sábado, 3 de janeiro de 2026

#SendoProsperidade com Mariângela Borba

O cérebro cumpre o que você acredita

Como expectativas, sono e respiração moldam nossa saúde mental

Olá, você que lê o #SendoProsperidade, tudo bem?

E a virada do ano, foi boa?

Chego aqui desejando que este novo ciclo venha carregado do que considero essencial: Foco, Força e Fé. Quando esses três se alinham, o caminho encontra chão — e as coisas tendem a se concretizar.

Para abrir o ano e instigar nossas catracas, trago dados de pesquisas da Harvard Medical School, que apontam algo poderoso: quando direcionamos o foco para o que é positivo, o cérebro se reorganiza para encontrar mais do mesmo. Não se trata de pensamento mágico, mas de neuroplasticidade.

Um experimento clássico ajuda a entender isso. Em 1965, o psicólogo Robert Rosenthal disse a professores que alguns alunos eram “mais promissores”. Não eram. Eram alunos comuns. Ainda assim, em poucas semanas, algo mudou: eles passaram a confiar mais em si, responder melhor aos estímulos e apresentar desempenho superior. Não porque ficaram mais inteligentes, mas porque alguém acreditou que eles eram.

A expectativa mudou o tom de voz, o olhar, a paciência. Houve mais incentivo, mais encorajamento — e o cérebro daqueles alunos se adaptou a essa nova identidade. Anos depois, o experimento foi repetido com adultos. Bastou dizer: “você tem uma vantagem cognitiva”. Em menos de uma hora, o cérebro respondeu mais rápido. Não era habilidade. Era expectativa.

Os pesquisadores concluíram: o cérebro não executa apenas capacidades; ele cumpre profecias internas. Aquilo que acreditamos sobre nós vira comando neurológico. O problema é que expectativas negativas também programam.

Quando alguém cresce ouvindo que é incapaz, difícil ou lento(a), o cérebro tenta provar isso todos os dias. Muitos limites de hoje nasceram de vozes antigas. Outros surgem quando não respeitamos nossos próprios limites e insistimos em ir além do que podemos sustentar.

Vivemos, sim, uma epidemia do cérebro sobrecarregado.

O neurocientista e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP, Fernando Gomes, afirma:

“A gente tem a chave para sair disso a todo momento. Basta querermos.”

Antes da dor, o sistema nervoso esteve em estado de alerta por tempo prolongado.

Antes do cansaço, emoções foram sustentadas além do limite.

Antes da doença, o organismo perdeu a capacidade natural de retornar ao equilíbrio.

A ciência confirma: há um pilar fundamental da saúde que costuma ser negligenciado — o sono. Durante o sono, o cérebro não para. Ele organiza as experiências do dia no hipocampo, fortalece circuitos neurais e ativa o sistema glinfático, responsável pela limpeza do tecido cerebral, eliminando neurotoxinas.

Quem vive em modo multitarefa constante costuma invadir esse período sagrado: a noite. E o custo disso é alto.

A mesma pesquisa de Harvard mostra ainda que o controle consciente da respiração ativa o sistema nervoso parassimpático, reduz os níveis de cortisol e ajuda o corpo a sair do modo de estresse contínuo.

Quando a respiração se organiza, a mente desacelera.

As emoções encontram estabilidade.

O corpo responde com mais clareza e equilíbrio.

Em essência, a ciência reforça algo que talvez já soubéssemos intuitivamente: o cérebro não é uma estrutura fixa, mas um órgão dinâmico, que se reorganiza continuamente a partir das experiências, do ambiente e das práticas conscientes.

E então te pergunto:

Vamos começar o ano reorganizando o nosso cérebro para que a vida possa fluir melhor?

Mariângela Borba é jornalista diplomada, produtora cultural e mestre de cerimônias. Pesquisa a palavra como território político, simbólico e relacional, atuando na confluência entre comunicação, cultura, direitos humanos e inclusão. Professora, revisora credenciada e estrategista digital, atualmente dedica-se aos estudos da Psicanálise. Integra a UBE e a AIP.