O cérebro cumpre o que você acredita
Como expectativas,
sono e respiração moldam nossa saúde mental
Olá, você que lê o #SendoProsperidade, tudo bem?
E a virada do ano, foi boa?
Chego aqui desejando que este novo ciclo venha carregado do
que considero essencial: Foco, Força e Fé. Quando esses três se alinham, o
caminho encontra chão — e as coisas tendem a se concretizar.
Para abrir o ano e instigar nossas catracas, trago dados de
pesquisas da Harvard Medical School, que apontam algo poderoso: quando
direcionamos o foco para o que é positivo, o cérebro se reorganiza para
encontrar mais do mesmo. Não se trata de pensamento mágico, mas de
neuroplasticidade.
Um experimento clássico ajuda a entender isso. Em 1965, o
psicólogo Robert Rosenthal disse a professores que alguns alunos eram “mais
promissores”. Não eram. Eram alunos comuns. Ainda assim, em poucas semanas,
algo mudou: eles passaram a confiar mais em si, responder melhor aos estímulos
e apresentar desempenho superior. Não porque ficaram mais inteligentes, mas
porque alguém acreditou que eles eram.
A expectativa mudou o tom de voz, o olhar, a paciência.
Houve mais incentivo, mais encorajamento — e o cérebro daqueles alunos se
adaptou a essa nova identidade. Anos depois, o experimento foi repetido com
adultos. Bastou dizer: “você tem uma vantagem cognitiva”. Em menos de uma hora,
o cérebro respondeu mais rápido. Não era habilidade. Era expectativa.
Os pesquisadores concluíram: o cérebro não executa apenas
capacidades; ele cumpre profecias internas. Aquilo que acreditamos sobre nós
vira comando neurológico. O problema é que expectativas negativas também
programam.
Quando alguém cresce ouvindo que é incapaz, difícil ou
lento(a), o cérebro tenta provar isso todos os dias. Muitos limites de hoje
nasceram de vozes antigas. Outros surgem quando não respeitamos nossos próprios
limites e insistimos em ir além do que podemos sustentar.
Vivemos, sim, uma epidemia do cérebro sobrecarregado.
O neurocientista e professor livre-docente da Faculdade de
Medicina da USP, Fernando Gomes, afirma:
“A gente tem a chave para sair disso a todo momento. Basta
querermos.”
Antes da dor, o sistema nervoso esteve em estado de alerta
por tempo prolongado.
Antes do cansaço, emoções foram sustentadas além do limite.
Antes da doença, o organismo perdeu a capacidade natural de
retornar ao equilíbrio.
A ciência confirma: há um pilar fundamental da saúde que
costuma ser negligenciado — o sono. Durante o sono, o cérebro não para. Ele
organiza as experiências do dia no hipocampo, fortalece circuitos neurais e
ativa o sistema glinfático, responsável pela limpeza do tecido cerebral,
eliminando neurotoxinas.
Quem vive em modo multitarefa constante costuma invadir esse
período sagrado: a noite. E o custo disso é alto.
A mesma pesquisa de Harvard mostra ainda que o controle
consciente da respiração ativa o sistema nervoso parassimpático, reduz os
níveis de cortisol e ajuda o corpo a sair do modo de estresse contínuo.
Quando a respiração se organiza, a mente desacelera.
As emoções encontram estabilidade.
O corpo responde com mais clareza e equilíbrio.
Em essência, a ciência reforça algo que talvez já
soubéssemos intuitivamente: o cérebro não é uma estrutura fixa, mas um órgão
dinâmico, que se reorganiza continuamente a partir das experiências, do
ambiente e das práticas conscientes.
E então te pergunto:
Vamos começar o ano reorganizando o nosso cérebro para que a
vida possa fluir melhor?
Mariângela Borba é jornalista diplomada, produtora cultural
e mestre de cerimônias. Pesquisa a palavra como território político, simbólico
e relacional, atuando na confluência entre comunicação, cultura, direitos
humanos e inclusão. Professora, revisora credenciada e estrategista digital,
atualmente dedica-se aos estudos da Psicanálise. Integra a UBE e a AIP.