sábado, 24 de janeiro de 2026

🎬 “Entre Limões e Limonadas”: Clélia Bessa abre o coração ao Blog Taís Paranhos sobre transformar sua história em cinema


🍋 A produtora Clélia Bessa conversou com o Blog Taís Paranhos sobre o processo de transformar sua vivência com o câncer de mama em arte. Ela explicou que revisitar essa fase exigiu coragem, mas também trouxe a chance de ressignificar uma experiência dura. “O maior desafio para a gente foi não fazer um filme pesado”, afirmou. Para Clélia, contar sua história era uma forma de acolher outras mulheres e naturalizar o tema. O cinema, segundo ela, tornou-se uma ponte entre dor, humor e humanidade.

🎭 Ao falar sobre o equilíbrio entre drama e leveza, Clélia destacou que essa mistura reflete a própria vida. “A vida não é engraçada o tempo inteiro, nem dramática o tempo inteiro. É feita de nuances”, disse. Para ela, o humor é uma ferramenta poderosa no enfrentamento do câncer. “O humor é uma porta de entrada muito poderosa”, completou. Essa combinação deu origem ao tom de “dramédia” que marca o filme. A intenção sempre foi transmitir verdade sem perder sensibilidade.

✨ Sobre o comprometimento da equipe, Clélia relembrou o impacto de ver Suzana Pires raspar o cabelo de verdade para interpretar Clara. “Não dá para fazer um filme como esse sem um nível de comprometimento bastante efetivo”, afirmou. Ela destacou também o ambiente de delicadeza no set, conduzido pela diretora Rosane Svartman. “Sem querer, sem combinar, a gente já foi acordando esse tipo de situação”, contou. O cuidado coletivo ajudou a tratar o tema com respeito e profundidade.

💗 O retorno do público tem sido uma das partes mais emocionantes dessa jornada. “Eu teria milhares de histórias para contar”, disse Clélia, lembrando das rodas de conversa após as exibições. Entre os relatos mais marcantes, ela cita o de “uma paciente de 15 anos, muito jovem” e o de “uma senhora que perdeu todas as filhas por câncer de mama”. Para a produtora, esses encontros reforçam a importância de falar sobre o tema e acolher diferentes trajetórias. Cada depoimento reafirma o propósito do filme.

🎥 Como produtora, Clélia já viveu muitas experiências, mas afirma que este foi um dos projetos mais especiais. “Provavelmente foi um dos filmes mais importantes que eu consegui produzir”, declarou. Por ser baseado em sua própria história, ela pôde atuar mais diretamente na produção criativa. “Pude dar opinião no roteiro, ajudar a escrever cenas”, contou. Ela acredita que o cinema tem papel fundamental na desmistificação do câncer. “Precisamos falar sobre isso. Somos 75 mil mulheres por ano no Brasil”, alertou.

🌱 Ao refletir sobre o que aprendeu, Clélia diz que o filme confirmou que ela fez a escolha certa. “O filme me transformou, como eu espero que transforme a vida de algumas pessoas”, afirmou. Sua mensagem para quem enfrenta o câncer é clara e cheia de esperança: “O câncer não é uma sentença de morte. É preciso reconsiderar a rota e fazer do limão uma limonada”. Para ela, a jornada pode trazer ainda mais vontade de viver. É uma mensagem de força, reinvenção e vida.

🎞️ Informações sobre o filme Câncer com Ascendente em Virgem
- Direção: Rosane Svartman  
- Roteiro: Suzana Pires  
- Produção: Clélia Bessa  
- Gênero: Dramédia  
- Sinopse: Inspirado na história real de Clélia Bessa, o filme acompanha Clara, uma mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama e precisa reorganizar sua vida, equilibrando humor, medo, afeto e autodescoberta.  

🎬 Clélia Bessa segue ativa em diversos projetos no audiovisual, produzindo obras que vão do drama ao infantil, como  O Nascimento de Helô Teixeira e a animação Vovó Tatá. Ela também está por trás de Carolina, longa sobre Carolina Maria de Jesus dirigido por Jeferson De e estrelado por Taís Araújo. Entre seus trabalhos recentes aparecem títulos como Cedo Demais, Madalena, Pluft e Missão Cupido, além do pioneiro Álbum em Família, filmado remotamente na pandemia. A produtora ainda desenvolve projetos como um documentário sobre violência sexual contra crianças e Lotomania. Sua atuação pela Raccord Produções mantém uma linha consistente de obras relevantes, plurais e socialmente engajadas. Que tal acompanhar a entrevista que ela concedeu ao Blog Taís Paranhos?


Qual foi o maior desafio durante o processo de adaptação da sua história para o cinema?
O maior desafio para a gente foi não fazer um filme pesado, trazer uma leveza para um assunto tão duro para boa parte das mulheres.

O filme equilibra humor e drama de maneira muito autêntica. Como você vê o papel do humor no enfrentamento do câncer?
O humor é muito poderoso, é uma porta de entrada muito poderosa.  Quando você equilibra o humor com o drama, que é o que a gente considera uma dramédia, você consegue trazer a medida certa, assim como a minha vida.  A vida não é engraçada o tempo inteiro, nem dramática o tempo inteiro. É feita de nuances, de camadas. Essa foi a intenção do filme.

Suzana Pires raspou o cabelo de verdade para interpretar Clara. Qual foi sua reação ao ver esse nível de comprometimento com o papel?
A Suzana era roteirista, então quando escreveu a cena ela sabia o que teria que fazer.  Não dá para fazer um filme como esse, com esse tema, sem um nível de comprometimento bastante efetivo.  Suzana é uma grande atriz. Foi um set rodeado de delicadeza. Rosane, a diretora, também é extremamente delicada. Sem querer, sem combinar, a gente já foi acordando esse tipo de situação.

A história do filme dialoga com muitas mulheres que enfrentam o câncer de mama. Qual foi o feedback mais marcante que recebeu do público?
Eu teria milhares de histórias para contar.  
Cada exibição do filme com público, seguida de roda de conversa, foi inesquecível.  Uma paciente de 15 anos, muito jovem, me marcou muito com seu depoimento.  
Também uma senhora que perdeu todas as filhas por câncer de mama. São depoimentos muito fortes, de perdas e de novas rotas que a vida tem que dar.

Como produtora, você já trabalhou em vários projetos. Em que Câncer com Ascendente em Virgem se diferencia das suas produções anteriores?
Eu estou sempre em busca de boas histórias.  
Por ser baseada numa história que eu vivi com muita aderência, provavelmente foi um dos filmes mais importantes que consegui produzir.  Eu estava muito perto, pude trabalhar a produção criativa com mais afinco — dar opinião no roteiro, ajudar a escrever cenas. Isso foi o diferencial.

Você acredita que o cinema pode ajudar na conscientização e desmistificação do câncer? Qual foi sua intenção principal com esse filme?
Nós precisamos falar sobre isso. Somos 75 mil mulheres por ano no Brasil.  Desmistificar uma doença que atinge um grande número de mulheres é fundamental.  Essa foi uma das intenções principais: naturalizar, tirar o câncer do armário, fazer com que mais pessoas percam o medo e principalmente o preconceito.

O que você aprendeu sobre si mesma durante esse processo de transformar sua história em arte?
Todos os filmes nos dão lição.  Eu já tinha vivido uma transformação e, com o filme e os depoimentos, tive certeza de que fiz a escolha certa. O filme me transformou, como eu espero que transforme a vida de algumas pessoas.

Se pudesse deixar uma mensagem para quem está passando por essa jornada, qual seria?
O câncer não é uma sentença de morte. É preciso reconsiderar sua rota e fazer do limão uma limonada.  
É uma mensagem de vida. O câncer é uma jornada que pode trazer muito mais vontade de viver.

📸 Fotos: Reproduções do Instagram da Clélia Bessa