🌈 Milhões de pessoas neurodivergentes enfrentam diariamente o desafio de se adaptar a ambientes que ainda valorizam a “normalidade” como critério de aceitação. Desde cedo, aprendem a conter gestos, falas e interesses para se ajustar a padrões sociais e profissionais pouco acolhedores. Esse comportamento, conhecido como masking ou camuflagem social, tem sido amplamente estudado. Pesquisadores apontam que ele é um dos principais fatores de desgaste emocional. A busca por pertencimento acaba custando caro.
🧠 Segundo a psicóloga Geórgia Menezes, mestre e doutoranda pela UFPE, o masking funciona como uma tentativa de sobrevivência emocional. O cérebro cria estratégias para evitar críticas, exclusão e constrangimento quando percebe que suas formas naturais de expressão não são bem-vistas. Essa adaptação, porém, cobra um preço alto. O impacto é físico, psíquico e profundamente individual. A camuflagem se torna um mecanismo de proteção que esgota. E afeta diretamente a autoestima e o senso de identidade.
📉 Estudos internacionais reforçam o alerta ao associar o masking a níveis elevados de ansiedade, depressão e burnout. O esforço constante para monitorar expressões faciais, contato visual e tom de voz gera exaustão. Esconder gestos de autoestimulação também contribui para o desgaste emocional. A prática pode levar à perda do senso de autenticidade. Em casos mais graves, está relacionada até à ideação suicida. O custo psicológico da camuflagem é profundo e silencioso.
👶 Ao longo da vida, o disfarce assume formas diferentes. Na infância, a criança aprende a conter comportamentos espontâneos para ser aceita. Na adolescência, o desejo de pertencimento intensifica a camuflagem diante da pressão social. Na vida adulta e no trabalho, o esforço para parecer neurotípico vira uma performance diária. O autocontrole constante gera um cansaço invisível. E reforça a sensação de inadequação. A camuflagem acompanha o indivíduo em múltiplos contextos.
💬 Para Geórgia, o masking reflete uma sociedade que exige normalidade como pré-requisito para o pertencimento. Ao fazer isso, invisibiliza a beleza da diferença. O processo de “descamuflagem” é uma jornada de autoconhecimento e aceitação. Envolve compreender o funcionamento neuroatípico como expressão legítima da diversidade humana. Ambientes saudáveis dependem de acolhimento estrutural e pertencimento genuíno. Inclusão real exige ampliar a escuta e a empatia.