Podcast Tais Paranhos

terça-feira, dezembro 31, 2019

8 ou 80: Um novo partido nas esquerdas no Brasil


Enquanto a extrema-direita brasileira anunciou a formação do partido Aliança pelo Brasil, as esquerdas agora contam com um novo grupo político, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), cujo número eleitoral é 80. No dia 10 de dezembro, a UP conseguiu o registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dessa forma, ela poderá já poderá participar das Eleições 2020 lançando candidaturas a prefeito e vereador.

A UP tem base formada por movimentos sociais dos mais variados segmentos, como o Movimento Negro, Grupos Feministas e Grêmios Estudantis. Seu presidente, Leonardo Péricles, de 37 anos, é de Belo Horizonte e se destaca por seu trabalho em movimentos antirracistas e de trabalhadores urbanos sem teto. Inclusive, ele vive em uma ocupação na capital mineira. 

Ao mesmo tempo em que outros partidos lutam para ter direito a registrar assinaturas eletrônicas, a UP conseguiu levantar 1 milhão e 200 assinantes, a maioria esmagadora de trabalhadores e integrantes dos mais diversos movimentos populares. O blog conversou com lideranças do novo partido e mostra para vocês de que forma elas pensam e sentem a política brasileira.

O Brasil tem oito partidos de esquerda: PT, PDT, PSB, PSol, PCB, PCdoB, PSTU, PCO e mesmo assim a UP não se sente representada por eles. “Não podemos esperar autocrítica de outros partidos, pois fizemos nossa parte e resgatamos a esquerda que usa o partido como instrumento de luta”, afirma Rafaela Correa, militante do Rio de Janeiro. Thiago, do diretório de Pernambuco complementa: “Um partido é ter um projeto para o país. E, na nossa visão, nenhuma dessas organizações políticas tem um programa como o da Unidade Popular”.

O partido já nasce com um desafio, o de ser oposição ao atual governo federal. “O fundamental, na nossa opinião, é a resistência nas ruas, a mobilização, e é nisso que podemos ajudar mais nesse momento inicial. Colocar o povo na rua é a principal tarefa para derrotar as retiradas de direitos do povo trabalhador. Nosso principal debate com os outros partidos é sobre não se limitar a atuação no congresso, ampliar a democracia para as ruas”, finaliza Fábio Antônio, de Goiás, integrante do diretório nacional.