quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

🧩 Quando o diagnóstico chega tarde: a luta invisível das mulheres autistas


🟣 Por décadas, mulheres autistas permaneceram à margem das estatísticas e dos consultórios, encobertas por estereótipos e expectativas sociais rígidas.  
Meninas comunicativas, empáticas e com bom desempenho escolar eram vistas como “boas demais” para estar no espectro.  Esse mito, ainda presente, mascara sinais importantes e adia diagnósticos fundamentais.  Especialistas apontam que o fenômeno é estrutural e afeta milhares de brasileiras.  A invisibilidade começa cedo e se estende pela vida adulta.

🟡 A camuflagem social — o chamado masking — é um dos principais fatores dessa invisibilidade.  
Desde pequenas, muitas meninas aprendem a observar e imitar comportamentos para se encaixar.  A psiquiatra Isla Queiroz (foto) explica que essa adaptação funciona como estratégia de sobrevivência.  Elas estudam expressões, ensaiam respostas e tentam decifrar códigos sociais não intuitivos.  Por fora, parecem seguras; por dentro, enfrentam desgaste profundo.

🟢 A situação se torna ainda mais complexa quando entra em cena a dupla excepcionalidade (2e).  
Nesses casos, altas habilidades cognitivas coexistem com desafios típicos do autismo.  Meninas consideradas “inteligentes” ou “responsáveis” acabam escondendo sinais de sofrimento.  O resultado, segundo especialistas, é um diagnóstico que só chega após os 25, 30 ou até 40 anos.  A inteligência elevada mascara dificuldades reais e atrasa o reconhecimento do espectro.

🔵 O preço emocional da camuflagem é alto e frequentemente mal interpretado.  A sobrecarga sensorial e mental pode evoluir para burnout autista, ansiedade intensa e depressão.  Muitas mulheres passam anos tratando sintomas isolados, sem melhora consistente.  Isso ocorre porque a raiz do sofrimento — o autismo não identificado — permanece oculta.  A semelhança com outros transtornos também confunde profissionais e pacientes.

🟠 A diferenciação clínica exige cuidado, já que sintomas podem se sobrepor.  Na ansiedade social, o medo do julgamento é central; no autismo, a dificuldade está na leitura social.  No Transtorno de Personalidade Borderline, oscilações emocionais surgem do medo de abandono.  No autismo, elas derivam da sobrecarga sensorial e do esforço de adaptação.  Além disso, até 70% das mulheres autistas também têm TDAH, o que complica o diagnóstico.

🟤 O caminho até o diagnóstico costuma ser longo e solitário para muitas mulheres.  Enquanto meninos são identificados na infância, elas chegam ao consultório já exaustas.  A descoberta tardia, porém, é frequentemente libertadora e transformadora.  É o momento em que a vida passa a fazer sentido e o cansaço ganha nome.  O diagnóstico se torna reencontro, não limitação.

🟣 Pesquisas recentes mostram que o autismo feminino possui um fenótipo próprio.  Mais sutil, introspectivo e adaptado ao ambiente, ele historicamente passou despercebido.  Os critérios diagnósticos foram construídos a partir de estudos majoritariamente masculinos.  Reconhecer o autismo feminino é reconhecer a diversidade humana e suas nuances.  
É compreender que essas mulheres não precisam ser corrigidas, mas acolhidas.

🟢 Para especialistas, cresce a urgência de uma abordagem neuroafirmativa.  Essa perspectiva valoriza diferenças neurológicas em vez de patologizá-las.  Ela propõe cuidado baseado em evidências, respeito e autonomia.  Instituições dedicadas ao tema têm ampliado o debate e o acesso ao diagnóstico.  O objetivo é garantir que essas mulheres sejam vistas, ouvidas e compreendidas.

📌 Serviço – Instituto IAN
- 📍 Local: RioMar Trade Center, Recife  
- 🧠 Público: adolescentes e jovens adultos neurodivergentes de Nível 1 e pessoas LGBTQIAPN+  
- 🧩 Atuação: clínica, pesquisa, educação e apoio à funcionalidade  
- 🌈 Abordagem: transdisciplinar, neuroafirmativa e baseada em evidências  
- 🔗 Mais informações: www.institutoian.com.br 
Instagram: @ianinstituto