terça-feira, 11 de agosto de 2020

Covid-19: O perigo da pandemia no Nordeste ainda não passou

Enquanto Estados e municípios estão, aos poucos, flexibilizando a economia e as pessoas continuam saindo às ruas, o Comitê Científico de Combate ao Coronavírus lançou novo boletim com dados novos da situação da pandemia no Nordeste. Em outras palavras: Parece que está tudo voltando ao normal, mas o risco da pandemia ainda é muito alto na região.

As conclusões do boletim são as seguintes:

Não existem evidências científicas baseadas nos dados enviados pelas Secretarias de Saúde dos estados de que, no geral, haja tendência irreversível de decréscimo de infectados pela COVID-19, uma vez que os valores médios do risco epidêmico R(t) por estado ainda estão superiores a 1.0 (um), implicando que cada individuo infectado continua infectando pelo menos outra pessoa. O ideal é que os valores de R(t) sejam menores que 1.0 (um), tendendo a 0 (zero), o que significaria um controle total da pandemia. O risco de descontrole e volta do aumento dos níveis da pandemia não está descartado; 

Existem tendências da diminuição lenta dos números de infectados e, principalmente, de óbitos nas capitais onde as medidas de isolamento social (lockdown) foram mais efetivas, embora não seja ainda recomendável o relaxamento progressivo dessas medidas de isolamento, uma vez que podem causar o chamado efeito “bumerangue”.  Isso significa a volta da pandemia em larga escala, proveniente de casos graves vindos do interior dos estados, correndo-se o risco dessa segunda onda ser até mais severa que a primeira fase. Quaisquer medidas a serem tomadas devem observar as recomendações das projeções feitas neste relatório para os estados; 

Por outro lado, mesmo com diminuição da taxa de infestação, principalmente nas capitais, tem-se observado que a pandemia está se deslocando para o interior, onde o controle via lockdown é mais difícil de ser realizado, pois as pessoas estão menos informadas que nas capitais sobre a gravidade da pandemia; 

As informações provenientes da Secretarias Estaduais de Saúde não são padronizadas, o que aumenta o grau de incerteza na modelagem por estado e, consequentemente, os resultados para o Nordeste podem ficar comprometidos. Deve haver por parte do Consórcio do Nordeste uma tentativa de padronização desses dados, pois medidas a serem tomadas são influenciadas diretamente por previsões resultantes dos processos de modelagem; 


Mesmo que haja padronização dos dados entre as Secretarias Estaduais de Saúde, o ideal é que os registros de número de infectados e óbitos correspondam ao real dia em que ocorreram, e não quando foram constados nos exames laboratoriais. Estudos preliminares dentro do Subcomitê de Modelagem do Comitê Científico-NE mostram que as curvas resultantes da modelagem realizada, considerando-se o dia em que ocorreu o evento e o dia em que o evento foi registrado, são diferentes. Essa diferença, portanto, pode modificar significativamente os comportamentos das previsões por estado. O ideal é que cada estado tenha esse controle pelo dia real da ocorrência do evento, pois decisões tomadas com base nesses dados são mais precisas e reais. O Subcomitê de Modelagem do Comitê Científico-NE reconhece que esse tipo de registro é mais complicado, mas é fundamental para aumentar as precisões futuras, uma vez que se está trabalhando com uma pandemia de comportamento ainda desconhecido, pois, em modelagem, a existência de eventos semelhantes ocorridos no passado contribui para a modelagem de previsões futuras. A existência do registro do evento no dia em que ele ocorreu certamente vai diminuir as incertezas das previsões. 

Vale a pena salientar que todos os estados do Nordeste estão tratando a pandemia com as devidas precauções e que as Secretarias Estaduais de Saúde estão colaborando com o fornecimento de dados para o Consórcio do Nordeste, pois não existem fronteiras físicas para a pandemia.   

Todas as informações, com dados, gráficos e números podem ser vistas no boletim do Comitê Científico: https://www.comitecientifico-ne.com.br/

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