🌙 O nome Tip Joe nasceu como uma espécie de alter ego. “Meu nome de registro é Erick, mas eu queria um nome artístico que fosse diferente”, explica. O trocadilho com tiptoe funciona como uma sátira de si mesmo: “Sempre fui uma pessoa muito cautelosa, tímida… então o Tip Joe funciona como se ele estivesse rindo do Erick”. Essa persona mais ousada permitiu que ele explorasse universos sonoros diversos, desde a guitarra psicodélica dos anos 60 até as batidas eletrônicas que hoje definem sua identidade.
🌌 A evolução de sua sonoridade acompanha sua própria trajetória emocional. “No início eu não entendia absolutamente nada”, diz sobre suas primeiras experiências em DAWs. Mas a curiosidade venceu a técnica, e a técnica veio com o tempo. Hoje, Tip Joe define sua identidade como “noturna, nostálgica e profundamente emocional”, guiada por sintetizadores, distorções e narrativas musicais que conduzem o ouvinte por clímax, calmarias e tensões. Suas influências vão de Jefferson Airplane e Velvet Underground a Tame Impala, Boogarins e Polo & Pan.
🌈 Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória recente é o medley psicodélico dedicado à música brasileira dos anos 60 e 70. “A música psicodélica brasileira teve um papel muito importante na minha adolescência”, conta. Ele cita descobertas como Lindo Sonho Delirante, Pedro Santos, Serguei, Gal Costa, Os Mutantes, Wanderléa, Antônio Carlos & Jocafi, Cátia de França, Marisa Rossi e Fábio Stella. “Eu queria montar uma coletânea que eu mesmo adoraria encontrar”, afirma. O resultado é uma curadoria afetiva e histórica, que resgata raridades e celebra a riqueza da psicodelia nacional.
🌞 O futuro de Tip Joe aponta para novas fusões e experimentações. “Tenho vontade de criar um set exatamente com essa proposta: raridades brasileiras para ouvir numa tarde de domingo”, revela. Ele também demonstra interesse por tecnobrega, samba-rock e outras vertentes brasileiras. Em paralelo, prepara faixas com influências de electro rock, electroclash, disco dance e garage. “Pretendo lançar em breve uma faixa mais voltada para esse universo”, adianta. Para ele, cada criação é uma estreia emocional: “Acho que toda vez que crio algo novo sinto que aquela é a melhor apresentação da minha vida”.
📸 Fotos: Reprodução Instagram e Arquivo Pessoal
Mas meu interesse pela música despertou de verdade quando um amigo me apresentou Os Afro Sambas. Eu tinha uns 15 anos e lembro de ficar fascinado, porque era algo completamente diferente de tudo o que eu costumava ouvir. Foi aí que comecei a pesquisar artistas e músicas de diferentes gêneros e países.
Naturalmente, comecei a me envolver também com a mixagem. Sempre fui aquela pessoa que gosta de apresentar músicas e artistas novos para quem está ao redor, e isso acabou me levando a montar repertórios e criar sets que misturam gêneros, sentimentos e referências. Gosto de construir uma narrativa sonora tanto nos meus sets quanto nas minhas produções, sempre buscando algo diferente e que mereça ser descoberto.
Com o tempo, comecei a me interessar por produção musical e a fazer minhas primeiras experiências nas DAWs. No início eu não entendia absolutamente nada. Ficava apenas apertando teclas e criando sons que achava interessantes, sem saber gravar, mixar ou usar efeitos.
Durante um período fiquei bastante preocupado em encontrar uma sonoridade específica ou me manter fiel a um único gênero para atingir um determinado público. Mas fui entendendo que a minha identidade está justamente em transformar sentimentos em música, independentemente do gênero: house, dance, disco, rock ou pop. Acho que foi exatamente isso que me fez me apaixonar pela música: ela pode ser o que a gente quiser.
Depois disso, fui profundamente influenciado pela psicodelia dos anos 60 e 70, especialmente artistas como Jefferson Airplane, The Velvet Underground, The Electric Prunes e Os Mutantes. Mais tarde, também passei a acompanhar a nova geração da música psicodélica, como Tame Impala, Temples e Boogarins.
Dentro da música eletrônica, uma das minhas maiores referências é a dupla Polo & Pan, inclusive pela maneira como incorporam elementos e samples da música brasileira em suas produções e sets.
Acho que cada fase da minha vida teve artistas, álbuns ou músicas que acabaram se tornando parte das experiências que vivi e influenciando minha forma de criar. Algo que também me inspira muito é toda a estética nostálgica e noturna. Gosto de tudo que remete à noite, estradas, luzes, algo lúdico e cinematográfico.
Estou sempre sendo influenciado por alguma coisa. Ultimamente, por exemplo, tenho ouvido bastante Pixel Grip e Sextile, e já consigo perceber essas referências aparecendo nas minhas produções mais recentes.
Gosto muito de trabalhar com sintetizadores, distorções, delays, reverbs e flangers, elementos que inevitavelmente me conectam às minhas influências psicodélicas. Também gosto de batidas marcantes e de criar progressões que conduzam o ouvinte até um momento de clímax.
Nos meus sets, procuro sempre construir uma narrativa, misturando diferentes gêneros e criando momentos de euforia, calmaria, tensão e contemplação. Mais do que tocar músicas, gosto de contar histórias através delas.
Algumas coletâneas escondidas me apresentaram diferentes artistas e músicas, como Lindo Sonho Delirante do Fábio. Lembro também de ter descoberto o álbum Krishnanda, do Pedro Santos (Pedro Sorongo), através de uma revista na escola, e aquilo me marcou profundamente. Descobrir raridades brasileiras era quase uma aventura.
Mesmo trabalhando hoje principalmente com música eletrônica, sempre volto aos clássicos que ajudaram a construir a minha identidade artística. Foi justamente isso que me levou a criar esse medley. Eu queria montar uma coletânea que eu mesmo adoraria encontrar caso estivesse pesquisando sobre psicodelia brasileira, reunindo principalmente alguns dos meus clássicos preferidos.
Também gosto bastante do tecnobrega, que considero algo extremamente experimental e criativo. Acho que existem muitos artistas brasileiros produzindo coisas incríveis atualmente, e quero explorar cada vez mais essa riqueza nos meus projetos.
O grande potencial dessa fusão está justamente na capacidade de criar algo novo sem perder a conexão com as nossas raízes. O Brasil possui uma diversidade musical gigantesca, e quando esses elementos dialogam com a música eletrônica surgem sonoridades muito únicas, capazes de atravessar fronteiras e apresentar a nossa cultura para diferentes públicos ao redor do mundo.
Também estou experimentando gravar diferentes tipos de voz para trazer ainda mais personalidade e sentimento às minhas produções.
Além disso, quero criar um set reunindo raridades psicodélicas de diferentes países, algo pensado para ser ouvido no fim de uma tarde de domingo, acompanhado de uma boa taça de vinho.
Veja a seguir o vídeo completo de Tip Joe remixando a psicodelia brasileira:

