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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

#VcNoBlog Achel Tinoco


O PONTEIRO DO RELÓGIO

Está clara a lonjura que me devora:
atrasa a vida — um passo a menos,
e rumina um fardo inteiro de feno
sem perceber o adiantar da hora.
 
O ponteiro do relógio até que chora
de tanto correr atrás do seu tempo;
em busca de si mesmo, meio lento,
sempre a se chegar à mesma hora.
 
Se me causa espécie a tua demora,
recorro ao relógio da parede agora,
que conta os minutos sofregamente.
 
Intransponível, essa distância vigora
e, ainda por cima, se alimenta da hora
que em mim se encurta; por isso, sente.

Achel Tinoco é escritor e poeta 
paraense de nascimento, baiano por adoção