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terça-feira, 14 de julho de 2026

🌟 Consultório cheio, caixa vazio: o alerta que profissionais da saúde não podem ignorar


💼 Agenda lotada, pacientes circulando e uma rotina que aparenta prosperidade. Ainda assim, muitos profissionais da saúde chegam ao fim do mês sem recursos para quitar impostos, fornecedores ou a própria folha salarial. A contradição revela um problema crescente no setor: faturar muito não significa, necessariamente, ter um negócio saudável — e a falta de gestão financeira pode transformar consultórios movimentados em empresas vulneráveis.

📊 Segundo Catarina Lima, CEO da Referência Gestão de Saúde, o equívoco mais comum é avaliar o desempenho apenas pelo dinheiro que entra na conta. Ela explica que o faturamento mostra movimento, mas não revela custos, dívidas, margens ou capacidade de investimento. Em um mercado que já reúne cerca de 640 mil médicos no Brasil, a competitividade exige profissionalização, e a formação técnica não prepara médicos, dentistas, psicólogos ou fisioterapeutas para lidar com tributos, precificação ou fluxo de caixa.

💰 A mistura entre contas pessoais e empresariais é outro fator que distorce a realidade financeira. Catarina alerta que o saldo bancário pode incluir impostos futuros, pagamentos pendentes e compromissos já assumidos. Quando tudo é tratado como renda pessoal, o caixa perde previsibilidade. Sem controle, atrasos de convênios, glosas, cancelamentos, parcelamentos e altos investimentos em estrutura podem reduzir a margem mesmo com aumento de atendimentos.

📑 A partir de 2025, a obrigatoriedade do Receita Saúde para profissionais que atuam como pessoa física ampliou a responsabilidade fiscal. Recibos eletrônicos tornam as movimentações mais transparentes e reduzem o espaço para improvisos. Para Catarina, quando informações financeiras estão dispersas, crescem os riscos de erros, atrasos e pagamentos indevidos — o improviso deixa de ser apenas um problema de caixa e passa a ser também um risco fiscal.

📈 A especialista recomenda acompanhar mensalmente indicadores como faturamento, custos fixos e variáveis, margem de lucro, inadimplência, contas a receber e carga tributária. Separar contas pessoais, definir pró‑labore, projetar entradas e saídas e manter reserva financeira são passos essenciais. Mais do que cortar gastos, a gestão permite identificar serviços rentáveis, planejar contratações e tomar decisões baseadas em dados, garantindo sustentabilidade e segurança para profissionais, equipes e pacientes.

📸 Foto: Mahatma Belmonte