✨ A renomada atriz Patricya Travassos retorna a Recife ao lado de Eduardo Moscovis com o aclamado espetáculo "Duetos", uma montagem do dramaturgo britânico Peter Quilter que mergulha nas complexidades dos relacionamentos modernos. Com direção de Ernesto Piccolo, a peça desembarca no Teatro Luiz Mendonça para três sessões únicas entre os dias 21 e 23 de agosto, prometendo expor com humor e delicadeza os desejos, frustrações e a eterna busca humana por companhia.
🎭 O sucesso da montagem é consolidado por números impressionantes: já foi vista por mais de 200 mil pessoas, acumulando 235 sessões e uma trajetória de sucesso em mais de 20 países, com o texto traduzido para 10 idiomas. No espetáculo, que tem duração de 80 minutos, os atores dão vida a múltiplos personagens em quatro histórias independentes que misturam o riso à reflexão sobre a solidão contemporânea: Encontro às Cegas, Quase Casados, Divórcio Amigável e Mais Uma Vez Noiva.
🌟 Ao longo de sua trajetória, Travassos tem se destacado por uma atuação autêntica e conectada com a verdade das situações, um DNA que ela cultiva desde os tempos do icônico grupo "Asdrúbal Trouxe o Trombone". Para ela, o teatro é uma busca constante, onde cada apresentação é uma oportunidade única de descoberta e renovação. Na entrevista a seguir, Patricya compartilha suas reflexões sobre como a atuação transforma não apenas a plateia, mas a própria artista a cada nova noite de espetáculo.
📸 Fotos: Bárbarah Queiroz
SERVIÇO – DUETOS, A Comédia de Peter Quilter
SESSÕES: 21, 22 e 23 de agosto
HORÁRIOS: sexta e sábado às 20h; domingo às 18h
LOCAL: Teatro Luiz Mendonça – Avenida Boa Viagem, S/N, Boa Viagem, Recife – PE
INGRESSOS: R$ 75 a R$ 150 – https://teatroluizmendonca.byinti.com/#/event/duetos
DURAÇÃO: 80 minutos
CLASSIFICAÇÃO: livre
REDES SOCIAIS: https://www.instagram.com/duetosacomedia/
Vamos conferir a entrevista com Patricya Travassos?
Você diz que “precisamos rir, mais do que nunca”. Como você encontra o ponto exato em que o riso não anestesia a dor, mas a revela?
Olha, eu não sei onde é esse ponto exato em que o riso não anestesia a dor. O que quando eu falo de rir é não nos levar tão a sério, não dramatizar tanto a vida. Rir da sua própria miséria, sabe? Ter um senso de humor acompanhando a comédia humana. É mais nesse sentido de dar uma leveza pra nossa tragédia. É mais por aí.
Interpretar quatro mulheres com “quatro carências” é um mergulho profundo. Qual dessas carências te fez olhar para sua própria história com mais sinceridade?
Olha, dos quadros que a gente tem, dos quatro quadros que tem, um é de site de relacionamento, eu não me identifico, não é uma coisa que eu já nunca procurei um relacionamento através de aplicativo, não me identifico. O segundo é uma secretária e um cara que é gay e ela é apaixonada por ele também. Eu conheço casos dessa história de relações que ficam meio platônicas, de duas pessoas que convivem muito intimamente durante anos, mas eu também não me percebo ali. Eu acho que das quatro histórias é que eu mais me identifico Talvez seja o casal que está se separando e estão numa viagem que já tinha sido comprada e ela toma um pó absurdo. Eu acho que é o que eu mais me identifico, que é aquela pessoa que aceita a situação, mas no fundo, na hora que ela bebe, ela demonstra O quanto que aquela relação é importante pra ela ainda, e o quanto tá difícil pra ela botar um ponto final na relação, eu acho que das quatro histórias é que eu mais me identifico.
Vindo de uma trajetória que reinventou a comédia brasileira, o que você reconhece de sua inquietação dos anos 70 e 80 quando está em cena em Duetos?
Sim, eu acho que a minha gênese como atriz, que foi no Asdrubal Trouxe o Trombone, que foi um grupo que tinha uma identidade na comédia e no cotidiano da realidade da nossa recém-juventude, uma coisa autoral que tinha na peça. E eu acho que esse DNA vem com a gente, entendeu? Ele está comigo e vai ficar sempre comigo, que é uma maneira meio coloquial de interpretar, meio puxando a verdade das coisas, se identificando com as coisas. E, tirando tudo isso que eu estou falando e tirando o humor das coisas, Eu acho que esse DNA vai comigo até o fim da vida. E acho que todos nós do Asdrúpolis Rotostromoni temos essa identidade, sabe? Você encontra esse tom, sabe? Mesmo em cenas dramáticas.
A peça fala de solidão como uma lente de aumento. Qual foi a solidão mais difícil de interpretar — aquela que exigiu coragem, não técnica?
Eu acho que é o terceiro quadro também, que é o quadro do casal de férias, que já estão se separando, fingindo que tá tudo bem, e não tá tudo bem. Não tá tudo bem pra ela, pelo menos. Eu acho que também não tá tudo bem pra ele, mas eles fingem, eles se machucam. Nesse sentido. Mas é um quadro que, como ela está completamente bêbada, fica meio patético, meio engraçado, meio absurdo, mas você vê que tem uma dor ali.
Você comenta que cada personagem te leva a lugares “muito divertidos e muito profundos”. Qual delas te empresta algo que você leva para fora do palco — uma força, uma fragilidade, uma lucidez?
Eu acho que o que eu levo assim é quando eu saio do espetáculo e eu sinto que eu fui fundo em cada quadro, que eu experimentei pela milionésima vez, porque a gente já está fazendo essa peça há três, quatro anos, a novidade de estar apresentando aquela personagem como se fosse pela primeira vez para mim. Então eu gosto muito de quando eu saio do espetáculo com uma sensação de realização, de dever cumprido, de que eu fiz o meu melhor, que eu fui fundo em várias características das personagens. Que eu consegui dar pequenos nuances, fazer pequenas descobertas. Isso é maravilhoso no teatro, porque as pessoas falam que a gente... Como é que vocês aguentam fazer todo dia a mesma coisa? O negócio é que não é todo dia a mesma coisa, é cada dia uma coisa diferente, nunca é igual. Nunca é igual. E é a minha relação com os personagens, o jeito que eu estou naquele dia, a relação do meu jeito que eu estou com as personagens e a plateia, a plateia daquele dia. Então é um somatório de coisas que, quando tudo dá certo e a atuação tem um brilho, É esse o resultado para mim, é o que eu tiro de força do personagem, da peça. É o que me dá uma sensação deliciosa de ser atriz.


