📍 Durante anos, milhares de mulheres conviveram com dores constantes nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e aumento desproporcional do volume corporal acreditando tratar-se apenas de questões estéticas ou excesso de peso. No Junho Roxo, mês dedicado à conscientização sobre o lipedema, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce dessa doença crônica e progressiva. Segundo o cirurgião plástico Franklin Mônaco (foto), “muitas mulheres convivem anos com dor, desconforto e limitações sem saber que possuem uma doença”, afirma.
🩺 Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, o lipedema afeta principalmente mulheres e provoca acúmulo anormal de gordura, sobretudo nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Estimativas internacionais apontam que a condição pode atingir cerca de 10% da população feminina mundial, embora o número real possa ser maior devido ao subdiagnóstico. Mônaco reforça que “o lipedema não é apenas gordura localizada; existe um processo inflamatório importante associado ao quadro”.
💆♀️ O tratamento evoluiu nos últimos anos e passou a incluir alimentação anti-inflamatória, exercícios físicos, drenagem linfática, terapias compressivas e acompanhamento vascular e hormonal. Entre os avanços está a lipoaspiração específica para lipedema, que preserva o sistema linfático e reduz o trauma cirúrgico. “Nem toda paciente precisa de cirurgia, mas quando ela é bem indicada, conseguimos reduzir dores, melhorar mobilidade, diminuir inflamação e proporcionar um impacto muito positivo na qualidade de vida”, destaca o especialista.
🌿 A influenciadora digital Samantha Chaves Pasqualini, de 38 anos, relata que conviveu por anos com sintomas sem compreender o que acontecia com seu corpo. Desde a primeira menstruação, suas pernas cresceram de forma desproporcional ao restante do corpo, e mesmo emagrecendo, o volume não diminuía. Após diagnóstico incorreto e anos de dor, hematomas e inchaço, ela descobriu o lipedema em 2023. “Hoje existe mais conhecimento sobre o lipedema, tanto entre médicos quanto entre pacientes. Isso tem permitido diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes”, afirma Mônaco ao comentar casos como o de Samantha.
⚠️ Entre os sintomas mais comuns estão dores nas pernas, sensação de peso, inchaço, sensibilidade ao toque, hematomas espontâneos e dificuldade para reduzir o volume das regiões afetadas mesmo com dieta e atividade física. O diagnóstico é clínico e considera histórico, sintomas e exame físico. Para Mônaco, o reconhecimento precoce é decisivo: “A paciente precisa entender que não é falta de cuidado ou apenas ganho de peso. Existe uma doença por trás daquele quadro. Quanto antes o diagnóstico acontece, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida”.
📸 Foto: Jonathan Souza