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quarta-feira, 24 de junho de 2026

#SendoProsperidade com Mariângela Borba


Nem toda urgência merece um pedaço de mim
Por Mariângela Borba

Por muito tempo, achei que prosperidade era dizer "sim".
Sim para os convites. Sim para os projetos. Sim para as urgências. Sim para as pessoas.

Talvez por generosidade. Talvez por competência. Talvez porque eu sempre acreditei que, se pudesse ajudar, deveria ajudar. Talvez por não saber dizer não, mesmo.
Mas a vida, às vezes, nos convida a uma outra aprendizagem.

Nem todo pedido é um chamado.

Nem toda oportunidade é, de fato, uma oportunidade.
Nem toda urgência merece um pedaço de nós.

Há coisas que são construídas ao longo de anos: conhecimento, experiência, maturidade, discernimento. E tudo isso tem valor. Alto, diga-se de passagem.

Também há um custo invisível em cada "sim" que damos: o nosso tempo, o nosso descanso, a nossa energia, a nossa paz.

Nesta última semana, percebi algo importante: existem missões que simplesmente não são minhas.
E está tudo bem.

Às vezes, o mais honesto é reconhecer: isso é maior do que eu.

Não é sobre fugir. É sobre se preservar.

É entender até onde é saudável permanecer em determinadas situações, relações ou demandas; reconhecer que nem toda dor pode ser resolvida por nós, nem toda energia precisa ser acolhida e nem todo peso precisa ser carregado.

Aprender a dizer "não" para o mundo é, muitas vezes, a forma mais bonita de dizer "sim" para si mesmo.
Prosperidade também é poder escolher.

Escolher onde colocar o coração, o talento e a disponibilidade.

Escolher o que faz florescer a vida e o que apenas nos esgota.

Escolher não assumir todas as urgências do mundo.
Escolher preservar o sono, o silêncio, a mesa do café com quem amamos, um São João tranquilo, uma viagem, um tempo de descanso, de meditação, oração e paz.

Porque a verdadeira abundância não está em fazer mais.
Está em viver com mais intenção.

E talvez um dos maiores luxos da vida adulta seja este: poder olhar para algo perfeitamente possível e dizer, com serenidade:

"Hoje, eu escolho a mim."

Porque amor também é limite.

Cuidar é saber parar.

A própria energia importa.

Não é o amor que adoece. É a ausência de escolha.
Talvez a prosperidade seja isso: aprender a distinguir o que é nosso do que não é, acolher o que nos faz florescer e, com delicadeza, soltar aquilo que apenas nos pesa.

Porque nem tudo precisa ser resolvido.
Nem tudo precisa ser carregado.

E algumas coisas, simplesmente, precisam ser entregues ao universo.

Mariângela Borba é jornalista, produtora cultural e estrategista digital. Especialista em Cultura Pernambucana, atua na interseção entre comunicação, cultura e política. Com passagem pelo Ministério da Cultura e gestões públicas, integra a AIP e a UBE. Pesquisa a palavra como território de poder e estuda Psicanálise.