📱 No Dia Mundial da Fotografia, a relação entre celular e memória ganha um novo olhar. A psiquiatra, psicoterapeuta e fotógrafa Renata Covre explica que o hábito de registrar tudo — de documentos a momentos íntimos — pode revelar mais sobre nossa ansiedade do que imaginamos. Para ela, o importante não é contar quantas imagens fazemos, mas entender qual função cada registro desempenha em nossa vida. Ansiedade digital aparece quando fotografar deixa de ser escolha e se transforma em necessidade.
📷 A médica destaca que fotografar não é um problema em si: o celular funciona como uma memória auxiliar. O alerta surge quando deixar de registrar provoca desconforto ou sensação de risco. Se o clique traz alívio imediato, pode também reforçar um ciclo de busca por controle. Registrar vira resposta rápida para incertezas, e cada dúvida nova exige mais uma foto. Comportamento compulsivo pode se instalar sem que a pessoa perceba.
🎞️ Há ainda um paradoxo curioso: ao tentar garantir lembranças futuras, podemos perder presença no agora. Em shows, viagens ou encontros, parte da atenção se desloca para enquadrar, revisar e garantir o registro perfeito. Para formar memória, é preciso estar presente — e, segundo Renata, às vezes o esforço para guardar o momento diminui drasticamente a vivência real. Memória e atenção caminham juntas.
🌅 A fotografia, porém, também pode ampliar a observação do mundo. Para quem aprecia o ato de fotografar, detalhes antes invisíveis ganham luz: expressões, cores, gestos, cenas. A diferença está na liberdade de escolha. Conseguir decidir entre fotografar ou apenas viver é essencial. Quando essa segunda opção deixa de existir, vale observar o comportamento com mais cuidado. Equilíbrio digital torna-se palavra-chave.
🗂️ No universo digital, acumulamos milhares de fotos que raramente revisitamos. A especialista sugere tornar o uso das imagens mais intencional: selecionar, organizar, imprimir, compartilhar. Assim, a fotografia deixa de ser arquivo esquecido e vira pista para reconstruir histórias. E, claro, há memórias que nenhuma câmera captura: cheiros, conversas, músicas, sensações. Estar presente é o que permite registrar essas dimensões invisíveis. Memórias afetivas completam o quadro.