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segunda-feira, março 01, 2021

Por que o lsolamento Social ainda é necessário? Os dados nos respondem

 

Em Pernambuco, a partir de agora, vigora o Toque de Recolher e a partir da próxima quarta será das 20h às 5h da manhã em todo o estado. Nos finais de semana, o lockdown é completo e só devem funcionar os serviços essenciais, como mercados, padarias, farmácias e postos de combustível.  Outras unidades da Federação também estão decretando medidas semelhantes para garantir o isolamento social, a exemplo do CearáDistrito Federal e Bahia. No entanto, cientistas são unânimes  ao afirmarem que o lockdown deve ser rígido e imediato.

Para melhor explicar o porquê do lockdown ser necessário, o blog lançou mão de dados e números diretamente do lnstituto de Redução de Riscos e Danos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (lRRD/UFRPE).  Com as ilustrações, dá para termos uma ideia da gravidade da situação em todo o Brasil. Os dados dos mapas e gráficos são do dia 25 de fevereiro de 2021 e os links inclusos no texto levam a matérias jornalísticas sobre  que está ocorrendo nos estados e municípios citados.



Os dados do mapa são de 25 de fevereiro de 2021 e mostram o número de casos no total, desde o começo da pandemia. Quanto mais o vermelho for intenso, maior o número de casos. A nota técnica afirma que em todos os 5570 municípios do Brasil há pelo menos um caso de Covid-19. As regiões de Manaus, BrasíliaPetrolina - PE, Rio de Janeiro e Pelotas - RS se destacam no mapa. Por fim, a nota técnica do mapa destaca o alto número de casos nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia 



 

A macabra estatística do número de mortes por Covid-19 atinge 5272 municípios, ou seja, 94,65% das cidades brasileiras têm ao menos uma vitima fatal. Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais são os que têm o maior número de óbitos. Situação grave, quando sabemos que a probabilidade de vítimas fatais no Brasil é maior do que em qualquer outro lugar do mundo .   

 



O gráfico mostra a evolução no número de casos no Brasil. O primeiro caso registrado no País foi no dia 26 de fevereirode 2020, quando um homem, morador da Cidade de São Paulo - e que havia regressado de uma viagem à ltália - apresentou os primeiros sintomas. O auge da primeira onda no Brasil ocorreu em 22 de julho de 2020. Houve uma queda dos números desde agosto até o final de outubro, o que acabou promovendo a flexibilização da quarentena em todo o Brasil. No fim de outubro, o Brasil estava em plena campanha das eleições municipais e os eventos invariavelmente geravam aglomerações. Em estados, como o de Pernambuco, a Justiça Eleitoral acabou por proibireventos de campanha. Coincidência ou não, os números voltaram a crescer desde então. Esperava-se um recuo no final de ano, no entanto, a flexibilização e a alegada “convivência” com o coronavirus na época acabou não restringindo o movimentotradicional do fim de ano. Resultado: registro de aglomerações e festividades clandestinas em todo o Brasil. E no dia 03 de janeiro foi registrado o segundo ápice no número de casos no Brasil. Estados tradicionalmente carnavalescos como Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco já haviam cancelado as festividades. Todavia, ainda tinha gente aglomerando em festas clandestinas ou viagens, apesar das medidas restritivas. E as consequências, claro, podem ser sentidas até agora.



 

 Numa curvatura semelhante ao número de casos, o número de mortes teve o primeiro auge no meio do ano passado, houve uma queda até o mês de outubro e a partir de eventos como as Eleições, as celebrações de Fim de Ano e o Carnaval - que apesar de oficialmente cancelado registrou festas em todo Brasil - acabaram trazendo um número maior de casos - e consequentemente de mortes. A BBC Brasil fez uma comparação que ilustra bem a gravidade da situação: 250 mil pessoas é o número de habitantes de cidades como Americana (SP), Novo Hamburgo (RS) ou ltaborai (RJ). Assim como é o número de habitantes de um pequeno pais, como São Tomé e Príncipe, na África.

E ainda:  

  • É como se a pandemia tivesse matado três Maracanãs lotados.
  • A pandemia matou até agora a mesma quantidade total de brasileiros que morreram de qualquer causa nos dois primeiros meses de 2019.
  • O número de mortos pela covid na pandemia é quase seis vezes maior do que o de mortos por homicídio no Brasil em todo o ano de 2020
  • É como se tivessem morrido 680 pessoas por dia desde que o primeiro caso de covid-19 foi registrado no Brasil. Isso equivale a 28 mortes por hora.

 



 

O gráfico acima mostra os números de casos (em azul) e mortes (em vermelho) por Covid-19 por cada unidade federativa do Brasil. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Amazonas, Paraná e Pernambuco estão entre os estados com maior número de mortes, enquanto Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro são os campeões em número de casos.

 


 


 

O Diagrama de Risco mostra que em todo o Brasil, a probabilidade de se contaminar com o coronavirus continua altíssima, ou seja, quanto mais vermelho for o gráfico, maior a possibilidade de se infectar, independente da unidade da federação. Enquanto a curva do diagrama de risco estiver na zona vermelha do gráfico, há um alto risco de infecção pelo COVID-19. Somente quando a curva chegar na zona verde pode-se considerar que a flexibilização das medidas de controle pode ser aplicada

A metodologia do estudo é através dos Diagramas de Risco, criada em conjunto com o grupo de Biologia Computacional e Sistemas Complexos - BIOCOMSC da Universidade Politécnica da Catalunya, na Espanha. Esses diagramas acompanham a evolução da pandemia e indicam quando as medidas restritivas podem ser flexibilizadas. Explicando melhor aos nossos leitores, a leitura dos pontos dentro das cores do gráfico mostra se o risco está baixo (cor verde), médio (amarelo) ou alto (em vermelho)

Todos os números e links mostrados até aqui são motivos mais do que suficientes para que o Brasil adote um rígido lockdown, não se restringindo ao Toque de Recolher noturno. Trata-se de um começo, pois visa combater aglomerações em ruas, bares, restaurantes e festas. Todavia, as atividades diurnas como a ida ao trabalho, o transporte coletivo e a abertura de escolas para aulas presenciais criam tendência para um maior número de infectados pelo coronavirus. 

Enquanto a vacina não chega para todos, os cuidados são os de sempre: lavar as mãos constantemente, usar o álcool gel, praticar o distanciamento social e sempre que sair de casa, usar a máscara.

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