💡 O reforço da rede de atendimento ao AVC no SUS avança, mas ainda enfrenta desigualdades que atrasam o socorro em regiões remotas. A estratégia inclui integração entre SAMU, UPAs e hospitais, ampliação de centros especializados e uso crescente da telemedicina, que permite que equipes do interior discutam casos com neurologistas de referência. Cada minuto conta: reconhecer sinais como boca torta, fala embaralhada ou perda súbita de força é decisivo para evitar sequelas graves e aumentar as chances de recuperação.
🚑 Para o neurologista Jamary Oliveira Filho, o maior desafio é fazer a rede funcionar como um sistema único, no qual cada etapa — do reconhecimento ao transporte e ao início do tratamento — acontece sem atrasos. Ele destaca que o SAMU deve identificar a suspeita, avisar o hospital e levar o paciente ao serviço adequado, enquanto a emergência precisa estar pronta para realizar exames e iniciar terapias como trombólise ou trombectomia. A linha de cuidado organiza esse percurso para evitar que o paciente chegue a unidades sem tomografia ou equipe treinada.
🛰️ A telemedicina surge como aliada para reduzir desigualdades regionais, permitindo que profissionais de áreas distantes compartilhem exames e recebam orientação especializada. Segundo Jamary, isso pode ser a diferença entre tratar o paciente dentro da janela terapêutica ou perder a oportunidade. Ainda assim, a oferta de trombectomia 24/7 permanece limitada, já que o procedimento exige estrutura avançada e equipes altamente especializadas — realidade mais comum em hospitais privados de alta complexidade.
🏥 A ampliação da acreditação de centros de AVC é outro eixo estratégico, garantindo que hospitais tenham equipe, protocolos e indicadores alinhados às boas práticas. Jamary reforça que o cuidado não termina na alta: muitos pacientes precisam de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento médico contínuo. A reabilitação é essencial para recuperar movimentos, fala, deglutição e autonomia, além de prevenir novos eventos.
🆘 Para facilitar o reconhecimento dos sintomas, o SUS incentiva o mnemônico “Vá De SAMU”, que reúne sinais como alteração súbita da visão, desequilíbrio, boca torta, fraqueza em um dos braços e dificuldade para repetir frases simples. Diante de qualquer um deles, é urgente ligar para o 192. Quanto mais rápido o paciente chega a uma unidade preparada, maiores são as chances de tratamento e menores os riscos de sequelas permanentes.