domingo, 1 de fevereiro de 2026
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#SendoProsperidade com Mariângela Borba
2026-CORE: prosperidade como eixo, não como promessa
Eu escolho o que me escolhe por inteiro
Por Mariângela Borba
2026 não inaugura uma pressa.
Inaugura um reposicionamento.
Depois de ciclos marcados por perda, luto e sustentação excessiva, a prosperidade deixa de ser promessa futura e passa a ser eixo estrutural. Não como ideal motivacional, mas como critério de permanência — na vida, nas relações, no trabalho e no pensamento.
Prosperidade, daqui em diante, não é fazer mais.
É parar de se negociar.
Durante muito tempo, prosperar foi sinônimo de compensar:
a dor,
a culpa,
a ausência,
o que não pôde ser vivido.
Isso gerou movimento.
Mas não centro.
Gerou funcionamento.
Mas não eixo.
2026 encerra a lógica do “eu dou conta”.
Não porque eu não dê — mas porque dar conta não é viver em centralidade.
E prosperidade real exige centro.
O quase como forma de escassez
Há vínculos que não ferem — apenas ocupam.
Não são violentos, não são caóticos, não são tóxicos no sentido raso da palavra.
São confortáveis demais para evoluir.
O quase não machuca.
O quase anestesia.
Existe uma escassez que não tem a ver com falta, mas com adiamento.
Quando algo permanece sempre no implícito, no sugerido, no subliminar, ele se mantém fora do campo da escolha real.
E tudo o que não entra no campo da escolha, não entra no campo da responsabilidade.
O quase preserva o outro.
Mas cobra de quem sustenta.
Sustentar demais não é virtude.
É desequilíbrio.
Prosperidade como centralidade
Prosperidade, aqui, não é abundância performática.
É centralidade.
É o fim da prosperidade por compensação.
O fim da prosperidade que nasce do esforço excessivo, da tolerância prolongada, da espera silenciosa.
O que nasce agora não vem do excesso de energia.
Vem da clareza sobre onde não investir mais.
Relações, trabalho e projetos intelectuais passam a obedecer ao mesmo critério:
· não basta afinidade,
· não basta conforto,
· não basta admiração silenciosa.
Prosperidade exige investimento proporcional.
Tempo, presença e iniciativa precisam estar em equilíbrio.
Quando algo se sustenta apenas no implícito, pode ser bonito.
Mas não é estruturante.
E 2026 não é ano de estruturas frágeis.
O corte entre o herdado e o escolhido
Uma das tarefas centrais deste ciclo é separar com lucidez:
· o que foi herdado
· do que é escolha consciente.
Padrões de adiamento, de sustentação silenciosa e de centralidade deslocada muitas vezes não começam em nós.
Mas terminam quando são vistos.
Ressignificar não é negar a história.
É impedir que ela dite o roteiro.
Prosperar é honrar quem veio antes
sem repetir o sacrifício como destino.
Conhecimento como plataforma
O desejo por alianças intelectuais, estudo profundo e pensamento crítico não é fuga afetiva.
É identidade.
Em 2026, o conhecimento deixa de ser refúgio e passa a ser plataforma.
Não se trata de títulos, status ou deslocamentos simbólicos.
Trata-se de investir onde há troca viva, densidade e crescimento mútuo.
Onde não há lastro, não há permanência.
O corpo como bússola
O corpo percebe antes da mente quando algo não sustenta mais:
· o cansaço súbito,
· o gelo,
· a quebra de entusiasmo,
· a sensação de “isso não é tudo”.
Esses sinais não são confusão emocional.
São inteligência aplicada.
2026 favorece quem escuta o corpo sem dramatizar
e age sem precisar justificar demais.
Mudar de posição na cena
O maior movimento deste ciclo não é externo.
É posicional.
Sair do lugar de quem sustenta sozinha, espera definição alheia ou aceita o quase como teto.
E ocupar o lugar de quem escolhe, delimita e investe onde há retorno simbólico e real.
Prosperidade não é cortar o mundo.
É não se abandonar para permanecer.
2026-core
O eixo deste ano é simples e exigente:
não há prosperidade onde não há escolha plena.
O que for inteiro, fica.
O que for vago, perde força.
O que exigir autoengano, cai.
Não por rigidez.
Mas por maturidade.
E isso não empobrece a vida.
Ao contrário:
desocupa espaço para o que é vivo.
*Mariângela Borba é jornalista diplomada, especialista em Cultura Pernambucana, produtora cultural e mestre de cerimônias. Pesquisa a palavra como território político, simbólico e relacional, atuando na confluência entre comunicação, cultura, direitos humanos e inclusão. Professora, revisora credenciada e estrategista digital, atualmente dedica-se aos estudos da Psicanálise. Integra a UBE e a AIP.