações da cidade, convertendo circulação, observação e vivência cotidiana em linguagem visual pulsante e contemporânea.

🌈 A riqueza cromática, a linha do horizonte elevada e a perspectiva bidimensional são marcas que definem sua estética, frequentemente associada à arte naïf, mas que o artista compreende como um gesto consciente, fruto de pesquisa, experiência e diálogo com o público. Para Escorel, a “poluição visual” não é excesso, mas essência — reflexo da vida urbana, das ruas, das casas e das pessoas que atravessam sua memória desde a adolescência.

🖌️ Na entrevista, o artista compartilha detalhes de sua rotina de observação, suas escolhas compositivas e a forma como organiza elementos estruturantes para criar superfícies densas que convidam o espectador a percursos prolongados. Ele também reflete sobre temas que ainda deseja explorar, reforçando que sua produção é contínua, viva e sempre em movimento, assim como o Recife que o inspira diariamente.


ENTREVISTA – ARNÓBIO ESCOREL

1. Sobre a formação  
“José Tavares teve influência maior do que Pierre Chalita, porque passei mais tempo com ele. Ainda adolescente, absorvi muito das cores fortes e definidas que via no ateliê, frequentado por artistas como Sílvia Pontual e Montês Magno. As técnicas que uso até hoje foram aprendidas com Tavares, embora eu transite por outras eventualmente.”

2. Sobre a ‘cartografia sentimental’  
“Minhas memórias vêm de Olinda e Casa Amarela, onde caminhei muito na infância e adolescência. O primeiro quadro do Morro da Conceição fiz para minha esposa, devota de Nossa Senhora. Depois vieram várias encomendas, e o estilo se consolidou.”

3. Sobre a transição Paraíba–Recife  
“Os dois anos em João Pessoa não influenciaram minha estética, mas mais tarde passei a apreciar paisagens bucólicas e populares. Sempre gostei do burburinho urbano, das casas simples e antigas.”

4. Sobre o estilo  
“Meu estilo tem pitadas de naïf e primitivismo, com trânsito eventual no figurativo. A simplicidade é intencional: quero atingir o público em geral, as pessoas retratadas e quem aprecia a vida cotidiana.”

5. Sobre o processo criativo  
“Observo paisagens desde criança. Pesquiso movimentos urbanos, folclore e cultura pernambucana. Às vezes fotografo detalhes que passam despercebidos no dia a dia.”

6. Sobre elementos estruturantes  
“A poluição visual faz parte da essência da minha arte. A arquitetura sempre me fascinou, e a vida popular ficou gravada na minha memória desde as caminhadas pelos morros. Hoje reproduzo essas cenas nas telas.”

7. Sobre a composição  
“A linha do horizonte é referência para posicionar a paisagem. Busco uma leitura fácil para qualquer pessoa. Uma cliente me contou que a filha passa muito tempo observando meus quadros — isso me motiva.”

8. Sobre a cor  
“As cores vêm das nossas paisagens e casarios. Uso tons vivos para alegrar ambientes. Uma cliente de Brasília comprou um quadro para quebrar a monotonia monocromática do apartamento.”

9. Sobre a relação com o espectador  
“Pinto para o mundo. Quero que minha arte seja vista e apreciada. Crio detalhes para serem descobertos — gosto de provocar o olhar do espectador.”

10. Sobre a continuidade  
“Sempre encontro novas temáticas. Caminho pelos recantos recifenses buscando detalhes, paisagens e movimentos. Cores, casas e gestos cotidianos alimentam minhas obras.”