segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

🥁 Baquetas, Gols e Memórias: A Versátil Batida de André Chiesa 🎶


🎵 A música e o futebol sempre dividiram o coração de André Chiesa, mas foi a bateria que acabou vencendo essa disputa. Natural de Santa Vitória do Palmar (RS), na fronteira com o Uruguai, o músico, de (quase) 44 anos, transformou uma encruzilhada da adolescência em uma carreira de mais de duas décadas. Hoje, direto de seu estúdio em Joinville (SC), ele não apenas toca: ele desperta memórias afetivas de uma geração inteira ao revisitar aberturas de programas, novelas e desenhos que marcaram os anos 80 e 90.

⚽ O acaso teve papel decisivo na virada de chave da carreira. Apesar da forte influência musical da família — do avô ao irmão produtor —, André parecia destinado aos gramados. “Eu fiz testes para jogar futebol e passei, mas na música eu ganhava um troquinho, e no futebol eu tinha que pagar para treinar”, relembra. A mudança definitiva veio em 2001, quando, ainda percussionista, foi convocado às pressas para substituir o baterista ausente de uma banda. “Fiz o show de um jeito singelo, para não comprometer. Ali meu colega disse: ‘a partir de hoje, tu é o baterista da minha banda’”.

🏙️ A mudança para Joinville, no fim de 2019, trouxe novos desafios. Acompanhando a residência médica da esposa, André desembarcou em Santa Catarina às vésperas da pandemia — e passou dois anos longe do instrumento. A retomada veio com a construção de um estúdio próprio e uma leitura afiada do universo digital. Ao perceber que conteúdos técnicos sobre bateria já saturavam a internet, encontrou seu diferencial ao unir música e nostalgia. “Demorei a entender que meu canal não era só sobre bateria, mas sobre nostalgia. A bateria era o terceiro ou quarto item na hierarquia”, conta.

📺 Com cerca de 200 aberturas gravadas, André transformou lembranças em linguagem viral. Vestindo camisas de sua coleção — especialmente as do Brasil de Pelotas, seu time do coração — ele recria temas complexos com precisão e carisma. O resultado é uma conexão emocional imediata com o público, que reconhece nas batidas a trilha sonora da própria infância.

🥁 Por trás da leveza dos vídeos, há rigor técnico. Entre as aberturas mais desafiadoras, André destaca Os Trapalhões, que mistura orquestra, jazz e samba-enredo, além dos temas de Os Flintstones e Os Jetsons. “O jazz não estava na minha raiz. Tive que estudar técnicas específicas para gravar com qualidade”, explica. O esforço rendeu reconhecimento: filhos de Chico Anysio, bateristas de bandas como Charlie Brown Jr., Raimundos e Tijuana, atores de novelas e até a atriz que interpretou a namorada de Marty McFly em De Volta para o Futuro já interagiram com seu trabalho.

🎧 Agora, com a chegada da primeira filha, o foco se volta para a expansão online. Ex-professor do Conservatório de Belas Artes de Joinville, André aposta em aulas e gravações remotas para artistas do mundo todo. Mas o desejo pelos palcos continua pulsando. “Tenho uma vontade muito grande de acompanhar algum artista e sair novamente em turnê”, confessa.

✨ Enquanto o próximo convite não chega, André segue ditando o ritmo da nostalgia na internet, provando que uma boa batida — assim como uma boa lembrança — é sempre atemporal. André Acosta Chiesa, é casado e pai de dois filhos — o adolescente Otávio e a recém-nascida Manuela. Guiado por uma filosofia simples e direta, ele leva para a vida sua frase favorita: “Vai lá e faz!”
Quer conhecer ainda mais sobre essa trajetória inspiradora? Confira a entrevista completa com o baterista André Chiesa!


De onde vem a sua paixão pela música ?
Bom, então a minha paixão pela música, ela vem de família, né? Eu sou de uma família de músicos, desde o meu avô, tenho um irmão mais velho que é músico profissional há muitos anos, é produtor, tem estúdio lá no Rio Grande do Sul. Eu sou gaúcho, apesar de morar em Santa Catarina, sou gaúcho de Santa Vitória do Palmar, que é uma cidade que faz divisa com o Uruguai, a última cidade antes do Chuí. Quando a gente fala do Oiapoque ao Chuí, o Chuí, é onde eu nasci. É 15 quilômetros da minha cidade ali.
Então, a minha família toda já vinha com essa coisa da música. Eu tinha isso em casa, instrumentos e tal, e achava que não seria música. Eu olhava o meu irmão mais velho, a gente dormia no mesmo quarto e tal, até adolescência, E eu olhava pra rotina dele, assim, como músico, músico da noite, assim, né? De tocar nas madrugadas, por aí. E eu olhava e dizia, cara, meu Deus do céu, não é vida pra mim isso.
Eu sempre joguei futebol, muito assim, e na minha adolescência eu fiz alguns testes pra ser jogador e passei. Só que por coincidência da vida, Eu comecei a acompanhar o meu irmão nos shows que ele fazia. Como roadie, né? Como o cara que carrega as coisas, como carregador das coisas ali. Só que nisso, meio que por osmose, a gente vai aprendendo meio sem querer, querendo, assim, sabe? A gente vai aprendendo uma coisinha ou outra.
Aí eu ganhei um pandeiro de presente do meu avô, mas meu avô por parte de mãe. e tinha um violão em casa e, enfim, o meu irmão tecladista tinha um teclado em casa também. Então, as coisas foram começando a acontecer meio naturalmente, assim, meio quando eu menos percebia, eu dei uma canja numa madrugada num cara que tava tocando pandeiro e eu já sabia tocar, e esse músico pediu pra eu voltar na semana que vem, no mesmo lugar lá, daí eu fui, E assim foi indo, voltei na outra semana, na outra semana. E aí um momento ele me perguntou se eu tinha algum instrumento percussivo em casa. Enfim, em questão de um mês eu saí do nada para estar tocando na noite percussão acompanhando um músico que fazia voz e violão. Então esse foi o meu começo.
Eu passei ali durante mais ou menos um ano, um ano e meio, comprando instrumentos de percussão, tocando percussão já na noite, mas sempre com foco na bateria, sempre gostei muito da bateria, montava aquelas coisas com panelas e baldes e caixas, quando criança, assim, pegava as agulhas de tricô da minha mãe, usava como baqueta, mas isso na infância, assim, né? Sempre gostei muito, Mas nunca me imaginava como um músico, verdadeiramente.
Aí num certo momento, esse músico que eu tocava percussão com ele, ele também tinha uma banda e o baterista não pôde ir no show. E como eu já o acompanhava, já conhecia as músicas do repertório, ele me desafiou: “Cara, faz a bateria hoje”. Nem foi um desafio, foi meio que uma exigência. “Faz a bateria hoje pra mim porque o fulano não vai poder nos acompanhar”. E era um show fora da cidade onde eu morava. Enfim, não tinha muito como resolver se não fosse eu mesmo, entendeu? E aí eu fui, fiz o show, né? Daquele jeito bem singelo, procurando não comprometer o evento, não comprometer o show, né?
Enfim, deu certo.
E aí, a partir daquele momento, ele disse, “cara, por mim, a partir de hoje, tu és o baterista da minha banda e vamos dar um jeito de comprar uma bateria pra ti”. E aí começou. Aí eu comecei a estudar bateria, comecei a fazer aula, comecei a procurar, comecei a me dedicar muito tempo em cima do instrumento e as coisas foram acontecendo. Ao longo desses anos todos, isso foi em 2001, são 24 anos, bota aí um ano de percussão, 23 anos e “alguns quebrados” de bateria.

Você tem um estilo muito único nas redes sociais. Como surgiu a ideia de tocar aberturas de programas de TV e hinos de clubes?
Bom, então, aí... Em 2019, eu ainda na minha cidade, eu morei quase 30 anos numa cidade chamada Pelotas, no Rio Grande do Sul. Foi lá que eu fiz a minha carreira como músico, como instrumentista, foi lá que eu comecei a tocar na noite, foi lá que eu tive as minhas bandas autorais, gravei disco, toquei em festivais, enfim.
Então a minha esposa, na época namorada, veio para Santa Catarina para fazer uma residência médica. Ela já tinha se formado na faculdade, enquanto eu ainda fazia faculdade lá em Pelotas, e ela veio para a residência. E eu tive que optar entre vir para Santa Catarina e ter a minha relação com ela ou ficar em Pelotas e a minha história com ela acabava naquele momento. E eu optei por vir.
E aí cheguei aqui no final de 2019 e logo depois da virada do ano aconteceu a pandemia, né?
Então eu passei dois anos sem montar minha bateria, sem estudar, sem tocar, sem fazer nada, numa cidade nova, Joinville é a cidade onde eu moro hoje, e enfim, fiquei numa fase basicamente nula na minha carreira, no meu contato com o instrumento. E chegando, passando esse período todo, a gente acabou comprando uma casa e nessa casa eu consegui montar um espaço para voltar a estudar e começar a me desenvolver novamente como baterista.
No primeiro momento eu comecei a fazer os vídeos de dicas, de dicas de técnicas, de teoria, de prática. E logo no início eu já vi que esse tipo de vídeo, ele era um vídeo que todo mundo fazia. Eu sabia que seria muito difícil. Eu estava voltando a tocar novamente, depois de dois anos parado, competir com tanta gente boa, E, hoje em dia, tem crianças de sete, oito anos que já tocam como se tocassem há 30 anos.
É uma coisa absurda, né? Os jovens de hoje se desenvolvem muito mais rápido, né? Por várias questões, né? Mas pela acessibilidade aos conteúdos, aos materiais, aos instrumentos, ficaram mais acessíveis também.
Então, num certo dia, num certo momento, eu ouvi um vídeo de um cara que fazia violão clássico, tocando os temas de videogame, e quando comecei a desenvolver, eu achei que poderia ir muito mais além do videogame e temas clássicos de filmes, novelas, e pensei, cara, pensando no Brasil, Como a gente tem uma história com a televisão aberta muito próxima da nossa geração, dos anos 80 e 90, eu achei que cabia perfeitamente bem assim.

Sua coleção de camisas de futebol é enorme! Qual a história por trás disso? Alguma camisa especial para você?
Então, sobre a coleção de camisas, a coleção de camisas foi acontecendo também. Ao longo desses, sei lá, 20 anos, talvez um pouco menos por aí. Eu comecei a comprar algumas camisas para usar e tal, que eu gostava.
E quando eu percebi, eu tinha ali, umas 15, 20 camisas no meu roupeiro.
E eu pensei, bom, já tenho 15, por que não ter 20? Por que não ter um pouco mais? Aí a coleção começou meio que a crescer naturalmente. As camisas mais especiais para mim são as camisas do meu time de coração e dos times que eu joguei no futebol amador.
Então essas camisas para mim elas têm muita história. Eu sou torcedor do Brasil de Pelotas, do Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas. É um time do interior do Rio Grande do Sul, que tem uma torcida muito apaixonada pelo time. E eu, por morar perto do estádio, por passar muitos anos cruzando, enfim, em frente ao estádio, eu acabei me vinculando muito rápido à torcida, a ser torcedor do Brasil. Então, eu passei pela escolinha do clube, passei, fui gandula em algum jogo, enfim, fiz teste nos juniores, e passei desde a minha adolescência, pelos 12 até o 2019, sendo um torcedor de arquibancada, de ir aos jogos, de sofrer com o time, de chorar, enfim, de ter todos os sentimentos possíveis como torcedor de arquibancada.
Então, para mim, as camisas mais especiais são as camisas do meu time de coração.

Qual foi a música mais desafiadora que você já tocou?
Então, a música mais desafiadora, é difícil dizer uma só, porque quando a gente abraça essa causa toda das aberturas, acaba sendo uma miscigenação rítmica enorme. E essa versatilidade toda exige que a gente pare durante muito tempo, às vezes em uma única versão de alguma coisa e fique ali, batendo cabeça.
Mas posso te dizer, sim, algumas, como a abertura dos Trapalhões, por ser uma música de orquestra que passa pelo jazz, mas também fica o pé na música brasileira, vai parar até meio num samba erredo ali no final.
A música brasileira, por si só, ela já é muito complexa E posso dizer que a dos Trapalhões é uma das mais difíceis.
Outras duas que foram extremamente difíceis são a dos Flintstones e a dos Jetsons, que são jazz, jazz orquestrado também, mas que são de uma velocidade extrema. E o jazz, para mim, não era uma coisa muito... Da minha raiz de referência musical.
Então eu tive que realmente estudar algumas técnicas específicas do jazz antes de pensar em tocar a abertura, para quando eu fosse tocar ela, fazer com que as coisas funcionassem de forma correta. Principalmente porque quanto mais velocidade, mais técnica te exige.
Então posso te dizer essas aí.
Olha, são quase 200 aberturas gravadas, e tem muitas que são muito fáceis, que em 15 minutos se resolve, e tem muitas que a gente passa 2, 3, 4, essa dos Jetsons, por exemplo, que é um jazz muito rápido, eu passei quase duas semanas para gravar ela, então eu gravava outras coisas no meio do caminho, Parava para dar uma estudada nela, uma meia hora, uma hora no dia, para quando eu me sentisse seguro, eu conseguisse gravar com qualidade, de forma que ficasse bonita.

Como você escolhe quais temas e músicas vai gravar para seu canal?
Bom, como eu escolho? Eu já tive vários métodos de escolha. Primeiro, lá no início, como eu não tinha gravado nada, basicamente, eu tinha uma gama enorme, então eu conversava com as pessoas do meu entorno, meus familiares, meu irmão, que é, como eu te disse, meu irmão é músico também, né? Conversava com amigos da minha idade e perguntava, e aí, o que que tu te lembra e tal e tal? E assim, tipo, a turma toda vinha me dando várias dicas de coisas que às vezes alguém dizia, sei lá, eu esperava alguém dizer mais de uma vez a abertura tal para dizer essa é mais conhecida que a outra.
Então eu ia nesse embalo.
Depois, quando começou a passar o tempo que eu comecei a gravar as coisas mais conhecidas, começou a sobrar aquelas coisas que não eram tão conhecidas assim, mas que é aquele start e tu bate o ouvido e lembra. Aí eu comecei realmente a fazer um trabalho de pesquisa mesmo, de coisas nostálgicas. Eu demorei para entender que eu não estava falando só de bateria, mas que o primeiro assunto do meu canal era nostalgia.
Porque o meu grande público, ele não é o público da bateria, ele é o público da nostalgia. Então, isso eu vim aprendendo ao longo do tempo porque eu comecei a receber mensagens de muita gente, de gente que lembrava do irmão que faleceu, que lembrava da hora que a mãe serviu o leite e o café antes de ir pra escola, Então eu lembrava da hora que batia o sinal na escola que chegava correndo em casa para assistir tal coisa.
Então eu comecei a me dar conta que o lance todo era nostalgia. Daí eu comecei a pesquisar em blogs, em canais, em sites de nostalgia que me mostrasse coisas que eu também não lembrava. Então eu comecei a fazer para isso eu também fui modificando o meu espaço aqui no estúdio, coloquei um quadro, esses quadros de caneta, de canetão, e comecei ali a fazer listas de nomes, de aberturas, de novelas, de tudo, que eu não tinha gravado ainda, mas que em algum blog, em algum site, em algum lugar, Alguém falava sobre, alguém contava uma história sobre.
E aí eu comecei a fazer a minha lista. Logo em seguida, eu também abri o canal para a galera do meu próprio canal me indicar coisas. Então, tipo, eu faço, de vez em quando eu faço algumas enquetes aqui e me pergunto, e aí galera, o que vocês querem ver? E aí eu também vou fomentando essa minha lista no quadro lá com pedidos da turma em geral.

Já recebeu mensagens ou interações de artistas ou programas que fizeram parte das músicas que toca?
Se eu já recebi interações de artistas, assim, muitos, mas muitos, muitos, muitos, e de artistas que eu jamais imaginei que eu teria acesso um dia. Desde músicos, de bateristas de bandas que eu escutei a minha vida inteira. de artistas, tipo, sei lá, os filhos do Chico Anysio, que entraram em contato e agradeceram. Bateristas, sei lá, do Charlie Brown Jr., do Tijuana, baixista do Barão Vermelho, muita gente, assim. O baterista do Raimundos, atores, vários atores, gente da mídia em geral, de locutores de futebol, de locutores narradores, narradores de Fórmula 1 e Fórmula Indy, atores e atrizes das novelas, muita gente mesmo, assim, que às vezes quando eu bati o olho e vi, assim, eu ficava... “Não acredito que é. Será que é o perfil verdadeiro ou é um fake?”
E realmente era o perfil e alguns só curtiram e comentaram, alguns eu conseguia trocar uma ideia rápida assim, e eles me parabenizavam muito pelo projeto. Até eu gravei uma das trilhas do De Volta Pro Futuro e tive o prazer de receber uma mensagem da atriz que era a namorada do Marty McFly no De Volta Pro Futuro. Enfim, lá dos Estados Unidos, uma coisa bem ímpar, bem pontual.
Mas muita gente, muita gente que não tem nem como te listar, de verdade. Gente bastante conhecida, gente bastante relevante no meio. Jornalistas, muitos, e artistas também.

O que o futebol e a música têm em comum na sua vida?
Olha, são as minhas duas grandes paixões. Como eu te disse lá no início, eu tive um momento da vida em que eu poderia... Que eu tive uma encruzilhada, assim: Eu fiz testes pra jogar futebol e passei nos clubes da minha cidade e ao mesmo tempo eu comecei a tocar.
E aí o que me fez escolher a música naquele momento foi que eu tinha que pagar para ir treinar no futebol e, tocando, eu ganhava um troquinho. Eu tinha 17 para 18 anos. Mas são minhas duas grandes paixões, tanto que depois eu continuei jogando futebol amador lá na minha cidade, chegando aqui em Joinville também, encontrei um time para jogar aqui, fui convidado para jogar em outros times aqui também.
Claro que hoje com 43 anos eu não tenho mais condições físicas de jogar como eu gostaria, então eu jogo muito pouco. Mas são duas grandes, grandes paixões da minha vida, o futebol e a música.
Já a música, acabou se revelando já na adolescência. Eu sempre gostei de música desde criança. Mas descobrir que eu seria músico, eu descobri meio tardiamente. Como eu te disse, eu olhava pro meu irmão mais velho e dizia, eu não quero essa vida pra mim. Mas enfim, depois que eu assumi esse papel, profissionalmente, se tornou uma paixão ainda mais forte.
São duas grandes, grandes paixões da minha vida, o futebol e a música.
Muitas vezes eu me pego pensando assim, se eu tivesse escolhido o futebol, o que teria acontecido comigo? Mas sou muito feliz e muito realizado com a escolha que eu fiz. E é isso.

Como você vê o impacto da nostalgia na internet e na forma como seu trabalho é recebido pelo público?
Para mim, o impacto da nostalgia hoje cada vez fica mais forte na internet. Eu não sei te dizer se é pela falta de coisas novas acontecendo que tenham algum vínculo com as pessoas de 30 anos ou mais. Que as coisas parecem que são meio cíclicas. Então, tu acaba vendo as novelas que estão sendo remake, os temas de abertura que se repetem. Eu acho que isso tem potencializado muito o meu trabalho. Sem dúvida, é uma grande força que tem dado no meu trabalho.
Acho que... Cada vez mais as pessoas vão envelhecendo e vão ficando ainda mais nostálgicas. Eu digo isso por mim mesmo, pelas pessoas que me rodeiam. Então isso também é uma raiz, uma fonte de potência ainda maior no meu trabalho.

Se pudesse tocar com qualquer banda ou artista, quem escolheria e por quê?
Meu Deus, isso é uma pergunta que não tem uma resposta efetiva.
Eu gosto tanto, tanto, de tanta coisa. Eu gosto desde o Bob Marley ao Iron Maiden. Eu gosto de tanta coisa, de música brasileira, Milton Nascimento. Eu gosto de tanta coisa que seria injusto com os outros que eu não colocaria nessa lista, vamos dizer assim.
Gosto tanto do rock brasileiro da minha época dos anos 90, de bandas que inclusive já acabaram também. Gosto tanto dos rock mais clássicos da época dos meus pais, Led Zeppelin, Rush, enfim. Gosto tanto do rock internacional dos anos 90, 2000, Red Hot Chili Peppers, Enfim, eu não tenho nem como te dizer uma banda especificamente.
Eu tenho tido o prazer de conversar com muita gente que fez parte dessa minha referência musical, como o batera do Raimundo, os bateras do Charlie Brown Jr., como eu te disse, o baixista do Barão Vermelho. Então, talvez trocar uma figurinha musical com essa galera seria uma coisa maravilhosa, assim, mas seria injusto eu cravar uma banda ou outra porque, sei lá, minha porta tá aberta, entende?
Pra tocar com quem tiver um trabalho sério, né?
Com quem queira o meu trabalho, com quem tem um trabalho sério e é isso.