🎤 “Foi um divisor de águas na minha trajetória como educador, como artista, como músico”, conta Allan Pevirguladez, professor no Rio de Janeiro e criador do projeto MPBIA — Música Popular Brasileira Infantil Antirracista. A iniciativa nasceu a partir da repercussão da canção Meu Cabelo é Bem Bonito, que viralizou entre crianças e educadores e revelou uma lacuna na música infantil brasileira: a ausência de representatividade e de narrativas que valorizem a identidade negra e indígena desde a infância.
📚 “Percebi que havia uma urgência em criar repertórios que dialogassem com a infância de forma antirracista. A música me mostrou esse caminho”, explica Allan. A partir desse insight, ele passou a compor novas canções, observando o cotidiano dos alunos e pesquisando abordagens que pudessem fortalecer valores e identidades. “Não tem parâmetro. É tudo muito novo. O álbum da MPBIA é o primeiro infantil antirracista da história da música”, afirma.
🏫 O projeto cresceu e hoje realiza oficinas gratuitas em escolas públicas por todo o Brasil. Desde 2023, já impactou mais de 130 instituições e cerca de 21 mil alunos, a maioria crianças e pré-adolescentes. “Às vezes chego numa escola e a mãe de um aluno está lá pra assistir. É muito louco. Gratificante demais”, celebra o professor.
🌍 A repercussão da música ultrapassou fronteiras. “Cheguei na Colômbia de férias e fui reconhecido por professores que começaram a cantar a música na praia. Já recebi mensagens de mães dizendo que a canção salvou a infância da filha delas. Isso é indescritível”, compartilha Allan, emocionado.
💬 A responsabilidade de abordar temas sociais profundos na música infantil é grande. “Não basta só talento. Às vezes um verso pode comprometer toda a proposta. Por isso, cada letra é feita com muito cuidado, estudo e afeto”, explica. Ele destaca que muitos artistas evitam essas temáticas por medo ou falta de conhecimento, mas acredita que o MPBIA está abrindo caminhos.
🚀 E o futuro promete ainda mais. Novas músicas estão sendo produzidas e lançadas nas plataformas digitais para ampliar o repertório disponível a educadores e responsáveis. “Queremos estar nos cinco cantos do país com nossa mensagem, nossa música, nossa oficina”, diz Allan. Parcerias com artistas e apoiadores estão em andamento, e o projeto segue firme em sua missão de transformar a infância brasileira com arte e consciência.
🧒🏾 “Que a infância não seja algo doloroso para uma criança negra ou indígena, mas sim algo saudável, que fortaleça suas identidades e seus valores”, conclui Allan Pevirguladez, com a convicção de quem sabe que está fazendo história — uma canção de cada vez.
1️⃣ Como surgiu a ideia do MPBIA e qual foi o momento decisivo para transformar essa iniciativa em um projeto maior?
A ideia do MPBIA nasceu com a canção "Meu Cabelo é Bem Bonito". Foi a primeira música que criei com foco na infância e teve um impacto tão profundo que percebi uma lacuna na música popular brasileira voltada para crianças, especialmente no que diz respeito à representatividade e à educação antirracista. Esse foi o ponto de virada: entender que havia uma urgência em criar um repertório que dialogasse com essas questões e pudesse fortalecer identidades desde cedo.
2️⃣ A música "Meu Cabelo é Bem Bonito" viralizou e impactou muitas crianças. Como foi a repercussão dessa canção na sua trajetória?
Essa música foi um divisor de águas na minha trajetória como educador e artista. Ela me levou a lugares que eu nunca imaginei: desde ser reconhecido por professores na praia na Colômbia até receber mensagens de mães dizendo que a canção salvou a infância de suas filhas. Hoje, ela é uma espécie de guia do meu trabalho, me conecta com as pessoas e me mostra o poder transformador da arte.
3️⃣ A música infantil pode ser uma ferramenta poderosa na educação antirracista. Como você pensa a construção das letras para alcançar esse objetivo?
A construção das letras parte de muita observação do cotidiano dos meus alunos, pesquisa e estudo. Como não há muitos trabalhos anteriores com esse foco, cada verso precisa ser pensado com cuidado. Uma palavra mal colocada pode comprometer toda a proposta. Por isso, o repertório do MPBIA é feito com responsabilidade e afeto, buscando curar e ressignificar vivências de crianças negras, indígenas e pardas.
4️⃣ O projeto leva apresentações gratuitas para escolas públicas. Como tem sido a recepção das crianças e dos educadores diante dessas ações?
A recepção tem sido emocionante. Já passamos por mais de 130 escolas públicas, impactando cerca de 21 mil alunos. Em muitos lugares, mães vão às oficinas para assistir junto com os filhos. O interesse é tão grande que temos mais de 620 escolas inscritas no formulário do projeto. O carinho dos gestores, professores e responsáveis é um combustível para continuar.
5️⃣ Você já recebeu algum depoimento emocionante de pais ou professores sobre o impacto da sua música na vida das crianças?
Recebo quase toda semana algum relato tocante. Já ouvi de uma vereadora que a música salvou a infância da filha dela. Mães me mandam vídeos de bebês cantando, crianças se arrumando animadas para ir à escola porque sabem que “o tio da música do cabelo” vai estar lá. Esses momentos são indescritíveis e me mostram que o trabalho está cumprindo seu propósito.
6️⃣ Quais são os desafios de produzir música infantil que dialogue com temas sociais profundos, como identidade e diversidade?
São muitos. A responsabilidade é enorme, porque não há um repertório anterior que sirva de referência. A maioria das músicas infantis parte de um lugar de ingenuidade e evita temas como racismo e identidade. Produzir esse tipo de conteúdo exige estudo, sensibilidade e coragem para enfrentar o desconhecido e propor novas narrativas.
7️⃣ O que podemos esperar para o futuro do MPBIA? Há novos projetos ou colaborações a caminho?
Sim! Estamos produzindo novas músicas e lançamentos para ampliar o repertório nas plataformas digitais. A ideia é que educadores e responsáveis tenham cada vez mais ferramentas para trabalhar a educação racial com as crianças. Já estivemos em cidades como Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, e queremos alcançar todos os cantos do país. Há parcerias sendo construídas com artistas e apoiadores, e o desejo é que o MPBIA tenha vida longa e continue transformando realidades.
📸 Reprodução Instagram @mpbianasescolas
🎥 Reprodução Instagram @mpbianasescolas