🦶 Na Fenearte deste ano, o poeta e cordelista Davi Teixeira reacendeu uma das lendas urbanas mais saborosas do Recife: a Perna Cabeluda. Em meio ao burburinho da feira, ele contou ao público que a criatura não nasceu das ruas escuras da cidade, mas sim da imaginação fértil de Raimundo Carrero e Jota Ferreira, que a criaram como uma brincadeira literária. A história, publicada nos anos 70, ganhou vida própria, escapou das páginas e se transformou em assombração popular. O público ouviu atento enquanto Davi narrava como o mito se espalhou, virou medo real e marcou gerações de recifenses.
🧙♂️ Com seu jeito irreverente, Davi explicou que a Perna Cabeluda era originalmente uma sátira, um personagem inventado para divertir leitores e provocar o imaginário coletivo. Mas o Recife, sempre fértil para causos e fantasias, adotou a criatura como se fosse verdade. A perna — autônoma, peluda e violenta — passou a ser vista como ameaça noturna, especialmente nos bairros mais antigos. O poeta destacou como a lenda se tornou parte da cultura popular, sendo contada em rádios, bares, escolas e até em conversas de esquina, sempre com novas versões e exageros.
🎭 Durante sua apresentação, Davi Teixeira mostrou como o cordel ajuda a preservar e reinterpretar essas histórias que moldam a identidade nordestina. Ele recitou versos, exibiu xilogravuras e conversou com visitantes sobre o papel das narrativas fantásticas na memória coletiva. Para ele, a Perna Cabeluda é mais que uma assombração: é um símbolo da criatividade pernambucana, capaz de transformar ficção em folclore. A plateia reagiu com risos, espanto e nostalgia, reconhecendo na lenda um pedaço vivo da cidade.
📚 O poeta também ressaltou que a Fenearte é o palco ideal para reviver esse tipo de história, já que reúne artesãos, escritores e artistas que mantêm viva a tradição oral. Entre cordéis, bonecos de mamulengo e xilogravuras, Davi reforçou a importância de valorizar autores como Carrero e Ferreira, que ajudaram a construir o imaginário popular do estado. Sua fala ecoou como convite para que novas gerações conheçam, recriem e mantenham acesas as lendas que fazem do Recife um território de mistério e humor.
🌙 Ao final, Davi deixou no ar a pergunta que sempre acompanha a Perna Cabeluda: se ela nasceu da ficção, por que tanta gente jura ter visto? O poeta sorriu, dizendo que é justamente aí que mora a magia das histórias populares — elas se tornam reais quando passam de boca em boca. E assim, entre risos e arrepios, a criatura voltou a caminhar pela memória dos visitantes da Fenearte, lembrando que o Recife é uma cidade onde o imaginário nunca dorme.
