🎭 Música, dança e uma forte simbologia afro-brasileira coloriram as ruas de Nazaré da Mata nesta segunda-feira (16), durante as apresentações dos grupos de Maracatu Rural que tomaram conta da Praça do Arsenal. A cidade, reconhecida como a capital do Maracatu de Baque Solto, recebeu dezenas de agremiações vindas de diversos municípios da Zona da Mata Norte de Pernambuco, em uma programação que reafirmou o compromisso com a cultura popular e a interiorização do turismo. Com investimento do Governo do Estado, por meio da Secult-PE, Fundarpe e Empetur, mais de 30 atrações animaram o público ao longo do dia, unindo gerações em torno de uma das mais genuínas expressões do Carnaval pernambucano.
🏮 Também conhecido como Maracatu de Baque Solto, a manifestação típica da região é marcada por personagens icônicos como o caboclo de lança, com suas fantasias exuberantes e o som imponente da matraca. A tradição, que carrega uma forte relação com o ciclo da cana-de-açúcar, atravessa gerações e mantém viva a memória dos antigos engenhos. Para Marenilson Santana, de 21 anos, que há mais de 15 anos vive o maracatu, a brincadeira é uma herança familiar e um laço histórico. "É uma cultura que passa de pai para filho, de neto para bisavô. A gente assume isso como uma paixão que mora dentro da gente", afirmou o jovem caboclo de lança, emocionado.
🌟 Natural de Olinda, André Júnior começou no maracatu ainda criança, aos 10 anos, e hoje planeja manter a tradição ao lado do filho. Ele relembra o medo inicial que deu lugar à admiração profunda pela cultura. "Quando eu era pequeno, tinha medo, mas fui conhecendo e me admirei. Hoje sou um dos admiradores e faço questão de passar isso adiante", completa. O caboclo de lança também fez um apelo por mais valorização ao movimento como um todo, destacando que a luta não é apenas pelo grupo Cambinda Brasileira, do qual faz parte, mas por todo o maracatu rural da região.
🌍 A programação não mobilizou apenas os grupos locais, mas também atraiu turistas de diversas partes do Brasil, que buscaram em Nazaré da Mata uma experiência autêntica de Carnaval. A engenheira ambiental e percussionista Ana Gabriela Martins veio de São Paulo movida pela conexão com a cultura popular, que conheceu fora do país. Para ela, Pernambuco preserva manifestações muito mais ligadas às raízes brasileiras. "Aqui a gente encontra um Carnaval que não é tão comercial. Se preserva muito mais a identidade cultural", reforçou, destacando a força das tradições pernambucanas.
🎶 Vindas do Rio de Janeiro, a jornalista Thaís Barcia e a bailarina Yasmin Fontinelli realizaram um desejo antigo ao visitar a cidade. "A gente ama a cultura brasileira. Estar aqui é enaltecer isso, tomar um banho de cultura e de energia positiva. É viver Pernambuco por inteiro", disse Thaís. Já o professor universitário Gerônimo Libonato, em sua terceira visita ao município, destacou o impacto do maracatu rural mesmo para quem já conhece outras manifestações populares do mundo. "É uma riqueza da nossa terra que precisa ser conhecida. Sempre trago alguém, e todos ficam encantados", contou.