Podcast Tais Paranhos

quinta-feira, novembro 29, 2018

Já já tem show de André Mussalém



O músico André Mussalem, uma das revelações da nova cena pernambucana, se apresenta quinta, dia 29 de novembro, no Teatro Eva Hertzm no Shopping RioMar, em Recife. O cantor e compositor está lançando seu segundo álbum Pólis e o show, com entrada gratuita, tem como base o repertório deste novo trabalho. Duas faixas do disco foram disponibilizadas para audição antes deste lançamento: Maré - uma canção que celebra Marielle Franco - e Resista, Meu Filho, Resista - composta a partir de um grave fato político ocorrido em Pernambuco durante o Carnaval de 2017.

As canções de Pólis, um álbum que resgata a tradição política do cancioneiro brasileiro da segunda metade do século XX, apresentam um discurso de crônica e crítica com nítidas influências de Gonzaguinha, Aldir Blanc, Caetano Veloso, Chico Buarque, Ruy Guerra e do cubano Pablo Miláres.

O álbum de Mussalem, este nem tão jovem compositor que já soma quase três décadas de autoria musical e mais de cem composições, traz dez canções mais uma faixa bônus. A música que abre o disco também dá nome a ele: Pólis foi composta em cima de um soneto crítico do século XVII de Gregório de Matos sobre a cidade do Recife com a mesma técnica utilizada por Caetano Veloso em "Triste Bahia" (do antológico Transa). É possivelmente o primeiro texto de crítica política sobre o Recife e, apesar de ser um choro (samba-choro), foram utilizadas na composição técnicas barrocas de arranjo.

Em Caetano Estaciona no Leblon, Mussalem fala sobre um Rio de Janeiro que é a síntese da cidade política do Brasil. É uma crítica à imprensa que investe em notícias irrelevantes sobre pessoas famosas em detrimento de um Estado de coisas que é bem representado no Rio. Os versos da canção fazem várias referências a músicas de Caetano como: Tropicália; Alegria, Alegria; Uns; Coração Vagabundo; A Bossa Nova é Foda. Retrato 3x4 é a primeira música composta para o disco e nasceu durante o início do processo que levou ao Impeachment da presidenta Dilma Roussef. Naquele momento, André compôs uma canção partindo da ideia de como seria uma foto 3x4 tirada do país na conjuntura política que vivemos.

Valsa para Tempos Difíceis é uma das raras faixas do disco que não é samba. Seu único objetivo é expressar a necessidade intrínseca de amar mesmo em períodos mais sombrios. Na sequencia vem Maloca com versos que expõe a ferida do sistema prisional das grandes cidades. Apesar do tema "pesado", o samba narra uma história de amor contada a partir do "eu feminino" e conta com a participação de José Demóstenes, sambista da nova cena musical de Pernambuco.

Cubana é a segunda faixa do disco que não é samba e foi composta a partir de duas vertentes: o grito conservador "Vai para Cuba" e a vontade da companheira de Mussalém de visitar Cuba. É a faixa que mais mistura os temas "amor" e "política" e foi criada a partir das composições do cantor e compositor cubano Pablo Milanés. Deixe a Menina em Paz é uma resposta contemporânea à "Deixe a Menina" de Chico Buarque sob um viés mais atual, a partir da frase do coletivo "Deixe Ela em Paz". É uma música de homens falando sobre o espaço da mulher na política. Que fique claro que não há na faixa nenhuma intenção de menosprezar o lugar de fala da mulher, ao contrário. A música se dirige aos homens justamente para chamá-los para a luta ao lado das mulheres.

Não seria possível fazer um disco sobre os tempos atuais sem falar o pessimismo de tempos vindouros (o sonho acabou) e Cantiga de Claro Iludir cumpre esse papel embora também seja capaz de injetar nos ouvintes pílulas de esperança de possíveis novos dias.  E encerrando o álbum, As Invasões Bárbaras é uma espécie de faixa bônus que homenageia Henrique Cossart, ex-padre que integrou a equipe de Dom Helder Câmara, e que - ao deixar o sacerdócio - fez parte de uma missão que educava pessoas carentes e acolhia perseguidos políticos durante a ditadura militar. É uma música que narra o amor entre os mais humildes e fala sobre os refugiados que vivem fora e dentro de sua própria pátria. Nada mais atual.

André Mussalem é artista desde os 16 anos e desde cedo estuda o processo de formação do povo brasileiro por meio da música. No Morro da Minha Cabeça foi seu primeiro registro fonográfico e criticava os estereótipos do samba.


Serviço: Show de Lançamento do álbum Pólis de André Mussalem
Dia: 29 de novembro de 2018 (quinta-feira)
Local: Teatro Eva Hertz – Avenida República do Líbano, 251 – RioMar Shopping – Pina – Recife - PE
Abertura da Casa: 19h30
Início do Show: 20h30
Entrada gratuita