✨ A arte de Dinho Wiss nasce do encontro entre memória afetiva, ficção científica e o brilho metálico das engrenagens que ele transforma em personagens, robôs e mundos inteiros. Sua trajetória mistura infância inventiva, carreira técnica e um olhar atento para tudo o que pode virar forma, movimento e narrativa. Em Limeira, interior de São Paulo, ele construiu um estilo próprio que une o retroindustrial ao steampunk, sempre com forte presença de sucata, cobre, bronze e peças de relógios antigos.
⚙️ O artista revela que sua criação é guiada tanto pela intuição quanto pela experiência técnica adquirida ao longo dos anos. As peças parecem conversar com ele, sugerindo caminhos, curvas e expressões. Cada obra nasce única, sem repetição, moldada por um processo que mistura improviso, precisão e poesia visual. Suas esculturas — de robôs a Dom Quixotes — carregam histórias, fases e transformações que acompanham sua própria evolução como criador.
🎨 Influenciado por mestres da pintura, pela estética Art Déco e por filmes clássicos como Metrópolis, Wiss construiu um repertório que atravessa décadas e linguagens. A sustentabilidade também ocupa lugar central em sua visão: transformar o que seria descartado em arte é, para ele, uma forma de renovar o mundo e reduzir impactos ambientais. A sucata ganha vida, movimento e propósito, tornando-se símbolo de reinvenção.
🔧 Seu ateliê é um espaço vivo, onde pintura e escultura se alternam conforme o fluxo criativo do dia. Entre lâminas de cobre batido e engrenagens minúsculas, ele desenvolve projetos que exigem técnica, paciência e imaginação. O desafio de trabalhar com metal se transforma em prazer, e cada nova peça abre portas para outras possibilidades.
🚀 Com ideias que surgem a todo momento, Dinho Wiss enxerga a arte como um infinito em constante renovação. Ele planeja explorar novos materiais, temas e técnicas, sempre guiado pela curiosidade e pela vontade de criar. Para ele, viver de arte é mais do que profissão — é destino, é alegria, é movimento contínuo.
📸 Fotos: Acervo Pessoal
ENTREVISTA — Dinho Wiss
Origem artística — Como foi o momento em que você percebeu que a sucata e o metal poderiam se transformar em arte nas suas mãos?
Acredito que seja dom mesmo. Quando meu pai era jovem, ele gostava de desenhar e fazia excelentes caricaturas. A professora dele o incentivava a seguir nessa área, mas ele acabou escolhendo outra carreira: trabalhou com eletrônica e foi diretor técnico em uma emissora de rádio. Eu acabei seguindo a mesma profissão dele. Como diz o ditado, tive a quem puxar!
Processo criativo — Quando você inicia uma peça, você já imagina o robô pronto ou deixa que as peças “conversem” com você durante a montagem?
Quando crio um robô, painel ou escultura, a imagem já vem à minha mente e vou moldando formas únicas — nenhuma peça se repete. Procuro sempre diferenciar minhas ideias. Uso peças de relógios antigos e sucatas, e as engrenagens fazem toda a diferença. É um estilo com o qual me identifico muito.
Escolha dos materiais — O que faz uma peça de sucata chamar sua atenção e virar parte de uma escultura?
Peças de relógios antigos, lâminas de cobre, latão, bronze e sucatas com formas diferentes, selecionadas pelo olho criativo do artista.
Influências — Quais artistas, movimentos ou referências influenciam seu estilo steampunk e retro-industrial?
Sempre gostei de arte. Desde a infância, olhava as nuvens se formarem com o movimento, via imagens surgindo e desenhava formas incríveis. Eu era um menino levado, louco por seriados de TV, cinema e histórias em quadrinhos. Tive de tudo quanto é brinquedo: patinete, Forte Apache, soldadinhos do chocolate Toddy... Gostava do programa Vila Sésamo e da Cidinha Campos com o Pullman Júnior. Aos 16 anos, adorava música clássica e era fascinado pelas pinturas de Salvador Dalí, Van Gogh, Degas, Picasso, Miró, Lasar Segall, Cândido Portinari, Aldemir Martins e Djanira. A arte moderna me fascinava. Ao assistir ao filme da era industrial Metrópolis, como fã de ficção científica e apaixonado pela Art Déco, identifiquei-me muito: a arquitetura dos prédios lembrava a minha arte, e a transformação da Maria em robô me impressionou. Inspirado por isso, comecei a criar curtas-metragens de ficção.
Significado das obras — O que você busca transmitir com seus robôs e criaturas mecânicas?
Desafios técnicos — Qual é o maior desafio ao trabalhar com metal, engrenagens e peças reaproveitadas?
Trabalhei com eletrônica por muito tempo e fiz desenho técnico mecânico, por isso tenho uma boa noção de movimentos e diversos projetos a realizar.
Ateliê e rotina — Como é seu dia a dia no ateliê e como você organiza o processo de criação?
O artista passa por várias fases de criação. Tem hora em que estou pintando; em outros momentos, estou fazendo minhas esculturas. Ultimamente, tenho criado esculturas de Dom Quixote com lâminas de cobre batido.
Obra marcante — Existe alguma peça que tenha um significado especial para você ou que tenha mudado sua forma de criar?
Gosto muito de criar esculturas medievais, escafandros e Dom Quixotes, além de pinturas e painéis com colagem utilizando engrenagens de relógios. Todas essas obras me marcaram, pois passaram por diferentes fases e transformações com o tempo.
Visão sobre sustentabilidade — Como você enxerga o papel da arte feita com reaproveitamento de materiais no mundo atual?
Vejo que muita gente está reutilizando esses materiais. É uma forma de transformar algo sem utilidade, dando vida a uma nova forma e ajudando a diminuir a poluição do planeta.
Planos futuros — Que caminhos você imagina explorar nos próximos anos — novos materiais, novos temas, novas técnicas?
Tenho novidades e ideias a todo momento. A arte é um infinito que se renova constantemente, e estou sempre criando a favor dela. Não me canso desse processo, é bom demais viver de arte!

