sábado, 19 de setembro de 2020

Crônica: Energia, teatro e cinema - Pedro Dias

 

Tudo começou assim ou assado?

A vida imita a arte ou na arte imita a vida?
Deus e Zeus!

Conheci Maria Dias, há vnte anos atrás na Celpe/sede. João de Barros, Boa Vista, Recife , PE. Quando eu vi Maria, pela primeira vez, foi logo amor a primeira vista, como amor de cinema.
Tivermos logo uma empatia muito forte, acho que os DIAS ajudaram muito.

O tempo passou e fomos trabalhar juntos no projeto de cidadania da Celpe de nome: Comunidades Especiais, um nome bem carinhoso as comunidades populares de todo o estado de Pernambuco. Maria Dias era técnica social, e eu ator, locutor, arte-educador e mestre-de -cerimônias. Um trabalho lindo que durou vários anos. Na própria Celpe, Maria desenvolveu tbm um belo trabalho de atriz, fizermos várias ações como atores. Com o tempo fizermos alguns trabalhos profissionais na cena pernambucana: Histórias da Vida da Gente, Texto: Ariano Suassuna e Luiz Marinho, direção: Carlos Salles, e Tangos en Trapos, texto:Jomard Muniz de Brito, e direção de Juca dos Santos.

Eu e Maria sempre caminhamos juntos, na vida, nos palcos e nos cursos de teatro, e um prestigiado ,e assistindo o trabalho do outro. Até que um belo dia, Maria vai assistir o espetáculo Ana de Ferro, Rainha dos Tanoeiros do Recife, com texto de Miriam Halfim, direção de Emanuel David D Lucard, e produção do Grupo Teatral Risadinha, e me ver fazendo o mestre do campo do presídio, um personagem violento, asqueroso e cruel. Desse personagem ,surge o convite de Maria Dias, que ia estrear como diretora de cinema, o convite para eu fazer o seu filme (SUB) IMERSA. Fiquei muito feliz em poder fazer cinema, um veículo, um meio de comunicação, uma ferramenta tão nova pra mim.Convite aceito para fazer o torturador, da época da repressão militar, da ditadura (foto). E lá foi eu e Maria juntos para mais o desafio, mostrar com talento e arte, uma história cruel, assassina e truculenta. No filme (SUB) IMERSA, Maria Dias, faz uma bela homenagem para Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, militante político, assassinado pela ditadura militar em 1974, da maneira mais cruel e covarde. Sua mãe Dona Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira, morreu ao 105 anos, e passou 45 anos em busca de notícias do seu filho Fernndo. Já é cruel para uma mãe ter que enterrar seu filho, imagina a mãe ,não poder enterrar o seu filho, por não achar o seu corpo.

No filme, Maria faz de maneira poética, lúdica e de uma sensibilidade o encontro dos dois através da água. E como se fosse Fernando e Dona Elzita se encontrado, renascendo. Como se o rio/açude se transformasse numa placenta cheia de líquido amniótico.Cena linda!

Já ia esquecendo de mim, fiz o torturador, um personagem muito forte, e que mexeu muito comigo. Mas fui bem conduzido pela Diretora Maria Dias, numa relação de muita cumplicidade. Muito orgulhoso em fazer parte desse filme, e da história do cinema brasileiro.

Quero muito agradecer ao elenco, produção e a equipe técnica pelo o acolhimento, generosidade e paciência comigo. Quero destacar o talento, a experiência e profissionalismo de todos os profissionais do filme.

De todas as Marias, a Maria mais bonita, é Maria Dias.  

Hoje é o aniversário da minha mãe Amanda de Azevedo Costa, que essa hora deve tá dizendo e mostrado pra Fernando e Dona Elzita, olha o que meu menino escreveu pra vocês. E chega o grande dia, a estreia do filme (SUB)IMERSA, cercada de expectativas e curiosidade. Foi no dia 13 de abril 2019, com uma plateia divina de parentes, amigos, colegas e o em geral!

Houve a exibição muito festejada, e um belo debate com Francisco de Assis Barreto da Rocha Filho,o nosso Chico de Assis, grande amigo da família Santa Cruz, em especial o nosso querido Marcelo Santa Cruz(irmão de Fernando). Chico conduziu de maneira brilhante o debate, ao lado de Tais Paranhos. Chico de Assis, foi preso politico , e foi torturado e preso por 10 anos.

Ficha Técnica:
Direção: Maria Dias
Roteiro e Assistência de Direção: Lucas Rocha
Produção: Almagesto Produções e MDias Produções Arttisticas.
Direção de Fotografia: Miguel Igreja
Cinegrafista: Adson Alves
Maquiagem: Pedro Félix
Trilha Sonora Original: Manuca Bandini
Preparação de Elenco: Maria José Avort
No Elenco: Juca dos Santos, Lucas Rocha, Natália Castro, Maria Dias e Pedro Dias.

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