Projeto Seis e Meia – Michael Sullivan
Espetáculo: My Life – Retratos e Canções
Data: 9 de maio de 2025
Local: Teatro do Parque – Recife
Abertura: Clayton Barros
Horário: 18h30
Ingressos: Sympla e Bilheteria do Teatro
ENTREVISTA — Michael Sullivan
1. Quando você pensa naquele garoto de 14 anos começando a cantar em Recife, o que daquela fase ainda vive em você como artista?
A coragem. A coragem de me expor, de correr riscos. De ter uma visão global de esperança, além da minha circunstância.
2. Aos 17 anos, qual foi o momento que realmente confirmou que você estava no caminho certo ao deixar o Recife?
Eu nunca tive essa confirmação, porque componho o interior do meu interior. Eu componho Recife nas minhas canções, minha melodia é sincopada, em todas as minhas canções tem a síncope do frevo.
O Rio de Janeiro é o meu palco, cidade que meu deu todos os títulos possíveis e honrarias a seus cidadãos que contribuem para a sociedade, mas Recife é minha casa.
3. Como a experiência nas bandas Os Nucleares, Os Selvagens e Renato e Seus Blue Caps moldou sua visão musical?
Ali eu vivi a metanoia onde se inicia cantando Beatles e termina cantando samba do mestre Martinho da vila. Essas bandas tinham um repertório eclético, compromissado com o gosto popular e com a alegria simples e escancarada. Aprendi com isso a não segmentar a música, e ter uma visão plural. A reconhecer o lugar de fala das canções, o meu gosto musical ficou em segundo plano, e a minha vontade de servir o povo com música, moldou toda a minha canção.
4. Qual era o segredo da química criativa entre você e Paulo Massadas?
Não ter preconceito com o óbvio, porque fazer sucesso com o óbvio é para poucos.
A missão mais difícil da construção da nossa música, foi fazer do simples a voz de recordes.
Hoje vejo que conseguimos concluir nossa missão, somos os únicos compositores que tem um hit entre os gêneros musicais mais populares do Brasil.
5. Depois de mais de 2.000 músicas, como você mantém a inspiração viva?
Vencendo a mim mesmo. Não buscando comparações. A leitura do tempo é fundamental, a música é cíclica. Se ficarmos comparando a música de uma década com a outra deixarmos de construir o futuro.
Para se criar temos que vencer a nossa autoria, para se compor um futuro de vanguarda.
6. Como você enxerga o diálogo da sua obra com os artistas jovens de hoje?
Tenho uma troca muito sincera com eles, um exemplo disso é a metade de um disco o “Ivanilton” que fiz em parceria com Juliano Holanda, com feat com Almerío, Júlio Sechin, Alice Caymmi por exemplo.
A música é sobre compartilhar, sobre empatia, sobre entender os tempos. E a parceira sempre nasce dessas fontes inesgotáveis.
7. Qual parte do seu legado você considera mais essencial — e qual ainda gostaria de construir? Quando cheguei na certeza de que legado não é algo que você dá para as pessoas, mas sim o que você deixa nas pessoas, me senti realizado. Minha obra chegou em todos os países do mundo ao longo de quase 50 anos de trabalho e carreira, assim como já pude ver nos gráficos do Spotify, sinto que me imprimi na criação coletiva do meu país, e esse é meu legado.
8. O que passa pela sua cabeça quando você sobe ao palco em Recife hoje, depois de tantas décadas de carreira?
Cantar pro meu povo… Eu busco o som da minha casa, o cheiro da minha terra, eu busco a minha descendência sonora na plateia.
Realmente cantar em recife alimenta minha alma com toda sorte de boas memórias afetivas.


