🎼 O Quarteto Linha reafirma que o samba potiguar existe, pulsa e tem identidade própria. Para o grupo, esse estilo nasce do respeito ao samba de raiz, mas carrega inevitavelmente as cores, ritmos e sotaques do Nordeste. É um samba que não tenta imitar o eixo Rio–São Paulo: ele se assume nordestino, solar, atravessado por forró, baião e pela vivência cultural do Rio Grande do Norte. Essa mistura, segundo eles, é justamente o que dá autenticidade ao trabalho.
🥁 A presença do forró e do baião aparece de forma natural nas composições e releituras do quarteto. Eles destacam a levada rítmica, a simplicidade melódica e a força popular desses gêneros como elementos que se infiltram no samba que fazem. O resultado é um balanço próprio, que dialoga com Gonzaga, Jackson e Sivuca, mas sem perder a cadência tradicional do samba.
🎤 A história do grupo começa muito antes do nome “Quarteto Linha” existir. Os integrantes já tocavam juntos desde os anos 1990, em diferentes projetos, até que em 2007 decidiram criar um trabalho que valorizasse o samba de raiz com sotaque potiguar. A amizade, o amor pela música brasileira e a vontade de construir uma identidade coletiva foram os pilares dessa união que atravessa décadas.
🎶 As influências nordestinas aparecem nos arranjos, nas harmonias e na forma de construir ritmos. O grupo cita Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Sivuca como referências diretas — artistas que moldaram a musicalidade regional e que inspiram o Quarteto Linha a aproximar o samba da estética nordestina. Essa fusão cria um som reconhecível, que conversa com a tradição sem abrir mão da originalidade.
🎙️ O processo criativo é sempre coletivo. Uma ideia inicial — letra, melodia ou harmonia — nasce com um dos integrantes e depois é levada ao grupo. A partir daí, cada músico contribui até que o arranjo final represente a identidade do quarteto. Essa construção compartilhada garante unidade estética e fortalece o estilo próprio que o grupo vem consolidando ao longo dos anos.
🎵 O samba produzido pelo Quarteto Linha se diferencia do eixo Rio–São Paulo pela vivência cultural dos integrantes. Eles cresceram ouvindo samba, mas também forró, baião e outros ritmos nordestinos. Essa formação híbrida molda a forma de tocar, cantar e compor. O resultado é um samba que não tenta ser carioca ou paulista — ele é potiguar, com orgulho.
💛 Em Natal, o público abraça essa mistura com entusiasmo. A identificação é imediata: as pessoas reconhecem elementos da própria cultura dentro do samba, o que cria uma conexão afetiva nos shows. Essa receptividade reforça a importância de valorizar a produção musical regional e incentiva o grupo a seguir explorando novas sonoridades.
🏆 Entre os momentos mais marcantes da trajetória, o quarteto destaca participações em programas nacionais como Encontro e Som Brasil (TV Globo) e Boteco do Ratinho (SBT), além de premiações em festivais como o Exposamba SP e o Prêmio Hangar. Cada conquista ampliou o alcance do grupo e fortaleceu o reconhecimento do samba potiguar no cenário nacional.
🌅 Para o futuro, o Quarteto Linha enxerga um Nordeste cada vez mais autoral e conectado às próprias raízes. Eles acreditam que o samba nordestino vive um momento promissor e esperam continuar contribuindo para esse movimento, mostrando que o samba feito fora do eixo tradicional tem voz, força e identidade.
📸 Fotos: Reprodução Instagram do Grupo
ENTREVISTA
Como vocês definem o “samba potiguar” — e onde o Quarteto Linha se encaixa dentro dessa identidade musical?
A gente entende o samba potiguar como um samba que respeita a tradição, mas que carrega naturalmente as cores e os sotaques do Nordeste. O Quarteto Linha se encaixa justamente nessa proposta: fazer samba com a identidade cultural do Rio Grande do Norte.
Quais elementos do forró e do baião vocês mais gostam de incorporar ao samba que fazem?
Gostamos muito da levada rítmica, da simplicidade melódica e da força popular do forró e baião. O balanço e a energia desses ritmos acabam aparecendo de forma natural nas nossas composições e releituras.
Como surgiu a ideia do grupo e o que uniu vocês musicalmente lá no começo?
Nós já tocávamos juntos em outros projetos desde os anos 1990. Em 2007, resolvemos criar um grupo que valorizasse o samba de raiz, mas com uma identidade própria. O amor pela música brasileira e a amizade foram os principais fatores que nos uniram.
Quais artistas nordestinos mais influenciam o som de vocês — e como essas influências aparecem nos arranjos?
Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Sivuca são referências muito fortes. Essas influências aparecem no jeito de construir os ritmos, nas harmonias e principalmente na forma como buscamos aproximar o samba da musicalidade nordestina.
Como funciona o processo de criação de uma música do Quarteto Linha, do primeiro rascunho ao arranjo final?
Geralmente uma ideia surge com um de nós, seja uma letra, uma melodia ou uma sequência harmônica. Depois levamos para o grupo, onde todos contribuem com sugestões até chegar a um arranjo coletivo que represente a nossa identidade.
O que diferencia o samba de vocês do samba produzido no eixo Rio–São Paulo?
A principal diferença é a nossa vivência cultural. Crescemos ouvindo samba, mas também forró, baião e outros ritmos nordestinos. Isso acaba influenciando naturalmente a forma como tocamos, cantamos e compomos.
Como o público de Natal reage a essa mistura de samba com sotaque nordestino?
A receptividade sempre foi muito positiva. O público se identifica porque reconhece elementos da própria cultura dentro do samba. Isso cria uma conexão muito especial nos shows.
Qual foi o momento mais marcante da trajetória do grupo até agora?
Tivemos vários momentos importantes, como as participações em programas nacionais (Encontro e Som Brasil na TV Globo e Boteco do Ratinho no SBT) e as premiações em festivais (Exposamba SP e Prêmio Hangar). Cada oportunidade de levar nosso para novos públicos tem um significado especial para nós.
Como vocês enxergam o futuro do samba no Nordeste e o papel do Quarteto Linha nesse movimento?
Vemos um cenário muito promissor, com artistas produzindo trabalhos cada vez mais autorais e conectados às raízes da região. Esperamos continuar contribuindo para fortalecer esse movimento e mostrar que o samba nordestino tem voz própria.
Que mensagem vocês gostariam de deixar para quem acompanha o trabalho e para quem está conhecendo o grupo agora?
Nossa gratidão a todos que caminham com a gente. Continuem valorizando a música brasileira e a produção cultural do Nordeste. E para quem está chegando agora, sejam muito bem-vindos ao nosso samba, feito com respeito às tradições e muito orgulho das nossas origens.