✍️ O jornalismo e a literatura do Brasil perderam nesta terça-feira uma de suas vozes mais brilhantes, lúcidas e respeitadas em toda a história republicana moderna. Faleceu aos 95 anos o escritor, cronista e imortal da Academia Brasileira de Letras Zuenir Ventura, deixando um legado de rigor e sensibilidade na apuração dos fatos nacionais. Internado no Rio de Janeiro, o mestre da grande reportagem enfrentava complicações de saúde decorrentes de uma pneumonia que acabou se mostrando irreversível. A confirmação do passamento foi feita pelos familiares e logo repercutida com profunda tristeza por redações, amigos, leitores e autoridades culturais de todo o País.
📚 Nascido na cidade mineira de Além Paraíba em junho de 1931, Zuenir construiu uma trajetória profissional monumental que ajudou a definir os padrões éticos e estéticos da imprensa brasileira. Ao longo de décadas de dedicação incansável à notícia, ele integrou as equipes dos veículos mais importantes do país, como Jornal do Brasil, O Globo, Veja e IstoÉ. Como repórter e editor talentoso, transformou coberturas cotidianas em crônicas históricas densas, marcadas sempre por um olhar profundamente humanista e por uma apuração exemplar. Sua capacidade de aliar o texto literário ao rigor informativo influenciou diretamente gerações de profissionais que viram nele o espelho da boa imprensa.
📖 Entre suas contribuições mais marcantes para a cultura nacional destaca-se a autoria de obras fundamentais que decifraram as complexidades sociais e políticas do Brasil contemporâneo. O livro "1968: O Ano Que Não Terminou", lançado em 1988, tornou-se um clássico absoluto da historiografia ao retratar os dilemas da ditadura e da juventude rebelde. Anos mais tarde, com "Cidade Partida", inaugurou um debate pioneiro e corajoso sobre a violência urbana e a fratura social na capital fluminense. Suas páginas continuam sendo referências obrigatórias para quem busca compreender os subterrâneos da nossa identidade coletiva, unindo coragem cívica e genialidade narrativa.
🏛️ Reconhecido por sua vasta contribuição intelectual, o jornalista ocupou a cadeira número 32 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em outubro de 2014. Na instituição, ajudou a manter viva a ponte entre a literatura erudita e as urgências do debate público contemporâneo, mantendo colunas semanais e participando ativamente da vida cultural. Sua partida encerra fisicamente uma era dourada do jornalismo impresso nacional, mas sua obra permanece indelével nas estantes e na memória de todos os brasileiros. Detalhes sobre o velório e as homenagens públicas prestadas pela família e pela ABL devem ser divulgados nas próximas horas pelos canais oficiais.
📸 Foto: Tania Rego/ Agência Brasil
Informações de Serviço:
* Ocorrência: Falecimento do jornalista e escritor Zuenir Ventura
* Idade: 95 anos
* Data do falecimento: 22 de setembro de 2026
* Local: Rio de Janeiro, RJ
* Instituição de vínculo cultural: Academia Brasileira de Letras (ABL) – Cadeira nº 32
* Contato institucional da ABL para informações e condolências: (21) 3974-2500 / portal oficial da ABL