20/12/2020

#Eleições2020 Povo Preto no Poder [5]

 

Com 1361 votos, a historiadora e estudante de Direito Flávia Hellen de Oliveira Gomes conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, tornando-se a primeira mulher preta na vereança paulistense. “Nós, mulheres negras, somos a maioria da população, entretanto, nossa representatividade não chega a 2%. Isso precisa mudar”, afirma Hellen.

Aos 26 anos, Flávia coordena a Marcha Mundial das Mulheres em Pernambuco, além de ser militante dos movimentos LGBT, feminista e negro. Ela é uma das candidatas apoiadas pelo Representa, um movimento de formação política dentro do Partido dos Trabalhadores.

“Muito feliz por ver essa ideia se espalhando. Vamos juntas e juntos multiplicar esses votos, para em 2021 ter um mandato que fiscalize a prefeitura e construa junto com o povo políticas públicas para Paulista. É PRA MUDAR PAULISTA. OBRIGADO DEMAlS, VAMOS A LUTA!”


Aos 41 anos, Débora Alves Camilo já tem uma grande bagagem de vida: mãe, avó, advogada, militante, feminista, política, educadora e agora vereadora eleita, com 4664 votos. Antes das eleições, precisou enfrentar o racismo através de postagens machistas e racistas nas suas redes sociais. "A gente sempre espera que a evolução ocorra de alguma forma. O racismo é a desumanização da pessoa, é sempre difícil de lidar", lamentou, na ocasião.

Ela nasceu no dia 2 de dezembro de 1979. É advogada e engajada em várias causas sociais. Participa ativamente do Projeto Educafro e é integrante da Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil da OAB de Santos. Outras bandeiras de luta são a proteção ao Meio Ambiente, a conquista da moradia digna e o combate a todas as formas de opressão. “Temos um longo trabalho pela frente, mas tenho disposição e firmeza para enfrentar esse desafio de trabalhar por uma Cidade melhor”.


Ela entrou na política já surpreendendo. Em 2018, liderou uma chapa feminista para se candidatar ao Governo de Pernambuco. As pesquisas a colocavam nas últimas colocações. Mas com as urnas abertas, foi a terceira colocada no pleito com quase 190 mil votos, tendo chegado à frente até de nomes veteranos da política pernambucana, como Julio Lóssio e Mauricio Rands. Agora, em 2020, sagrou-se campeã de votos no Recife, deixando para trás várias lideranças evangélicas.

Danielle Gondim Portela, 45 anos, é advogada e historiadora. A veia militante vem de família, sendo ela filha de um preso político e neta de Luiz Portela, que foi exilado durante o regime militar (1964-1985), junto com o ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Para o parlamento, pretende representar a base da pirâmide: mulheres, povo preto, LGBTs e todos que sofrem qualquer tipo de opressão.

"Eu gostaria de agradecer aos 14.114 rostos e corpos diversos que acreditam em uma cidade melhor para todes e que neste último domingo (15), foram às urnas e floresceram amor ao invés de intolerância e ódio. A semente germinou, simbora florescer!”


Ela já chegou fazendo história, ao ser a primeira vereadora negra de Curitiba, capital do Paraná. E infelizmente, isso já lhe trouxe coisas nada boas, como as mensagens racistas e ameaçadoras, que chegaram por e-mail. Palavras de intolerância, detalhes como o seu endereço residencial e até ameaças de morte.

Lógico que ela é muito mais do que isso. Aos 37 anos, Ana Carolina Moura Melo Dartora é professora, doutoranda em educação e militante do movimento negro, feminista e sindical, Ela deu os primeiros passos no mundo político em 2018, sempre filiada ao PT, por influência dos próprios pais, também militantes. Na Câmara, quer elaborar projetos em favor da juventude negra e das periferias.

“Queria agradecer as 8.874 pessoas que me fizeram a terceira candidatura mais votada e a primeira mulher negra eleita de Curitiba! A cidade também é nossa, e o resultado das urnas expressa a esperança da população em um projeto de uma Curitiba de Todas e Todos! É só o começo”

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