📡 A sociedade hiperconectada vive um momento de transformação profunda — e também de vulnerabilidade crescente. No 18º Seminário Nacional Ouvidores & Ouvidorias e no 8º Seminário Internacional Ouvidores, Defensorías del Pueblo & Ombudsman, realizados em Maceió pelo Instituto Brasileiro Pró‑Cidadania, especialistas discutiram como a defesa do cidadão precisa se reinventar diante de um cenário marcado por apostas online, inteligência artificial e fake news.
O painel conduzido por Juliana Prates, Auditora do TCE‑BA, e Raquel Tortora, Ouvidora‑Geral da Itaipu Binacional, destacou que as ouvidorias deixaram de lidar apenas com demandas tradicionais e passaram a enfrentar um verdadeiro “tsunami digital”.
🎰 A epidemia das bets
O crescimento explosivo das plataformas de apostas esportivas e cassinos virtuais foi apontado como um dos desafios mais urgentes. O vício em jogos — a ludopatia — já é considerado problema de saúde pública e afeta diretamente trabalhadores, famílias e instituições. As ouvidorias recebem denúncias de publicidade abusiva, fraudes e casos de adoecimento emocional e financeiro. Juliana Prates reforçou que a ludopatia não é desvio moral, mas uma doença alimentada por algoritmos de recompensa, exigindo redes de apoio, letramento financeiro e encaminhamento psicológico. O ouvidor, nesse contexto, precisa reconhecer sinais de vulnerabilidade e atuar como ponte para proteção social.
🧩 O labirinto das fake news
A desinformação em massa foi outro ponto crítico. Fake news geram pânico moral, corroem a confiança nas instituições e sobrecarregam ouvidorias com manifestações baseadas em boatos.
A ouvidoria moderna deve funcionar como âncora de credibilidade, oferecendo respostas rápidas, transparentes e fundamentadas em dados oficiais.
Além de esclarecer equívocos, o ouvidor precisa atuar como agente de educação midiática, ajudando o cidadão a identificar fontes confiáveis e compreender o impacto da desinformação no cotidiano.
🤖 Inteligência Artificial: aliada ou ameaça?
A IA pode otimizar triagens, identificar padrões e antecipar crises, mas também traz riscos. Automatizar demais o atendimento pode silenciar cidadãos que não se encaixam nos padrões algorítmicos.
O seminário reforçou que a tecnologia deve ser usada para aliviar tarefas burocráticas, permitindo que o ouvidor humano se dedique ao que a máquina não faz: acolher com empatia, interpretar nuances sociais e mediar conflitos com sensibilidade.
O equilíbrio entre eficiência e humanidade é o novo desafio institucional.
🧭 Um novo ouvidor para um novo tempo
A mensagem final das especialistas foi direta: a escuta qualificada exige alfabetização digital. Ignorar o impacto das bets, da desinformação e dos algoritmos significa deixar o cidadão desamparado. O ouvidor do século XXI precisa ser tradutor da complexidade tecnológica, defensor da dignidade humana e guardião da confiança pública. Na era das telas, proteger o cidadão é também proteger sua capacidade de compreender o mundo.