🎙️ Nascido na Colômbia e com uma trajetória sólida construída no Brasil, o cantor e compositor Fabian James transita por universos musicais diversos — do rock ao pop e repertórios internacionais —, transformando sua identidade artística e pessoal ao longo dos anos. A mudança de país trouxe novas nuances para o seu estilo, tornando-o mais extrovertido nos palcos e aberto a novos ritmos, impulsionado pela energia e pela cultura festiva do público brasileiro. Em meio a essa travessia cultural, o artista equilibra os desafios da profissão e a fidelidade à sua própria essência com um olhar sensível sobre a arte. Sua relação com a música envolve processos profundos de composição guiados pela emoção e pela experimentação, além de uma abordagem camaleônica na hora de interpretar diferentes idiomas.
🗣️ Seja cantando em espanhol, português ou inglês, James explora texturas vocais variadas que vão desde a intensidade técnica até a leveza da língua nativa. Essa pluralidade linguística e sonora revela um artista em constante evolução, que enxerga o sucesso de forma relativa, valorizando tanto a conquista de grandes palcos quanto o impacto transformador de um único momento de conexão com o público. A sensibilidade artística de Fabian também se fortaleceu em momentos de grande superação pessoal, como a perda do pai e a busca por reinvenção através da música e da sobriedade. Olhando para o passado e planejando o futuro, sua mensagem central é um convite apaixonado para que todos encontrem o prazer no que fazem. Com uma carreira marcada pela autenticidade e pela entrega emocional, ele prova que a verdadeira essência da música reside na capacidade de tocar vidas, emocionar e celebrar a jornada com leveza e verdade.
🌟 A jornada de Fabian James no Brasil também se consolidou através da cumplicidade com os músicos que o acompanham, criando uma atmosfera única em cada apresentação ao vivo. Seja em bares intimistas de voz e violão ou em palcos maiores acompanhado por sua banda, o artista cultiva uma troca sincera com a plateia, transformando cada show em um ritual coletivo de emoção. Histórias marcantes, como a de fãs que encontram conforto e saudade em suas interpretações, reforçam o propósito de sua arte e provam que a música tem o poder de cicatrizar feridas. Essa proximidade com o público e o respeito profundo pelas canções que interpreta moldaram um artista maduro, consciente de seu papel social e emocional na vida das pessoas que o escutam.
✨ Olhando para o futuro, o cantor enxerga sua trajetória como um livro em constante construção, onde cada acorde e cada nova composição representam um passo rumo à autenticidade plena. A superação de desafios pessoais, como a sua luta inspiradora pela sobriedade, devolveu-lhe o foco total e uma conexão ainda mais pura com as notas musicais. Com planos sólidos e o coração aberto para novas vivências, Fabian continua a trilhar seu caminho com a mesma paixão do primeiro dia, pronto para emocionar novas plateias. Afinal, mais do que acumular sucessos comerciais, sua grande missão é continuar dividindo sua verdade através da música e fazendo o que mais ama com intensidade, alma e verdade.
📸 Fotos: Acervo Pessoal Fabian James
1. Você nasceu na Colômbia e construiu parte da sua carreira no Brasil. Como essa travessia entre dois países transformou sua identidade artística e pessoal?
Assim, realmente, eu acho que o que me ajudou bastante no Brasil É a ser um pouco mais extrovertido. Eu sempre fui do rock. E então o rock, se você vai de um canto para outro e você canta as mesmas coisas, meio que não muda muita coisa, mas muda o público para o que você canta. Isso é o que muda. Então se mudou algumas coisas, eu me soltei um pouco mais. Sou mais extrovertido nos shows, um pouco mais animado, porque o público brasileiro gosta mais de farra, gosta mais da dança e tal também. Tem galera que vai sua para apreciar a música? Tem, mas eu acho que é mais a galera que vai para a farra que para o para apreciar a música que são duas coisas que trabalham juntas, mas às vezes nem se mistura. Então mudou essa parte de mim. Sim, fiquei um pouco mais solto, fiquei um pouco mais aberto a outros ritmos também. Eu acho que foi isso. E tem uma coisa interessante que Colômbia e Brasil são muito parecidos, a questão do povo animado e tal, mas nos lugares que eu tocava lá, o povo era mais pendente dessa execução musical, era mais crítico musicalmente, vamos dizer assim.
2. Quando você compõe ou escolhe uma música para interpretar, o que pesa mais: a técnica, a emoção ou a história que aquela canção carrega?
Quando eu compunho, eu não escolho. Composição, assim, a inspiração chega do nada, você está de repente fazendo dois acordes ali, chegou uma ideia. Aí você começa a explorar aquela ideia. Aí você vai atrás e você se sente um pouco livre. Então assim, nesse momento a composição é guiada pela emoção do que a música está lhe passando. Já o sentimento, eu acho que vem depois também, porque às vezes eu fico compondo alguma música e fico imaginando a história, como no cinema, quando você assiste um filme, você sabe mais ou menos como começa, mas você não sabe como vai terminar. Então, nos meus momentos de composição é assim. Quando eu vou interpretar, a música também me passa algumas emoções, assim, várias. Na verdade, tem músicas que odeio, tem músicas que não conheço, mas gosto, tem músicas que não conheço e não gosto. Então, na parte dos covers, eu acho que depende muito do estado de ânimo da pessoa na hora de abordar a música.
3. Quais elementos da cultura colombiana permanecem presentes na sua música, mesmo quando você está cantando rock, pop ou repertórios internacionais?
Essa pergunta é difícil, porque quando você faz rock em inglês é meio que meu chip muda, estou cantando em inglês, então muda até a forma de cantar, utilizo outra voz, utilizo outros. recursos que tenho a voz e o drive, por exemplo, notas mais agudas, mas assim, nesse momento eu não incorporo muita cosa da música colombiana assim em um repertório que seja pop rock em inglês, sabe? Agora, quando eu vou cantar rock em espanhol, aí realmente muda tudo, muda até minha voz muda fica uma voz mais limpa, dependendo da música que há, dependendo do estilo, se é Maná [banda de rock do México], que é mais romântico. Aí eu mudo completamente a voz, mudo o semblante. Interessante pergunta.
4. Muitos artistas enfrentam o desafio de equilibrar autenticidade e mercado. Em algum momento você sentiu que precisava escolher entre ser fiel à sua essência ou atender às expectativas do público?
Sim, é um desafio que eu enfrento todos os dias, sempre. Porque quando você se converte em um músico que toca músicas covers, você tem que estabelecer um repertório que agrade as pessoas. Mesmo que você não goste desse repertório, você vê a música como uma profissão, então o profissional não pode agradar todo mundo, mas ele vai fazer o que o povo espera que ele faça. Logicamente, na metade desses repertórios aí, eu sempre coloco coisas que eu gosto. E na questão de manter meu estilo, eu mantenho sim, eu posso tocar uma música em português, mas eu boto o Fabian James ali, que é meio grunge, meio folk no meio. Eu vou cantar uma música pop, aí eu coloco também meu DNA ali, coloco, faço minhas versões. Me acontece que às vezes eu já nem me lembro como são as músicas originalmente, só quando eu escuto de novo, caramba, mudou bastante, mas sim, se leva um equilíbrio, se mantém um equilíbrio entre a fidelidade e a essência.
5. Você canta em espanhol, português e inglês. Como cada idioma influencia a forma como você expressa sentimentos e se conecta com a audiência?
Interessante, quando eu canto em inglês, eu foco mais na expressividade da e no arranjo vocal, sabe? Ou seja, eu meio que me esforço mais pela técnica. E logicamente, você está cantando um idioma que não é o seu, então você foca mais na técnica, eu acho. Depois que você aprende essa música, você canta, você canta, você aprende a meio aqui a fazer ela parte de você. Então, em inglês, eu sou um pouco mais agressivo falando assim em português, eu acho lindo cantar em português. Eu sinto um prazer assim, eu não sei, é uma coisa pra sentir quando eu canto português, porque eu consigo entender o que eu estou cantando e ao mesmo tempo estou me esforçando para que soe parecido. Então para mim é um desafio isso. E cantar em espanhol é bom demais. Você não precisa se preocupar com o idioma, então você flui, você transmite um sentimento mais verídico, eu acho. E como eu falei antes, minha voz fica mais limpa, uma voz que eu uso pouco, na verdade. Então eu me sinto cantando mais à vontade, mais relaxado e não sei o porquê, mas cantar em espanhol eu vejo no público que o público reage como se fosse uma coisa sensual e eu não sabia disso até que eu vim para o Brasil e observei a sensualidade do espanhol.
6. O que a música lhe ensinou sobre pertencimento, especialmente vivendo longe do seu país de origem?
Você aprende a valorizar mais, sabe? Quando você cresce escutando sempre o mesmo, você vai no carro, seu pai escuta uma rádio, sua mãe escuta a rádio em casa, está no trabalho e alguém está escutando uma música ali, você escuta músicas colombianas e até não me lembro agora exatamente, mas vamos dizer assim, músicas em espanhol, colombianas, aí você tem algumas que você enjoa, e essas músicas quando eles aparecem na sua vida e casualmente você escuta ela sei lá, num barzinho e porque toda a música em português, aí de repente só tocar uma música em espanhol. Aí você se sente um pouco nostálgico. Eu sinto, eu sinto um pouco de nostalgia e fico pensando, caramba, eu começo a escutar a música, os detalhes de como foi feita e isso me dá uma coisa muito legal, assim, não sei, é uma nostalgia boa, sabe? E começo a dar realmente a dar mais valor. Eu começo a escutar mais coisas desse artista, por exemplo, penso, poxa, porque eu nunca o vi antes. Você já escutou, mas você nunca o viu. O que vira é diferente nele.
7. Existe alguma apresentação específica que tenha mudado sua visão sobre o propósito da arte ou sobre o impacto que um artista pode ter na vida das pessoas?
Tem sim. Teve uma recentemente, eu estava tocando num barzinho e estava fazendo voz e violão, uma coisa bem simples. Como artista, às vezes eu nem gosto muito, mas no final, eu acabo gostando, porque é meio que uma conexão sempre comigo, irá começar a ser como um ritual. Vocês cantando, vocês escutando e às vezes você acha que o povo não está prestando atenção. Às vezes você acha que o povo não aplaude, você pensa assim, a galera não tá nem aí. Mas o curioso é que a galera tá assim. Aí um dia desses eu estava tocando. comecei a tocar “Yolanda” de Pablo Milanez e eu vi que um cara ficou olhando para mim assim fixamente eu tocando e ele olhava para mim e olhava cabeça ele começou a chorar e eu fiquei assim meio poxa que aconteceu né?
O show finalizou ele veio falar comigo e falou assim irmão muito obrigado muito obrigado por cantar essa música, pois minha mãe se chamava Yolanda e ela adorava essa música e eu não ouvia ela faz muitos anos, muitos anos, porque desde que ela faleceu, não conseguia ouvir mais. Eu não vou escutar a música, eu troco ela porque me dá uma saudade muito intensa. Mas hoje, como eu não tinha a opção de trocar a música e você começou a tocar a música, então o que eu fiz foi escutar ele e lembrar dela e isso me deu uma sensação muito legal. Eu agradeço você hoje, você mudou meu dia, sabe? Eu estava estressado do trabalho, estava vim aqui tomando cerveja, terminei chorando e drenando muita energia através dessa sua interpretação, que por certo foi muito boa. Aí fiquei pensando assim, caramba, hoje eu saí para tocar, pode ser que não tenha mudado a vida de ninguém, mas pelo menos mudei o dia de alguém.
8. Quando olha para a sua trajetória, qual foi o momento mais difícil e o que esse período revelou sobre você que o sucesso talvez nunca revelasse?
Eu acho que foi quando meu pai faleceu. Eu estava aqui no Brasil e eu estava sem emprego, sem expectativa de nada e peguei o violão e comecei a pensar assim, e se eu tocasse por dinheiro? Porque eu não tocava por dinheiro, eu tocava por prazer. Eu sempre tive dois trabalhos, mas nesse momento eu não tinha. Então pensei, vou tocar. E vou fazer um dinheiro com isso. Aí o que eu entendi, que às vezes você fica se preparando, se preparando sempre para algo e você às vezes não faz. E no momento que eu fiz, eu vi que eu gostava mais do que eu pensava que eu gostava. Eu comecei a fazer com mais amor e o sucesso foi acontecendo. Fui aos poucos. mais shows, mais shows, mais shows assim, show ali, show ali, show aqui. E aí eu percebi que que realmente eu poderia fazer algo. Eu poderia fazer algo além do dinheiro que eu fazia para me manter, que é sobreviver de música, não é viver de música, sobreviver de música que não é um mundo fácil. Eu entendi que o sucesso vem com muito esforço. O sucesso não é uma coisa fácil e o sucesso é relativo, não é? Tem gente que imagina que o sucesso é lotar estádios. Tem outras pessoas que pensam que o sucesso é pagar as contas do mês. Isso é muito relativo. Mas a música pode preencher estádios, pode pagar as contas do mês ou pode simplesmente não lhe dar dinheiro. Ou seja, pode ser você fazer um show que você sempre quis sem receber nada. Então o sucesso é uma coisa muito relativa e vá atrelado ao que a pessoa quer. Se você quer ser famoso, você quer ser mais, você simplesmente quer tocar. Só o fato de você tirar uma música da sua cabeça que estava ali há anos sendo trabalhada e você cantar ela e escrevê-la, isso já é um sucesso. Então é um sucesso realmente acontece de várias formas.
9. Se pudesse transmitir apenas uma mensagem através de toda a sua obra, qual seria e por quê?
Se pudesse transmitir apenas uma mensagem através de toda sua obra, eu acho que a mensagem seria divirta-se. Divirta-se como músico. O sucesso é apenas um. consequência dessa diversão você pode começar por se divertir se você se divertte se você gosta do que você faz faça com amor ninguém está lhe obrigando a tocar então bora se divertir faça com amor a música que ela vai lhe devolver muitas coisas!
10. Qual é uma parte da sua história que o público quase nunca conhece, mas que foi fundamental para formar o Fabian James que vemos hoje?
Eu acho que foi a minha guerra contra o consumo de álcool, porque quando eu parei de viver, eu me tornei uma pessoa mais responsável, mais conectada com as notas. mais conectada com a música assim antes quando bebia e misturava muito as coisas. Muitas vezes bêbado, no meio do álcool e tal eu compunha coisas eu fazia coisas interessantes também, mas agora que minha mente está 100% sóbria, eu vejo que eu posso fazer muito mais. E se eu voltasse no tempo, eu beberia menos e tocaria bem mais.