🟣 Por décadas, mulheres autistas permaneceram à margem das estatísticas e dos consultórios, encobertas por estereótipos e expectativas sociais rígidas.
Meninas comunicativas, empáticas e com bom desempenho escolar eram vistas como “boas demais” para estar no espectro. Esse mito, ainda presente, mascara sinais importantes e adia diagnósticos fundamentais. Especialistas apontam que o fenômeno é estrutural e afeta milhares de brasileiras. A invisibilidade começa cedo e se estende pela vida adulta.
🟡 A camuflagem social — o chamado masking — é um dos principais fatores dessa invisibilidade.
Desde pequenas, muitas meninas aprendem a observar e imitar comportamentos para se encaixar. A psiquiatra Isla Queiroz (foto) explica que essa adaptação funciona como estratégia de sobrevivência. Elas estudam expressões, ensaiam respostas e tentam decifrar códigos sociais não intuitivos. Por fora, parecem seguras; por dentro, enfrentam desgaste profundo.
🟢 A situação se torna ainda mais complexa quando entra em cena a dupla excepcionalidade (2e).
Nesses casos, altas habilidades cognitivas coexistem com desafios típicos do autismo. Meninas consideradas “inteligentes” ou “responsáveis” acabam escondendo sinais de sofrimento. O resultado, segundo especialistas, é um diagnóstico que só chega após os 25, 30 ou até 40 anos. A inteligência elevada mascara dificuldades reais e atrasa o reconhecimento do espectro.
🔵 O preço emocional da camuflagem é alto e frequentemente mal interpretado. A sobrecarga sensorial e mental pode evoluir para burnout autista, ansiedade intensa e depressão. Muitas mulheres passam anos tratando sintomas isolados, sem melhora consistente. Isso ocorre porque a raiz do sofrimento — o autismo não identificado — permanece oculta. A semelhança com outros transtornos também confunde profissionais e pacientes.
🟠 A diferenciação clínica exige cuidado, já que sintomas podem se sobrepor. Na ansiedade social, o medo do julgamento é central; no autismo, a dificuldade está na leitura social. No Transtorno de Personalidade Borderline, oscilações emocionais surgem do medo de abandono. No autismo, elas derivam da sobrecarga sensorial e do esforço de adaptação. Além disso, até 70% das mulheres autistas também têm TDAH, o que complica o diagnóstico.
🟤 O caminho até o diagnóstico costuma ser longo e solitário para muitas mulheres. Enquanto meninos são identificados na infância, elas chegam ao consultório já exaustas. A descoberta tardia, porém, é frequentemente libertadora e transformadora. É o momento em que a vida passa a fazer sentido e o cansaço ganha nome. O diagnóstico se torna reencontro, não limitação.
🟣 Pesquisas recentes mostram que o autismo feminino possui um fenótipo próprio. Mais sutil, introspectivo e adaptado ao ambiente, ele historicamente passou despercebido. Os critérios diagnósticos foram construídos a partir de estudos majoritariamente masculinos. Reconhecer o autismo feminino é reconhecer a diversidade humana e suas nuances.
É compreender que essas mulheres não precisam ser corrigidas, mas acolhidas.
🟢 Para especialistas, cresce a urgência de uma abordagem neuroafirmativa. Essa perspectiva valoriza diferenças neurológicas em vez de patologizá-las. Ela propõe cuidado baseado em evidências, respeito e autonomia. Instituições dedicadas ao tema têm ampliado o debate e o acesso ao diagnóstico. O objetivo é garantir que essas mulheres sejam vistas, ouvidas e compreendidas.
📌 Serviço – Instituto IAN
- 📍 Local: RioMar Trade Center, Recife
- 🧠 Público: adolescentes e jovens adultos neurodivergentes de Nível 1 e pessoas LGBTQIAPN+
- 🧩 Atuação: clínica, pesquisa, educação e apoio à funcionalidade
- 🌈 Abordagem: transdisciplinar, neuroafirmativa e baseada em evidências
- 🔗 Mais informações: www.institutoian.com.br
Instagram: @ianinstituto