quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Resposta a um "Fucking" convite



Depois de viralizar com um "fucking" convite de formatura, o publicitário e bacharel em Direito, Lucas Jansen, de 23 anos, ganhou a fama, saiu em vários sites, portais, jornais e sua história acabou se problematizando, com muitos se questionando até onde um profissional que consegue se formar em uma instituição superior de ensino pode se queixar ou mesmo zoar das situações passadas em plena faculdade. 

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Em meio a isso, o presidente da OAB/PE, Ronnie Duarte (foto ao lado), resolveu escrever uma resposta em seu Facebook:

SOBRE UM CONVITE DE FORMATURA. 


Li atentamente um convite de formatura que “viralizou” há poucos dias na internet. Fui tomado pela lembrança de um sentimento que me invadiu há exatos 21 anos, quando finalmente pude realizar um sonho de infância: colar grau no curso de direito. Recordo-me vivamente da empolgação vivenciada durante os cinco anos passados na faculdade. Lembro-me da inquietação, da ansiedade em poder, ao depois, finalmente exercer a advocacia. Nas escolhas profissionais, jamais fui animado por perspectivas de ganhos significativos. Era motivado, apenas, pela paixão, pela nobreza do ofício e pela perspectiva de poder exercer um protagonismo na administração da justiça aos cidadãos. 

Lembro com saudades dos tempos universitários. Sinto falta dos amigos de outrora. Reverencio os meus mestres, levando comigo uma imorredoura gratidão pelos valiosos ensinamentos recebidos. Encarei as renúncias ao convívio social como algo inerente à responsabilidade que deve recair sobre aqueles que, missionários da justiça, buscam uma formação técnica para defender os direitos alheios, dos cidadãos. Quanto aos exames, sempre os tive como algo absolutamente necessário à verificação da apreensão de conteúdos indispensáveis ao cabedal de um bom profissional do direito. 

Ao fim e ao cabo, fui tomado por um profundo sentimento de pesar pelo emissário do tal convite. Senti pena do jovem bacharel que, almejando apenas a riqueza, fez um curso que para ele foi tido como “desgraçado”, que via as provas como algo cujo único propósito era “foder” a sua vida social e que tinha raiva dos colegas, qualificando de “tormentoso” o simples ato de pisar na faculdade. Finda a leitura do texto, lamentei profundamente que a bendita prova da OAB não seja capaz de aferir a vocação dos candidatos. Ao jovem Lucas, se me fosse consentido, daria um conselho: não siga a advocacia. Por tudo o que li, tenho a certeza de que nela você poderá até ficar rico, mas muito dificilmente conseguirá ser feliz!