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segunda-feira, 27 de julho de 2026

🪗 Madame Forró: A transformação de uma artista francesa pela cultura forrozeira


🌟 Delphine Picard, francesa de nascimento e nordestina por adoção afetiva, encontrou na sanfona um caminho de transformação. Autodidata, viajante e artista de diversas linguagens, ela descobriu no forró um lar para sua energia criativa.

🎶 Hoje, com o projeto Madame Forró, segue sua trajetória itinerante levando muito forró pela Europa e pelo Brasil. Para ela, a sanfona é companheira na solitude, mas também é festa, é rua, é povo dançando e cantando, é cortejo e roda. É popular.

🌍 Através das suas vivências no Brasil, sua visão de mundo e sua relação com a própria identidade francesa se transformaram, criando uma artista que transita entre culturas com naturalidade. Suas maiores influências vêm dos forrozeiros anônimos que tocam nos quatro cantos do Nordeste.

❤️ Na sua apresentação, podemos reconhecer sua origem francesa, no seu sotaque e seu jeitinho, mas seu coração, sem dúvida, pulsa no compasso do forró pé de serra.

📸 Fotos: Wilton Claus / Paulo Cavalcanti / Tiago Bezerra dos Santos



1.⁠ ⁠Como você percebe a transformação da sua identidade musical desde os primeiros contatos com o acordeon até se tornar a Madame Forró?

A sanfona foi meu primeiro instrumento. Comecei com 23 anos e de forma autodidata.

Tive uma vida de muitas viagens e andanças, e a arte sempre esteve ligada a esses movimentos.

O forró me deu um norte, concentrou a minha energia e foi através dele que realmente me envolvi na música e comecei a estudar de fato a sanfona e o canto.

Minha identidade musical está se construindo por meio do projeto Madame Forró. Antes disso, a música era um acompanhamento para minhas performances de dança e circo.

Assim, comecei dançando e hoje sou uma musicista que faz dançar. Amo ver o mundo girar!

2.⁠ ⁠O que a sanfona representa para você emocionalmente e artisticamente, e como esse instrumento moldou sua forma de se expressar no palco?

A sanfona foi, primeiramente, uma companhia para domar um sentimento de solidão. Ela me ensinou a transformar essa solidão em solitude até amar essa solitude.

Também, no meu imaginário francês, o acordeon é o instrumento predileto na arte de rua. 

E a rua foi um palco que sempre me inspirou muito. Comecei nela, atuando com diversas artes, e continuo nela até hoje.

Amo tocar para o povo dançar. Isso me traz uma alegria gigante. A sanfona é uma festa, onde quer que chegue.

Para mim, ela é uma verdadeira companheira e ela me dá energia nas apresentações.

Mas hoje também sinto vontade de expressar outros aspectos de mim, além da sanfona, e até sem ela. E estou descobrindo como juntar tudo isso na minha expressão artística.

3.⁠ ⁠Qual foi o momento ou encontro que fez você sentir que o forró não era apenas um ritmo estrangeiro, mas um lugar onde você realmente pertencia?

Primeiramente, cada vez que estou tocando e alguém canta junto comigo, ou quando o público canta enquanto estou no palco, sinto que pertenço a essa cultura.

Ou quando participo de procissões ou de grandes rodas de sanfoneiros e sanfoneiras, como em Cruz das Almas (BA), Dom Inocêncio (PI), Itaúnas (ES), Recife (PE) ou ainda na Caminhada do Forró em Arcoverde (PE).

Sinto que pertenço quando luto junto com os colegas forrozeiros, participando da sua preservação, sem desistir, apesar das condições difíceis, valorizando e apoiando quem produz e mantém essa cultura…

Quando encontrei o último irmão vivo de Luiz Gonzaga, João Gonzaga, em Exu, e quando vejo todas as amizades que o forró trouxe para minha vida.

Quando percebo que, tocando, encanto os brasileiros.

Quando, no Natal, puxei o fole no Hospital de Arcoverde e vi tantas pessoas, pacientes e funcionários, cantando junto.

Porque o forró ecoa no meu coração.

Pertenço ao forró porque ele me toca.

Eu amo o forró. « Quem ama, cuida », alguém me disse isso algum dia. E, quando cuidamos, pertencemos.

4.⁠ ⁠De que maneira a música brasileira transformou sua visão de mundo e sua relação com a própria identidade francesa?

Na minha percepção, a música brasileira é, antes de tudo, coração e sentimento. Ela é generosa e abundante por natureza, enquanto percebo a minha cultura como exigente e racional demais em alguns aspectos.

Acredito que se eu não tivesse vivido todos esses anos no Brasil, nunca teria me tornado musicista. 

O Brasil me libertou de algumas coisas que me travavam dentro da minha própria cultura. 

A música brasileira me ensina a espontaneidade, o improviso, o balanço, o ritmo, o jeito descontraído, a confiança de que tudo dá certo, a alegria de tocar e, para mim, o mais bonito: a entrega.

Na verdade, o Brasil, além da música, mudou minha visão do mundo. Antes de tudo, essa cultura me ensina todo dia a fortalecer um olhar espiritual e humilde diante da existência.

Mas acredito que qualquer pessoa que se abra para outra cultura cresce com ela, não tem como ser diferente. Se confrontar com outra cultura é riquíssimo. 

Me sinto privilegiada por poder viver essa experiência e sou muito grata por isso.

5.⁠ ⁠Quais são os maiores desafios de traduzir a poesia do forró para o francês sem perder a alma nordestina presente nas letras originais?

Os desafios para fazer versões em francês (que não são feitas por Inteligência Artificial) são respeitar a métrica e as dinâmicas vocais, preservar o sentido e deixar a canção soar musical e bonita também na outra língua. 

Consigo chegar a um resultado que acho fluido e, de certa forma, poético em francês. Mas muitas músicas eu não consigo traduzir.

E sobre saber se a alma nordestina permanece é algo muito delicado; acredito que somente alguém que esteja conheça profundamente as duas línguas e a cultura nordestina poderia dar sua opinião.

6.⁠ ⁠Quando você adapta músicas tradicionais para o francês, o que você busca preservar e o que você sente que precisa transformar para que a canção dialogue com o público europeu?

Na Europa, existe uma comunidade de forrozeiros, principalmente pessoas que fazem aulas de dança. 

Elas amam muito a dança e a música, mas, na minha opinião, poucas conhecem a cultura do forró.

Quando adapto as músicas, tento transformar o mínimo possível o sentido das palavras e das frases. Meu interesse é trazer aquilo que está dito dentro das canções da forma mais próxima possível da versão original.

Acho interessante que meus conterrâneos que amam dançar forró possam entender um pouco das letras.

As canções contam a história dessa cultura. Elas falam por si só e são riquíssimas.

Não estou adaptando para agradar o público francês, mas para que ele possa ouvir e compreender o que é dito dentro das canções.

7.⁠ ⁠Como você enxerga o encontro entre a tradição francesa do acordeon e a força rítmica do forró nordestino dentro da sua própria obra?

Me formei musicalmente no forró; quase nunca toquei música francesa. Até chegar ao Brasil, eu arranhava poucas coisas na sanfona.

Mas, mesmo assim, cresci na França até os meus 33 anos e sempre escutei música francesa, inclusive, em relação à música brasileira, conhecia apenas um álbum de João Gilberto com Stan Getz!

E claro, a música que ouvimos desde a infância nos molda, mesmo quando não somos músicos.

Me considero intérprete de músicas tradicionais, e minha « obra » está se construindo através das minhas músicas autorais.

A primeira « Caatinga » é um baião contando detalhes que me deixaram encantada nas minhas viagens pelo Sertão.

A segunda « Forró do Zé Bezerra » é uma homenagem ao Zé Bezerra, repentista, artista e artesão do vale do Catimbau em Pernambuco.

Acredito que essa junção entre minha cultura de origem e a minha cultura adotiva, seja bem perceptível nessas músicas.

Foi uma grande surpresa para mim compor minha primeira canção em português. E quanto à força rítmica do forró, ela é uma escola sem fim, rsrs!

8.⁠ ⁠Quais artistas brasileiros mais influenciaram sua forma de tocar e interpretar, e o que você aprendeu com cada um deles?

Essa talvez seja a pergunta mais difícil para mim, porque nunca pensei em imitar alguém.

Meu amor pelo forró foi crescendo aos poucos, na convivência com essa cultura, no dia a dia: nas feiras do Vale do Capão, onde vivi alguns anos e onde, todos os domingos, Igor Bastos, luthier, e seus amigos tocavam forró de pífano entre as barracas; com os artistas das localidades por onde passei - Igatu, Andaraí, Mucugê, Ilhéus, Itaúnas e Itacaré, entre tantas outras -; com meus amigos, a multi-instrumentista Cãmiula, de Amargosa e o forrozeiro Natureza de Itapetinga; com Marquinhos Café e Ranier Oliveira, com quem fiz algumas aulas de sanfona; e com Cau e Isa Reis, com quem fiz aulas de canto.

Claro que escuto sempre Marinês, Anastácia, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino… e tantos outros artistas, antigos e atuais.

Mas quem realmente me influenciou, e continua me influenciando, são muitos artistas pouco conhecidos, que muitas vezes têm outra profissão e fazem forró no tempo livre. Foi com esse povo que aprendi e continuo aprendendo. Os forrozeiros anônimos dos quatro cantos do Nordeste são minhas maiores referências.

Mais recentemente, compartilhei momentos maravilhosos com Écore Nascimento de Teresina, Socorro & Mazé, de Taquaritinga do Norte, Mestre Assis Calixto, do Coco Raízes de Arcoverde, e Luiz Fidélis, de Juazeiro do Norte. Eles foram grandes inspirações para mim tanto para compor como para mergulhar mais profundamente ainda na musicalidade nordestina.

9.⁠ ⁠Quais elementos da música francesa você percebe que continuam presentes no seu estilo, mesmo dentro do forró?

Eu acho que o meu sotaque no canto e talvez o meu ritmo interno, sabe? Nasci na valsa e não no baião!

Minha forma de apertar os botões, a minha pegada… rsrs!!!

10.⁠ ⁠Em que medida você sente que sua música hoje é um território híbrido, onde Brasil e França não competem, mas se complementam para criar algo novo?

Apresento até agora um repertório tradicional e me sinto totalmente dentro do gênero Forró Pé de Serra. Sou sanfoneira pro povo dançar. 

E apesar de ter nascido em outra terra, me vejo como parte de um movimento de preservação dessa tradição musical.

O meu sotaquezinho e as versões que eu canto na minha língua materna trazem um jeitinho diferente.

Tenho a sensção de trazer algum detalhe diferente dentro dum gênero musical amplo e riquíssimo com qual me indentifico profundamente.


Agradeço pelas perguntas.


🎬 O Brilho de Altemar Dutra Jr. no RioMar Recife: Uma Apresentação Inesquecível!

🎤 🌟 O famoso cantor e intérprete Altemar Dutra Jr. desembarcou recentemente no prestigiado RioMar Recife, atraindo a atenção de fãs e curiosos que lotaram os corredores do centro de compras. Trajado com um elegante terno claro, impecavelmente cortado, e sorrindo com simpatia, ele caminhou pelos espaços do shopping cercado por uma equipe de segurança particular. A atmosfera era de pura expectativa e alegria, com dezenas de pessoas registrando cada momento da chegada do artista que marcou gerações com seu talento e carisma inconfundíveis.

🎶 Logo após o trajeto pelos corredores, Altemar Dutra Jr. subiu ao palco preparado especialmente para o evento musical, onde emocionou o público presente com uma performance vibrante e repleta de sentimento. Segurando o microfone com firmeza, ele entoou sucessos clássicos que tocaram o coração dos admiradores, demonstrando toda a sua potência vocal e versatilidade artística. A iluminação especial do espaço destacava a grandiosidade da apresentação, criando um ambiente intimista e festivo que contagiou a todos os presentes do início ao final do show.

📷 Foto: GF Produções

Informações de serviço: Evento realizado no RioMar Recife, localizado na Av. República do Líbano, 251 - Pina, Recife - PE. Apresentação aberta ao público com cobertura de segurança e produção artística especializada.


🌟 Tambores que Cruzam Oceanos no Sukiyaki 2026 🇧🇷🇯🇵



🎶 O festival Sukiyaki Meets the World confirma uma edição marcada por encontros musicais que atravessam fronteiras e tradições. Entre os destaques, o trio HIROSE TACT E Irmas Macaxeira retorna ao evento com sua interpretação intensa do Maracatu Baque Virado, apresentando ao público japonês a pulsação dos tambores pernambucanos em formato compacto e cheio de vigor. A força do trio se revela na precisão rítmica e na entrega cênica, que transformam cada apresentação em um convite ao movimento.

🥁 O trio integra também o grupo BAQUEBA, referência na difusão da cultura percussiva nordestina no Japão. Com passagens por festivais, eventos culturais e atividades educativas, o projeto se destaca pela capacidade de traduzir a densidade do Maracatu para diferentes públicos. Suas performances carregam a experiência adquirida em competições oficiais da Nação do Maracatu Porto Rico, reforçando o compromisso com a tradição e a legitimidade da prática.

🌍 A edição de 2026 acontece de 21 a 23 de agosto, no Fukuno Cultural Creativity Center Helios, localizado em Fukuno, cidade de Nanto, província de Toyama, no Japão. O espaço, conhecido simplesmente como HELIOS, é um centro cultural que abriga teatro, salas de criação e o palco principal do festival, funcionando como ponto de encontro entre artistas de diversas partes do mundo. No dia 22, o palco recebe Sibusile Xaba, guitarrista sul‑africano de estética espiritual; Sia Tolno com Jaribu Afrobeat Arkestra, que une Guiné e Japão em uma fusão poderosa; além do grupo japonês SAI e da tradicional Sukiyaki Steel Orchestra.

🔥 No dia 23, o Helios Stage recebe o duo malauiano Madalitso Band, conhecido por sua sonoridade minimalista e hipnotizante; o emblemático OKI Dub Ainu Band, que une tradição Ainu e dub; e o grupo japonês CHAPPO, completando uma programação que atravessa identidades e territórios. Cada apresentação promete uma experiência sonora única, reafirmando o festival como um dos mais importantes encontros de música do mundo.

🪘 Além dos shows, o festival oferece workshops de longa duração com mestres de diferentes tradições. Entre eles, Candice & Emmanuel, do lendário grupo de steelpan The Renegades; o pesquisador musical Salam Unagami; e o coletivo Chikyu‑Bu, da Kanazawa College of Art. As atividades convidam o público a mergulhar em práticas musicais diversas, aprendendo diretamente com artistas que carregam histórias profundas e vivências transformadoras.

SERVIÇO

SUKIYAKI MEETS THE WORLD 2026  
📅 21 a 23 de agosto de 2026  
📍 Fukuno Cultural Creativity Center Helios — Fukuno, Nanto-shi, Toyama, Japão  


domingo, 26 de julho de 2026

✨ Blog Taís Paranhos: Comunicação com Propósito, Ética e Transparência 🎯📰


No Blog Taís Paranhos, acreditar no poder da informação é também respeitar a confiança de quem está do outro lado da tela. Ao longo da nossa trajetória, construímos um espaço pautado pelo compromisso com a cultura, as histórias da nossa terra e a verdade do jornalismo. ❤️📱

À medida que nosso trabalho cresce e se diversifica, mantemos um pilar inegociável: a ética na produção e monetização de conteúdo. Seja em coberturas contratadas, projetos de publishing ou anúncios publicitários, você sempre saberá exatamente o que é editorial e o que é uma parceria comercial. 💡🤝

Acreditamos que marcas, parceiros e projetos culturais somam forças com o nosso veículo quando compartilham do mesmo respeito pelo público. Valorizamos cada patrocínio e parceria estratégica, pois são eles que viabilizam uma cobertura de excelência — mas é a transparência que garante a credibilidade do que entregamos todos os dias. 📸🎤

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📸 Foto: Sori Galtama 

#SendoProsperidade com Mariângela Borba

A sabedoria atravessa pontes

"Concede ao teu servo um coração cheio de discernimento..." (1 Reis 3,5.7-12)

Por Mariângela Borba

Há leituras bíblicas que conhecemos. Outras, porém, nos encontram exatamente quando mais precisamos delas.

Faço parte da equipe de Liturgia da Igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos, no bairro de Santo Antônio, centro do Recife. Nesta semana, fui convidada a proclamar, para a assembleia, a Primeira Leitura do 17º Domingo do Tempo Comum: 1 Reis 3,5.7-12.

Entre os compromissos do dia e as ruas bloqueadas por podas de árvores no caminho, cheguei à missa quase em cima da hora. Mas deu tudo certo.

Eu já havia lido aquele texto outras vezes, mas ele nunca me atravessara daquela maneira. Somente ao proclamá-lo para a assembleia compreendi que aquelas palavras já não encontravam a mesma mulher.

Na primeira vez em que li esse texto, não tive essa impressão.

O texto permaneceu.

Quem mudou fui eu.

Salomão poderia ter pedido riqueza. Poderia ter pedido poder, vida longa ou a derrota de seus inimigos.

Pediu discernimento.

Talvez porque soubesse que existem conquistas que só fazem sentido quando aprendemos o que fazer com elas.

Enquanto proclamava aquela leitura, lembrei-me da minha mãe. Graças a Deus, tive uma mulher que me ensinou, sem discursos grandiosos, mas pela própria vida, que o melhor caminho sempre seria o da sabedoria. Talvez por isso eu tenha escolhido uma existência diferente, procurando valorizar aquilo que realmente importa.

Hoje ela já não está fisicamente ao meu lado, mas permanece viva em cada decisão que tomo.

Algumas presenças não desaparecem.

Transformam-se em direção.

Curiosamente, poucos dias após celebrarmos o Dia Mundial do Cérebro, li uma reportagem reunindo pesquisas que mostram como a fé pode modificar a forma como o cérebro responde à dor, fortalecendo a esperança, a resiliência e até influenciando positivamente indicadores de saúde.

Celebrar o cérebro é importante.

Mas talvez ainda mais importante seja compreender que ele nunca caminha sozinho.

Porque nós também nunca caminhamos apenas com neurônios.

É justamente aí que, tantas vezes, ciência e espiritualidade deixam de competir para começar a dialogar.

Também não acredito no extremo oposto.

Não me convence reduzir a religião ao "ópio do povo", como sugeria Marx, nem transformar a fé na explicação única para todos os fenômenos da existência.

O ser humano jamais coube em uma única lente.

Talvez por isso me incomode tanto a antiga divisão entre naturalistas e humanistas. Ainda ouvimos, com certa frequência, a ideia de que quem pertence às Ciências Humanas "não faz ciência", como se investigar o cérebro fosse ciência, mas investigar o sofrimento humano não fosse.

Essa dicotomia empobrece ambos os lados.

Freud era médico.

Jung também.

Nise da Silveira, igualmente médica, revolucionou a psiquiatria brasileira sem abandonar o rigor científico.

Ao contrário.

Ampliou-o.

Inspirada pelo pensamento junguiano, percebeu que muitos pacientes conseguiam expressar, por meio da arte, aquilo que jamais conseguiriam colocar em palavras. As mandalas produzidas espontaneamente por seus internos não eram simples desenhos; eram tentativas da própria psique de reorganizar-se.

Quando a palavra falha, o símbolo fala.

Quando a razão se esgota, a arte continua.

Quando a dor silencia, a fé, muitas vezes, permanece.

Esses grandes pensadores atravessaram uma ponte.

Não abandonaram a ciência.

Ampliaram-na.

Compreenderam que cérebro, mente, cultura, símbolos, espiritualidade e relações humanas não competem entre si.

Formam uma rede de saberes que se entrelaçam na tentativa de compreender aquilo que nenhum deles, isoladamente, consegue explicar.

Ferenczi compreendia que o sofrimento humano torna-se mais suportável quando encontra um ambiente capaz de acolhê-lo. Talvez a fé também funcione, muitas vezes, como esse lugar interno de acolhimento. Ela não elimina a dor, mas impede que ela ocupe todo o espaço da existência.

Já Contardo Calligaris observava que vivemos numa época profundamente contraditória. Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão distantes. Buscamos transcendência, mas frequentemente produzimos relações superficiais, imediatistas e frágeis.

Talvez por isso a oração de Salomão continue tão atual.

Enquanto insistimos em pedir resultados, ele pediu discernimento.

É isso que eu também peço.

Enquanto desejamos que toda dor desapareça, talvez o primeiro passo seja aprender a atribuir-lhe sentido.

Hoje percebo que Deus não respondeu ao pedido de Salomão com uma moeda.

Respondeu com uma bússola.

Talvez seja essa a verdadeira prosperidade: desenvolver sabedoria suficiente para integrar aquilo que insistimos em separar.

Porque o ser humano é cérebro.

É corpo.

É símbolo.

É arte.

É afeto.

É cultura.

É transcendência.

Hoje continuo desejando o pão — e com razão.

Mas compreendi que, sem uma bússola, até quem encontra o pão pode acabar se perdendo.

Talvez Salomão nunca tenha pedido menos do que imaginávamos.

Ao pedir discernimento, pediu exatamente aquilo que permite encontrar o pão sem perder o caminho.

E talvez a verdadeira prosperidade comece exatamente aí.

Mariângela Borba é jornalista (DRT-PE 4095), especialista em Cultura Pernambucana, produtora cultural, pesquisadora da palavra como território de poder e autora da coluna #SendoProsperidade. 🌻

🟣 Celebração, Arte e Resistência no Sarau das Artes e homenagem à cantora Elaine Cristina


💜 Ontem, o Sarau das Artes ganhou brilho especial com a homenagem à cantora, atriz e dentista Elaine Cristina, reconhecida pelo coletivo Gorda Sim por sua atuação múltipla e potente na cena cultural. O evento reuniu nomes como a vereadora do Recife, Cida Pedrosa; a deputada estadual Rosa Amorim, além de diversos representantes da cultura pernambucana, além da presença afetuosa de familiares, amigos e amigas que celebraram este momento de reconhecimento e força.

💠 No palco, Elaine não apenas emocionou com sua arte, mas também reafirmou seu compromisso com a luta por direitos, denunciando a onda de preconceitos e comportamentos repugnantes que têm surgido na sociedade. Sua fala ecoou como manifesto, lembrando que a cultura é resistência, que a ciência é caminho e que as mulheres especialmente as mulheres negras seguem sendo pilares de transformação.

💗 A homenagem, marcada por música, poesia e afeto, reforçou a importância de coletivos como o Gorda Sim, que ampliam vozes e narrativas historicamente silenciadas. O vídeo registrado durante o evento mostra um pouco da energia pulsante desse encontro, convidando o público a curtir, comentar e compartilhar para fortalecer ainda mais essa rede de apoio e visibilidade.

💛 Entre aplausos, abraços e discursos, o Sarau das Artes reafirmou seu papel como espaço de celebração da diversidade e da potência criativa. A noite foi um lembrete vivo de que a arte é ferramenta de luta, que a coletividade transforma e que a presença de mulheres negras no protagonismo é essencial para construir um futuro mais justo e plural.

📸 Foto: Divulgação Elaine Cristina

SERVIÇO

Evento: Sarau das Artes Homenagem do Coletivo Gorda Sim
Homenageada: Elaine Cristina cantora, atriz e dentista
Local: Recife PE
Participações: Cida Pedrosa, Rosa Amorim, representantes da cultura, familiares e amigos
Apoio: Coletivo Gorda Sim

🪗 Forró de Domingo promete sacudir a Sala de Reboco


🎶 Neste domingo, 26 de julho, a Sala de Reboco abre as portas para uma tarde dedicada ao forró pé-de-serra e ao forró das antigas, reunindo tradição, alegria e aquele clima arretado que só a casa sabe oferecer. A atração principal fica por conta da banda Xamegões do Forró, que promete botar todo mundo pra xamegar sem parar. A programação começa cedo e segue animada até a noite, garantindo um domingo diferente para quem não dispensa um bom arrasta-pé.

🌵 A abertura do evento será comandada pelo Quinteto Sala de Reboco, grupo da casa que já é conhecido por aquecer o salão com clássicos do forró e interpretações cheias de energia. A casa inicia suas atividades às 16h, e o forró ao vivo começa às 17h, embalando o público até pelo menos 22h. A recomendação é chegar cedo para aproveitar cada momento e garantir um lugar confortável para dançar.

💃 Para incentivar ainda mais a presença do público, a Sala de Reboco oferece promoção especial para mulheres e estudantes universitários que apresentarem carteirinha: quem chegar até às 18h paga apenas R$10,00 no couvert artístico. A iniciativa busca valorizar o público fiel da casa e atrair novos frequentadores para vivenciar a experiência do forró tradicional.

🎼 Com ambiente decorado, música de qualidade e clima acolhedor, o evento deste domingo reforça o compromisso da Sala de Reboco com a cultura nordestina. A casa, referência no Recife quando o assunto é forró, segue reunindo gerações em torno da sanfona, do triângulo e do zabumba, mantendo viva a essência do ritmo que atravessa décadas.


SERVIÇO
Evento: Domingou Vem Xamegar – Xamegões do Forró  
Abertura: Quinteto Sala de Reboco  
Data: Domingo, 26 de julho  
Horário: Abertura da casa às 16h | Forró ao vivo às 17h | Até 22h  
Local: Rua Gregório Júnior, 264 – Cordeiro, Recife  
Couvert: R$20,00 | Promoção: mulheres e estudantes até 18h pagam R$10,00  
Contato: [81] 9.9949-8687  
Redes sociais: @saladerebocorecifepe | @saladerebocorecife | @saladerebocobarecomedoria

sábado, 25 de julho de 2026

🪗 Cordeando: O forró recifense conquista o Brasil com ritmo, identidade e premiação nacional #AoVivoEemCores


🪗 Com uma essência vibrante que traduz a força da cultura pernambucana, a banda recifense Cordeando celebra um momento marcante em sua trajetória ao consolidar seu espaço no cenário do forró tradicional. O grupo consagrou-se com o expressivo 3º lugar no prestigiado Festival Nacional de Forró de Itaúnas (FENFIT) 2025, no Espírito Santo, levando a musicalidade do Recife para uma das maiores vitrines do gênero no país e reafirmando a potência da nova safra do arrasta-pé.

🪗 Unindo a instrumentação clássica da sanfona, zabumba e triângulo a um repertório envolvente, a Cordeando vem movimentando o circuito cultural pernambucano com noites de salão cheio e projetos marcantes, a exemplo do concorrido "Fuá do Forrobodó". Além de marcar presença em grandes encontros dedicados ao instrumento, como o projeto Cantos e Encantos da Sanfona ao lado de mestres locais, a banda lança agora sua nova aposta musical, a canção "Se Você Soubesse Amar".

🪗 Terezinha do Acordeon se prepara para emocionar no Cantos e Encantos da Sanfona #AoVivoEemCores


🟡 No Cantos e Encantos da Sanfona, idealizado por Beto Hortis, Terezinha do Acordeon vive momentos de expectativa e preparação para sua apresentação no cortejo que celebra o instrumento que marcou sua vida. A pioneira, primeira mulher nordestina a subir num palco tocando sanfona, leva ao evento a força de mais de seis décadas dedicadas ao forró pé de serra. Sua presença conecta passado e presente, reforçando a importância de valorizar quem abriu caminhos para tantas sanfoneiras. O público aguarda com carinho o momento em que ela abrirá o fole.  


🟣 Enquanto se prepara, Terezinha revisita memórias que começaram aos 12 anos, quando recebeu sua primeira sanfona em Salgueiro. No cortejo, sua participação promete dar brilho especial às ruas, reunindo gerações em torno do instrumento que ela ajudou a popularizar entre mulheres. Cada ensaio carrega emoção, resistência e celebração. A artista transforma o evento em encontro afetivo com a tradição, trazendo consigo a força de quem vive a música como missão.  


🟢 Sua presença no Cantos e Encantos dialoga com iniciativas que ela própria criou, como a Troça Sanfona do Povo e a Orquestra Sanfônica de Pernambuco. Ao se preparar para o cortejo, reafirma seu compromisso com a formação de novos talentos e com a preservação da identidade sanfoneira. O evento se fortalece com sua participação, que amplia o alcance da cultura popular. Terezinha segue sendo referência para quem aprende e para quem celebra, inspirando novas gerações.  


🟠 Nos bastidores, a sanfoneira ajusta repertório, afina o instrumento e compartilha histórias com quem acompanha sua jornada. O Cantos e Encantos se torna palco ideal para celebrar seus 60 anos de carreira, marcados por discos, festivais e homenagens. A cada preparação, ela entrega afeto, ancestralidade e força. Sua presença promete transformar o cortejo em experiência que atravessa gerações, reafirmando a potência da sanfona como voz do Nordeste.  


🟤 Patrimônio vivo da música nordestina, Terezinha do Acordeon se prepara para mais um momento marcante em sua trajetória. No Cantos e Encantos, sua atuação reafirma que o forró é movimento, memória e identidade. Com ela, o cortejo ganha alma, brilho e eternidade. A sanfona, quando passa por suas mãos, se torna poesia que permanece, pronta para emocionar quem acompanha o evento.  

Imagem: Sori Galtama

🪗 "A União É Do Povo E Dos Sanfoneiros": Beto Hortis Celebra A 1ª Caminhada Das Sanfonas Na Várzea #AoVivoEemCores


🪗 O bairro da Várzea, na Zona Oeste do Recife, transforma-se no epicentro da celebração da sanfona sob a liderança do sanfoneiro Beto Hortis. Ao exaltar a realização do evento na comunidade, ele destaca com entusiasmo a alegria de celebrar onde ensina: “Olha, eu fico muito feliz porque eu dou aula aqui. Eu tô no terreiro, eu tô no lado da minha casa onde dou aula, que é a minha escolinha”. O projeto reúne moradores, músicos e estudantes em uma verdadeira exaltação da cultura popular.

🎵 A realização da 1ª Caminhada dos Sanfoneiros conta com uma forte rede de apoio e patrocinadores fundamentais para a cultura. Beto Hortis reforça a importância do trabalho coletivo e da participação popular: “A cultura se agloba em união. Então, a união não é só dos patrocinadores, a união também é do povo, a união também é da comunidade, a união dos sanfoneiros”. Instituições como Banco do Nordeste, Movi Brasil, Uso Doião e Balaio Nordeste tornam o evento possível.

🎤 Além de shows com mestres como Terezinha do Acordeon, Thony Vaqueiro e o grupo Cordeando, o grande destaque é a presença da nova geração de instrumentistas. Ao subir ao palco ao lado de seus pequenos aprendizes, Beto celebra emocionado a formação dos alunos: “Eu vou ser professor de dois alunos, uma menina de 10 anos de idade e um menino de 7 anos. Então, isso para mim é muito gratificante, porque é uma evolução”.

🌟 A iniciativa busca manter viva a chama e a responsabilidade de repassar os ensinamentos herdados dos grandes mestres do forró. Beto Hortis conclui reafirmando a sua missão de vida no fole: “É uma forma de Dominguinhos deixar o legado, passar o cajado para mim e para outros sanfoneiros. Eu tô me preparando para manter viva essa tradição. Meu legado é esse e minha missão é essa: cravar esse momento tão lindo da nossa sanfona”.


📌 INFORMAÇÕES DE SERVIÇO
 * Evento: Projeto Cantos e Encantos da Sanfona – 1ª Caminhada dos Sanfoneiros
 * Entrevistado Principal: Beto Hortis (Sanfoneiro e Mestre)
 * Local: Bairro da Várzea (próximo à Escolinha de Sanfona de Beto Hortis) – Recife/PE
 * Atrações: Terezinha do Acordeon, Tony Vaqueiro, Cordeando e Alunos Mirins (7 e 10 anos)
 * Patrocínio e Apoio: Banco do Nordeste, Movi Brasil, Uso Doião, Balaio Nordeste e Comunidade da Várzea