segunda-feira, 10 de abril de 2023

Ana Lúcia chama atenção para recorrentes ataques em escolas

 

“Até quando vamos receber as notícias de mais uma escola ou creche que sofreu um ataque e foram ceifadas vidas ainda prematuras?”, questionou a vereadora Ana Lúcia (Republicanos). A parlamentar, que é presidente da Comissão de Educação da Câmara do Recife, chamou a atenção para os recorrentes ataques que vêm acontecendo em escolas e creches brasileiras nos últimos meses. O assunto foi abordado durante a reunião Ordinária da Casa de José Mariano desta segunda-feira (10), em que ela enfatizou a urgência de tratar a pauta de segurança nas escolas e o cumprimento das legislações que versam sobre a violência que ocorre dentro das unidades, como o bullying, por exemplo.

Ana Lúcia mencionou o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau (SC), que deixou quatro crianças de 4 a 7 anos mortas. "Uma creche foi invadida por um cidadão adoecido, enfurecido, que ceifou a vida de quatro crianças ainda na infância. Isso é muito grave. Tão grave porque a escola é o lugar mais seguro depois das nossas casas, onde as crianças deveriam estar seguras. Quando um pai ou uma mãe deixa o seu filho numa creche, entrega o seu bem mais precioso, mais valioso”, lamentou.

A parlamentar lembrou de um outro ataque ocorrido no dia 27 de março, em que um adolescente matou uma professora numa escola estadual, em São Paulo. “A professora tinha 71 anos, já deveria estar em casa e, por opção, estava dando aulas e teve a sua vida ceifada”, disse.

Ela também apresentou dados de uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que mostra que 39 pessoas foram mortas dentro das instituições de ensino desde 2011. “É uma crescente. Isso nos faz ligar um alerta para que a gente pense imediatamente. Estive estudando para além das legislações, pois temos a lei do bullying que diz para se trabalhar sobre o tema de forma eficaz, mas precisamos colocá-las em prática. Leis por leis que não estão sendo colocadas em prática são letras mortas”, complementou.

Ana Lúcia pediu um minuto de silêncio pelas quatro crianças assassinadas: Bernardo da Cunha Machado, Bernardo de Cunha, Larissa e Enzo. “Devemos pensar que isso pode acontecer com qualquer um de nós. Vamos chamar um debate na Comissão de Educação, uma vez que o Governo Federal já montou uma comissão especial para discutir o tema, inclusive destinando recursos para os municípios e estados aplicarem no enfrentamento à violência. Mas precisamos colocar em prática as legislações vigentes, bem como a composição de multiprofissionais como psicólogos e assistentes sociais que, desde 2020 foi sancionada”.

Audiência e sugestões para a violência nas escolas- O número crescente de ataques às unidades de ensino no Brasil voltou a ser tema do discurso da vereadora Ana Lúcia durante o grande expediente da reunião plenária da Câmara Municipal do Recife, nesta segunda-feira. A parlamentar citou sugestões que possam melhorar a segurança nas escolas e ressaltou a realização de uma audiência pública para debater o problema.

“Elisabete Tenreiro, de 71 anos, professora da Escola Estadual Thomazia Montoro, morreu dia 27 de abril, após ser esfaqueada por um aluno dentro da sala de aula em São Paulo. Outras três educadoras e um aluno ficaram feridos. Diversas matérias trouxeram que o agressor foi vítima de bullying por vários anos. Eu tinha um apelido que era conhecido por toda escola e os meus colegas adoravam me constranger. É exatamente isso que aconteceu e ainda acontece com muitos estudantes. Precisamos nos debruçar sobre o aparato que os profissionais não docentes e os professores precisam ter dentro da escola”.

A parlamentar recordou uma lei federal que obriga as unidades de ensino a terem um profissional de psicologia e citou ações que podem ser tomadas nas escolas. “Uma lei, desde 2020, sancionada pelo Governo Federal, obriga que todas as Secretarias de Educação mantenham dentro das unidades de ensino profissionais de psicologia e de assistência social. A gente precisa dizer também que é preciso voltar com a ronda escolar de guardas municipais com viaturas equipadas; instalação de câmeras de videomonitoramento e a contratação, por concurso público, de profissionais de psicologia para dar suporte. Porque está claro que é um adoecimento das pessoas. Além disso, nós podemos trabalhar a questão de palestras e formação continuada para os estudantes atrelados a órgãos importantes”.

No aparte, o vereador Ronaldo Lopes (PSC) sugeriu a colocação de policiais nas unidades de ensino. “Um tema muito importante e relevante. A Câmara do Recife poderia discutir essa situação numa união entre as secretarias de Segurança Cidadã, de Educação e de Saúde, visto que esta Secretaria pode trabalhar na questão de atendimento com psicólogos e de acompanhamento aos pais, responsáveis e as próprias crianças. Não é só instalar cerca elétrica nos locais, mas, também, de colocar vigilantes armados nas escolas. Sou a favor que cada unidade tenha um vigilante”.

Em resposta a Ronaldo Lopes, Ana Lúcia ressaltou que a presença de policiais não seria adequada e pontuou a realização de uma audiência pública para debater o problema. “Eu discordo de ter vigilante armado porque algumas experiências não foram muito boas. Esses profissionais, portando uma arma, despertam o interesse da bandidagem tornando o ambiente escolar muito perigoso. Escola é lugar de conhecimento, troca, crescimento e não de fomentar a questão da violência num ambiente com crianças circulando o tempo inteiro. Irei organizar uma audiência púbica para que todos os vereadores e vereadoras possam discutir ações imediatas a curto, médio e longo prazos”.

Imprensa Câmara Recife