quinta-feira, 30 de abril de 2026

🎶 Chico César revisita o passado e lança FOFO no Recife: Blog Taís Paranhos entrevista o artista

 

🎤 O Blog Taís Paranhos conersou com exclusividade com Chico César, que escolheu o Recife para abrir a turnê de lançamento de FOFO, seu 11º álbum, no próximo dia 2 de maio, no Teatro do Parque. Em um bate‑papo profundo e cheio de memórias, o cantor e compositor revelou as motivações por trás do novo trabalho — um mergulho em canções compostas entre os 16 e 20 anos, período em que ainda buscava linguagem, identidade e espaço artístico.

Chico conta que a decisão de revisitar esse repertório antigo nasceu do desejo de reencontrar o artista que foi um dia. Segundo ele, a experiência intensa da turnê Aos Vivos reacendeu essa vontade: "Desejo mesmo de me dar esse prazer, essa alegria de visitar aquele jovem compositor dos 16 aos 20 anos de idade com canções tão complexas. Melodias intrincadas, violão difícil de executar, letras que incomodam".

🎼 O artista lembra que, ao chegar em São Paulo, percebeu que aquelas músicas dialogavam com a vanguarda paulistana — mas ele não queria se confundir com ela. Esse conflito ajudou a moldar o Chico que o público conhece hoje: um cantor‑autor que equilibra experimentação e comunicação direta.

📚 O verso que dá nome ao álbum veio de Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie. Chico lembra exatamente o momento em que a frase saltou do livro para a música: "Eu parei imediatamente a leitura, corri pro violão e pensei ‘isso é música’". A citação, segundo ele, abriu caminho para o disco e ajudou a colocar em perspectiva as canções da adolescência — densas, inquietas, nada fofas — em diálogo com composições mais recentes, criadas durante e após a pandemia.

🎸 Embora o show seja em formato voz e violão, Chico faz questão de frisar que isso não significa facilidade: "O formato é minimalista, mas ele não é simples. As canções são difíceis, intrincadas". Ele reconhece que o público atual está habituado a músicas rápidas e diretas, mas acredita que ainda há espaço para obras mais complexas — especialmente entre quem cresceu acompanhando sua trajetória e entre jovens que buscam novas camadas de escuta.

🌍 A escolha do Recife para abrir a turnê não é casual. Chico destaca a ligação histórica e afetiva entre Paraíba e Pernambuco, além da força cultural do estado: Eu tenho um amor imenso pelo público de Pernambuco. "Acho os artistas muito criativos, livres. A pujança econômica de Pernambuco possibilita uma pujança cultural". Ele lembra ainda de mestres pernambucanos que marcaram sua formação, como Jomard Muniz de Brito, seu professor na UFPB.

Que tal acompanhar a entrevista que fizemos com o artista?

🎤 ENTREVISTA | CHICO CÉSAR

“Eu queria revisitar aquele jovem compositor dos 16 aos 20 anos”

O Blog Taís Paranhos conversou com Chico César sobre FOFO, seu novo álbum, que estreia nos palcos no Recife, no Teatro do Parque. Na entrevista, o artista fala sobre memória, experimentação, literatura, juventude e sua relação afetiva com Pernambuco.

O que fez você revisitar composições da juventude agora, neste momento da carreira, e como foi reencontrar esse Chico mais jovem?

 Foi a tesoura do desejo, como diria o mestre Alceu Valença. Desejo mesmo de me dar esse prazer, essa alegria de visitar aquele jovem compositor dos 16 aos 20 anos de idade com canções tão complexas — melodias intrincadas, violão difícil de executar, letras que incomodam.Isso nasceu da intensidade dos shows do Aos Vivos que eu fiz no ano passado. Fiz mais de 70 shows voz e violão pelo Brasil, depois Portugal, Espanha, Suíça. Tenho muita intimidade com esse formato e pensei: acho que quero gravar aquelas canções tão complexas.

Ao chegar em São Paulo, percebi que elas dialogavam com algo que já existia lá, a vanguarda paulistana. Mas eu não queria me confundir com isso. Algo em mim reivindicava um espaço próprio. As canções eram herméticas, não comunicavam de imediato, e eu queria me comunicar na chegada a São Paulo.

Isso acabou gerando o primeiro disco Aos Vivos, que me define, define minha carreira e minha geração — Lenine, Zeca Baleiro, Paulinho Moska, Vitor Ramil, Zélia Duncan. Agora que tenho uma audiência ampla, sinto que posso mostrar essas canções. Duas conversas com Mayra Andrade também me encorajaram. Ela falava de um disco que remetia à Mayra do começo da carreira. Isso me inspirou a revisitar essas músicas.

FOFO nasce de um repertório escrito em períodos muito específicos da sua vida. Como essas vivências moldaram o tom do disco?

 Quando cheguei em São Paulo, percebi que aquelas canções tinham a cara de algo que já existia lá, mas eu não queria me confundir com a vanguarda paulistana. Isso foi criando em mim um perfil de artista menos fechado. As canções da minha adolescência — desse Cezinha que tinha acabado de chegar de Catolé do Rocha e vivia em João Pessoa — não são nada fofas. São intrincadas, inquietas, tristes às vezes, revoltadas.

A parceria com Chimamanda Ngozi Adichie chama atenção. Como surgiu essa conexão entre literatura e música, e de que forma o verso de Americanah influenciou o álbum?

 É mais uma citação do que uma parceria, mas muito forte. Eu estava em Paris lendo Americanah, que eu adoro. Há uma passagem em que o namorado tenta acalmar a personagem, e ela diz: ‘você é tão fofo’. Ele responde: ‘eu não quero ser fofo, eu quero ser a porra do amor da sua vida’. Parei imediatamente a leitura, corri pro violão e pensei: isso é música. Fiz a canção. Essa citação define a música e me encaminha para o disco.

O disco traz uma sonoridade densa e experimental. Como você enxerga essas tensões hoje, olhando para o Brasil atual e para sua trajetória?

Não há simplicidade, porque há minimalismo. O formato é minimalista, mas não é simples. As canções são difíceis, intrincadas. Isso dificultava a audição lá atrás, e não sei como vai ser agora.

Os ouvidos da nossa época estão habituados a discursos diretos. A prática perceptiva foi subutilizada. As coisas são rápidas, e essas canções não são assim. Requerem atenção.

Meu trabalho sempre teve algo complexo. Desde o Aos Vivos, com violão e letras complexas. Houve até rádio que se recusou a tocar músicas do disco De Uns Tempos Pra Cá, dizendo que era música de velho.

Não sei como vão receber essas canções de jovem numa época em que a música precisa comunicar em 20 segundos. Mas há espaço. Meu público cresceu comigo e tem gente nova buscando coisas mais complexas. É com esses que eu conto.

O formato voz e violão remete ao seu álbum de estreia. O que esse retorno representa artisticamente?

 O formato é minimalista, mas não é simples. As canções são difíceis. Tenho muita intimidade com voz e violão — fiz mais de 70 shows assim no ano passado. Isso me encorajou a revisitar essas canções.

Por que escolher o Recife para abrir a turnê? Qual sua relação com o público pernambucano?

 Paraíba e Pernambuco sempre estiveram muito irmanados. Já foram o mesmo território. Essa parceria entre artistas e gerações vem de longe. Ariano Suassuna, paraibano, construiu sua vida em Pernambuco. Jackson do Pandeiro e Sivuca trabalharam em rádio em Pernambuco.

A separação geográfica não aparta essa ligação. Tenho um amor imenso pelo público de Pernambuco. Acho os artistas muito criativos, livres. A pujança econômica do estado possibilita uma pujança cultural. As políticas públicas ajudam na formação de mentes pensantes.

Isso me encoraja a levar meus trabalhos por Pernambuco, por Recife — às vezes começando por aí. Um dos meus grandes mestres, Jomard Muniz de Brito, é pernambucano. Estrear FOFO confirma essa ligação.

O que o público pode esperar dessa turnê? Intimismo, memória, experimentação?

 Essas canções são complexas, intrincadas, herméticas. O formato é minimalista, mas exige atenção. Há espaço para elas porque meu público cresceu comigo e há jovens buscando complexidade. É uma mistura de tudo isso.

📌 Serviço

Chico César – Lançamento do álbum FOFO

📅 2 de maio de 2026

⏰ 20h

📍 Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81, Boa Vista, Recife

📞 Informações: (81) 99488-6833

🎟️ Ingressos (Sympla):

R$ 200 (inteira)

R$ 100 (meia)

Link: https://bileto.sympla.com.br/event/117858